Estamos em ano eleitoral. Isso nós sabemos. E a propaganda da grande mídia diz: votar é exercer a cidadania. Agora, observemos: se o cidadão deixa de votar ou não deseja votar também é um direito dele como cidadão. Por fim, as perguntas que não querem calar: o cidadão deve ser obrigado por lei a participar do jogo político? Deve ser obrigado a votar ainda que não queira? O interessante nisso tudo é que fazer algo por obrigação nem sempre é benéfico. Sabemos muito bem que quem faz alguma coisa só por obrigação, fará de má vontade e sem muito interesse.
Ora, o voto obrigatório, na realidade, ofende os princípios democráticos. Se numa democracia somos livres para escolher o que desejamos fazer ou não, podemos também nos abster de participar desse processo. Devemos ter em mente que a autonomia do indivíduo deve ser respeitada, preservada. Uma coisa é dever cívico. Outra é direito cívico. Não misturemos as bolas. Ainda mais se o eleitor faz do ato de votar algo sem interesse, ele estará mais propenso a deixar de valorizar o voto e a abrir seu balcão comercial para vendê-lo em troca de favores.
Essas coisas tais de obrigações como as de ir às urnas e de prestar serviço militar apenas trazem à tona o que conhecemos como despotismo ditatorial. Se tais obrigações são germinadas nos jardins da democracia têm como adubo maior o espírito coercitivo dos governos linhas duras.
Lembro aqui para vocês que não é minha intenção radicalizar pregando a não-obrigatoriedade do voto. Muito pelo contrário, temos é de aceitar a não-obrigatoriedade como uma opção pessoal. E uma opção bastante válida. Ora, se o cidadão, hoje, não aceita a ideia de voto útil; se o cidadão, hoje, anula seu próprio voto; se o cidadão, hoje, vota em branco, por que esse cidadão não pode se abster de votar e por que votar tem de ser obrigatório?
Isso são coisas mesmas das instituições brasileiras e dos nossos políticos, os quais preferem esse tipo de falácia institucional para ter uma ideia ilusória de que o povo brasileiro está atuando e legitimando os seus processos. E, também, meus amigos, para nossos políticos, a não-obrigatoriedade do voto é algo assustador, muito mais por ser um poderoso instrumento de ação popular. Porque se uma esmagadora maioria da população deixar de ir às urnas, os nossos políticos e legisladores ficarão constrangidos e seus vínculos sociais estariam rompidos.
A não-obrigatoriedade de votar faz medo aos nossos políticos, pois, sendo o voto facultativo, as elites partidárias que mandam e desmandam na terra brasileira começariam a entrar em processo de desmonte. Infelizmente, o cidadão eleitor, preso a essa linha institucional de voto obrigatório fica obrigado a fazer tudo que jamais pretendeu na realidade. Em primeiro lugar é obrigado a seguir a linha do marketing político pela TV ou nas ruas, vendo o candidato ou candidatos beijando criancinhas e comendo nas lanchonetes e quiosques. A seguir, é obrigado a engolir as promessas que jamais serão cumpridas pelos discursos vindos de bocas sorridentes. E, por fim, ele é obrigado a ir às urnas escolher o “menos pior”.
Amigos,seria ótimo que esse círculo vicioso fosse derrubado em algum momento ou em algum tempo. Seria maravilhoso que o voto livre, que a não-obrigatoriedade de votar abrissem portas novas para a criação de consensos novos. Para isso precisamos lutar por uma reforma política dentro dessas nossas premissas libertárias, ou seja: votar se desejarmos ou quando desejarmos. Assim, poderemos ter certeza de que os políticos irão nos tratar com mais respeito.
Como se vindos do nada meus pensamentos voaram sobre o Recife nas noites de solidão e de farra. Trouxeram lembranças de velhos amigos, cheiros de mangues, luzes amarrotadas das avenidas, olhares de mulheres e crianças tristes, e o grito de guerra do meu Sport. O Recife se fez gente. Trouxe até mim as mulheres, amigos de bebedeira, poesia e tudo que pudesse apaziguar a mente que não se cansa de pensar. Assim nasceu a palavra vinda de minha rocha.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
terça-feira, 3 de agosto de 2010
VOO DO SONHADOR
Ah, se pudesse voar..
Jogar fora os meus erros de ontem...
Nem sei se teria tempo de viver
Pensando em corrigir minha vida
Mutilar o que fiz...
Destruir o que passei...
Romper com o que foi meu...
Ah se pudesse voar...
Reconstruir o presente do ontem
Daria as mãos ao meu pai
E faria da vida a esperança
Deixada de ser dada à sua vida.
Ah se pudesse voar...
Corrigir os acertos dos antanhos
Não teria tempo de viver o hoje
Estaria morto por corrigir o mundo.
Revisar o que fiz
Reconstruir o tempo morto
Fazer de conta o fazer de conta
Ah, se pudesse voar
Sentir a vida em plena infância
Daria o corpo ao sabor do vento
E faria da ilusão a certeza
Como saber do sonho fazer a vida.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 3 de agosto de 2010
Jogar fora os meus erros de ontem...
Nem sei se teria tempo de viver
Pensando em corrigir minha vida
Mutilar o que fiz...
Destruir o que passei...
Romper com o que foi meu...
Ah se pudesse voar...
Reconstruir o presente do ontem
Daria as mãos ao meu pai
E faria da vida a esperança
Deixada de ser dada à sua vida.
Ah se pudesse voar...
Corrigir os acertos dos antanhos
Não teria tempo de viver o hoje
Estaria morto por corrigir o mundo.
Revisar o que fiz
Reconstruir o tempo morto
Fazer de conta o fazer de conta
Ah, se pudesse voar
Sentir a vida em plena infância
Daria o corpo ao sabor do vento
E faria da ilusão a certeza
Como saber do sonho fazer a vida.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 3 de agosto de 2010
NOVO RECADO
Amigo:
A estrada da vida hoje não tem segredos.
Já passamos por todos aclives e declives.
Por que não agora desfrutar as idas e as vindas?
Não precisamos ter mais esperanças no futuro.
Ainda podemos viver o presente sentindo o passado.
Amigo:
Estamos vivos e isso nos deve bastar.
Podemos amar e fazer amor.
Ser e estar.
Amigo:
A morte não tem estrada para nós como a vida.
Ela não possui declives e aclives para os versos.
As idas e vindas e os percalços foram parte do tempo.
O futuro que tínhamos deixou de ser.
O presente está mais vivo que nós mesmos.
Amigo:
O que nos basta é sentir o nosso sangue
Escorrendo tão simplório como somos:
Sendo e estando.
Amigo:
Vivamos o que nos resta viver!
Ainda que não saibamos o quê...
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 3 de agosto de 2010
A estrada da vida hoje não tem segredos.
Já passamos por todos aclives e declives.
Por que não agora desfrutar as idas e as vindas?
Não precisamos ter mais esperanças no futuro.
Ainda podemos viver o presente sentindo o passado.
Amigo:
Estamos vivos e isso nos deve bastar.
Podemos amar e fazer amor.
Ser e estar.
Amigo:
A morte não tem estrada para nós como a vida.
Ela não possui declives e aclives para os versos.
As idas e vindas e os percalços foram parte do tempo.
O futuro que tínhamos deixou de ser.
O presente está mais vivo que nós mesmos.
Amigo:
O que nos basta é sentir o nosso sangue
Escorrendo tão simplório como somos:
Sendo e estando.
Amigo:
Vivamos o que nos resta viver!
Ainda que não saibamos o quê...
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 3 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
SINA DA SOLIDÃO
Vou jogar fora meus poemas. Não mais os quero.
Pretendo agora relegar todos ao esquecimento.
Rasgarei em mil pedaços e jogá-los-ei ao vento.
Disse tanto de mim em palavras e em estrofes.
Cansei de escrever! Moro em imensas catástrofes.
Como pensar versos sem sentir o desespero?
Escrevi versos como quem cantasse a vida
Mais obscura e toda inserida dentro em mim
Escrevi versos como em busca de guarida
A nunca ser planta ou flor de outro jardim
Pois sendo versos meus fosse essa desdita
Magoada pelos nãos e atenuada pelo sim
De quem não sabe o quanto a sina é maldita
De viver na solidão e amargar um triste fim.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 1 de agosto de 2010
Pretendo agora relegar todos ao esquecimento.
Rasgarei em mil pedaços e jogá-los-ei ao vento.
Disse tanto de mim em palavras e em estrofes.
Cansei de escrever! Moro em imensas catástrofes.
Como pensar versos sem sentir o desespero?
Escrevi versos como quem cantasse a vida
Mais obscura e toda inserida dentro em mim
Escrevi versos como em busca de guarida
A nunca ser planta ou flor de outro jardim
Pois sendo versos meus fosse essa desdita
Magoada pelos nãos e atenuada pelo sim
De quem não sabe o quanto a sina é maldita
De viver na solidão e amargar um triste fim.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 1 de agosto de 2010
TORPEDO
Meus desejos têm milhões de atalhos
A levar sonhos a rincões escondidos
De corpo a corpo em meio aos retalhos
Dos prazeres mais loucos acendidos.
E mesmo hoje de cabelos já grisalhos
Anseio a boca e o sexo consentidos
Jamais pensar os meus atos sejam falhos
Estou aceso nos meus poros e sentidos
Quero-te ao extremo de fugir de mim!
Quero-te ao supremo de morrer assim:
Sangrando as mãos ao espinho da tua flor!
Quero-te fêmea enrodilhada em meus braços!
Quero-te louca a pedir os estilhaços
Do torpedo explodido deste meu amor.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 1 de agosto de 2010
A levar sonhos a rincões escondidos
De corpo a corpo em meio aos retalhos
Dos prazeres mais loucos acendidos.
E mesmo hoje de cabelos já grisalhos
Anseio a boca e o sexo consentidos
Jamais pensar os meus atos sejam falhos
Estou aceso nos meus poros e sentidos
Quero-te ao extremo de fugir de mim!
Quero-te ao supremo de morrer assim:
Sangrando as mãos ao espinho da tua flor!
Quero-te fêmea enrodilhada em meus braços!
Quero-te louca a pedir os estilhaços
Do torpedo explodido deste meu amor.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 1 de agosto de 2010
terça-feira, 27 de julho de 2010
SEREIA
Ao olhá-la (desvairado) assim deitada
Pelas águas do oceano a ser banhada
Meu sangue grita lubricidade estranha.
E o cérebro medita o gozo do abraço
O prazer do corpo molhado nos braços
E a boca a prometer paixão tamanha.
Que sereia essa a inocular dentro em mim
O anseio lúbrico de tê-la?
E possuir seu corpo todo como estrela
Como eu sendo a noite escura toda dela?
Vê-la assim, em amplidão mulher entregue
Sedenta de paixão minha alma segue
Em luxúria insana e febre intensa
Vem um tropel de delírios estranhos
A me envolver em fogueiras tão mais densas
Não sei nem onde ponho os arreganhos
Da paixão que tal sereia me incensa.
Neste horizonte vem um pensamento louco
Ao ver e sentir-lhe a graça imensa...
Que sereia essa a inocular dentro em mim
O anseio lúbrico de tê-la?..
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 27 de julho de 2010
Pelas águas do oceano a ser banhada
Meu sangue grita lubricidade estranha.
E o cérebro medita o gozo do abraço
O prazer do corpo molhado nos braços
E a boca a prometer paixão tamanha.
Que sereia essa a inocular dentro em mim
O anseio lúbrico de tê-la?
E possuir seu corpo todo como estrela
Como eu sendo a noite escura toda dela?
Vê-la assim, em amplidão mulher entregue
Sedenta de paixão minha alma segue
Em luxúria insana e febre intensa
Vem um tropel de delírios estranhos
A me envolver em fogueiras tão mais densas
Não sei nem onde ponho os arreganhos
Da paixão que tal sereia me incensa.
Neste horizonte vem um pensamento louco
Ao ver e sentir-lhe a graça imensa...
Que sereia essa a inocular dentro em mim
O anseio lúbrico de tê-la?..
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 27 de julho de 2010
VERSOS PATÉTICOS
Nos desleixos das noites escrevo os versos patéticos
E seus dramas e suas danças e suas maledicências
Ponho acidez na boca e voo a mundos tétricos
Para amar as escuridões e os medos e as essências
Das mulheres belas e das feias e dos cios estéticos
Gozá-los todos para o tempo e para as consciências
Dos loucos e das loucas a habitar meu eu eclético
Buscando dramatizar minhas novas consequências.
Danço bolero nas mesas dos bares bêbado e feliz
Com as garrafas e seus inebriantes conteúdos
Fumo cigarros e lanço meu desvario ao espaço.
Uma pena que o verso novo esteja surdo e mudo
Trazendo a esta vida o gozo fugaz do teu abraço
Para tentar fazer de mim um diabo triste e infeliz.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 27 de julho de 2010
E seus dramas e suas danças e suas maledicências
Ponho acidez na boca e voo a mundos tétricos
Para amar as escuridões e os medos e as essências
Das mulheres belas e das feias e dos cios estéticos
Gozá-los todos para o tempo e para as consciências
Dos loucos e das loucas a habitar meu eu eclético
Buscando dramatizar minhas novas consequências.
Danço bolero nas mesas dos bares bêbado e feliz
Com as garrafas e seus inebriantes conteúdos
Fumo cigarros e lanço meu desvario ao espaço.
Uma pena que o verso novo esteja surdo e mudo
Trazendo a esta vida o gozo fugaz do teu abraço
Para tentar fazer de mim um diabo triste e infeliz.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 27 de julho de 2010
sexta-feira, 23 de julho de 2010
PROFUNDEZA
Na realidade
Continuo sendo mais profundo eu mesmo
Não gosto de perder tempo
Saber o porquê de Estar?
Saber o porquê de Ir?
Sei lá...
No fundo de mim
Tudo brotou do acaso
Se a chuva molha a terra
Nasce a planta
Se o corpo vai à terra
Dá-se vida
Nada de pensar em Mestre
Isso é algo bizarro
O profundo do Eu é mais eterno
Como um escarro
Vindo da carne.
Na realidade
Não acalento crenças em deuses
Para que perder tempo?
Tenho a mim e ao meu Ser
Maior resposta aos porquês
Sendo, eu sou
Não sendo, eu não sou
Se o sol enxuga a terra molhada
Cresce a planta
Se os olhos ameigam lágrimas amargas
O sonhar da vida
Traz o acaso de todas as amplidões
E sempre o Eu é mais eterno
E a paixão pela vida
Mantém a vida.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de julho de 2010
Continuo sendo mais profundo eu mesmo
Não gosto de perder tempo
Saber o porquê de Estar?
Saber o porquê de Ir?
Sei lá...
No fundo de mim
Tudo brotou do acaso
Se a chuva molha a terra
Nasce a planta
Se o corpo vai à terra
Dá-se vida
Nada de pensar em Mestre
Isso é algo bizarro
O profundo do Eu é mais eterno
Como um escarro
Vindo da carne.
Na realidade
Não acalento crenças em deuses
Para que perder tempo?
Tenho a mim e ao meu Ser
Maior resposta aos porquês
Sendo, eu sou
Não sendo, eu não sou
Se o sol enxuga a terra molhada
Cresce a planta
Se os olhos ameigam lágrimas amargas
O sonhar da vida
Traz o acaso de todas as amplidões
E sempre o Eu é mais eterno
E a paixão pela vida
Mantém a vida.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de julho de 2010
PEQUENA EPOPEIA
Ao despertar da manhã o prisioneiro
Da mais velha saudade e da ideia
Eternamente imortal de caminheiro
Quixote em louvor de Dulcineia
Vai a Caronte o último barqueiro
Viver a Tróia em sua epopeia
E seu passado... Ó, vida de guerreiro!
Não tem vitória para essa odisseia.
(Penso em tudo que possuis em teu amor
Guardado dentro do meu velho inferno
Onde a paixão lado a lado vai com a dor.)
Silêncio, musa! Meu coração não é eterno!
E mesmo assim se preciso muito for
Serei um herói menor e subalterno.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de julho de 2010
IMENSO NADA
Não sabes quem és...
Não sei quem sou...
Como fazer desta vida louca
A ideia se seguir algum caminho?
Quando não sei quem sou?
Quando não sabes quem és?
Como achar os caminhos a seguir
Quando nem nos sabemos Ser?
Onde o meu futuro?
Qual o meu passado?
Temos correntes presas em nossos ares
Onde falsos profetas erguem altares
À onisciência de deuses invisíveis.
Estamos presos às ilusões e aos momentos
E caminhamos a buscar sentimentos
Sem saber quem somos.
Qual nosso passado e donde viemos?
Todos...
Somos cavalgaduras presas nas estrebarias
Cavalgaduras esquálidas e famintas
Por não saber de seus caminhos a seguir.
Todos...
Somos amplidões de um imenso Nada
No mergulho da intenção do acaso
Na bolha atômica
De um buraco negro.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de julho de 2010
Não sei quem sou...
Como fazer desta vida louca
A ideia se seguir algum caminho?
Quando não sei quem sou?
Quando não sabes quem és?
Como achar os caminhos a seguir
Quando nem nos sabemos Ser?
Onde o meu futuro?
Qual o meu passado?
Temos correntes presas em nossos ares
Onde falsos profetas erguem altares
À onisciência de deuses invisíveis.
Estamos presos às ilusões e aos momentos
E caminhamos a buscar sentimentos
Sem saber quem somos.
Qual nosso passado e donde viemos?
Todos...
Somos cavalgaduras presas nas estrebarias
Cavalgaduras esquálidas e famintas
Por não saber de seus caminhos a seguir.
Todos...
Somos amplidões de um imenso Nada
No mergulho da intenção do acaso
Na bolha atômica
De um buraco negro.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de julho de 2010
sábado, 17 de julho de 2010
OLHOS DOS VERSOS
Estranhos versos olhando meu tempo
Parecem possuidores de pupilas
Programados em vozes de paixão
De amor intenso
Estes são teus olhos.
Versos vindos para beijar o corpo
Despido na varanda de teu olhar
Ao debruçar do próximo agosto
O amor de julho
Fará o setembro da nossa noite.
Versos olhando nosso espaço novo
Trazem olhos feminis ao calendário
Todos os meses ser-nos-ão perenes
O amor no ano inteiro
Ver-me-á nos teus olhares.
Escrevo palavras distraidamente
Guardando teu nome no silêncio
Hoje é sábado, dia de paixão
O amor de ontem
Fará o nosso novo domingo.
Estranhos versos olhando meu corpo
Parecem donos de alguns raios-x
Fotografando o vírus da alma
Eis o amor em dissecação
Ao olhar o microscópio
Esses são versos que se beijam
Em nossas bocas mais sedentas
São versos invencíveis
Do amor eternizado
Nos olhos do poeta.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 17 de julho de 2010
Parecem possuidores de pupilas
Programados em vozes de paixão
De amor intenso
Estes são teus olhos.
Versos vindos para beijar o corpo
Despido na varanda de teu olhar
Ao debruçar do próximo agosto
O amor de julho
Fará o setembro da nossa noite.
Versos olhando nosso espaço novo
Trazem olhos feminis ao calendário
Todos os meses ser-nos-ão perenes
O amor no ano inteiro
Ver-me-á nos teus olhares.
Escrevo palavras distraidamente
Guardando teu nome no silêncio
Hoje é sábado, dia de paixão
O amor de ontem
Fará o nosso novo domingo.
Estranhos versos olhando meu corpo
Parecem donos de alguns raios-x
Fotografando o vírus da alma
Eis o amor em dissecação
Ao olhar o microscópio
Esses são versos que se beijam
Em nossas bocas mais sedentas
São versos invencíveis
Do amor eternizado
Nos olhos do poeta.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 17 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
AMADA CARNE
Sei tua carne morena.
Macia.
Sei de cor tua pele, amada.
Seios redondos
Colinas da vida
Ah, e os lábios
Onde beijos audazes
Beijos de adeus
Beijos molhados
Trunfos só teus.
Sei como és:
Atrevida
Em meio à penumbra
Do quarto
Na cama
Fazendo-se mar
Fazendo-se marco
Feito um poema
Para o meu barco
Em ti, navegar.
Amada
Eu sei como és toda
Alegria
Tristeza
Vida liberta
Felina noturna
Amada
Das noites cruéis
Das noites felizes
Sei quem tu és!
Teu corpo é um porto
Ao eu navegante
Poeta sem rumo
Ao teu belo flanar
Na noite vazia
Estás sentimento
Amada
Meu tempo
É pequeno
Para te poetar.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 16 de julho de 2010
Macia.
Sei de cor tua pele, amada.
Seios redondos
Colinas da vida
Ah, e os lábios
Onde beijos audazes
Beijos de adeus
Beijos molhados
Trunfos só teus.
Sei como és:
Atrevida
Em meio à penumbra
Do quarto
Na cama
Fazendo-se mar
Fazendo-se marco
Feito um poema
Para o meu barco
Em ti, navegar.
Amada
Eu sei como és toda
Alegria
Tristeza
Vida liberta
Felina noturna
Amada
Das noites cruéis
Das noites felizes
Sei quem tu és!
Teu corpo é um porto
Ao eu navegante
Poeta sem rumo
Ao teu belo flanar
Na noite vazia
Estás sentimento
Amada
Meu tempo
É pequeno
Para te poetar.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 16 de julho de 2010
ESTAÇÕES DO AMOR
Hoje ao ver-te nua pousada em minha cama
Toco de leve em tua pele e faço andanças vãs
Rolas para o lado, mas tua carne quente chama
A volúpia do meu sangue soltar os velhos cães.
Não resistes e ao abrir teus anseios e precipícios
Fazes meu corpo mergulhar em total loucura
E nas umidades de todos os teus suaves orifícios
Nosso prazer seminal cria um marco de ternura
Do dia-a-dia cansativo assassino da quimera
Dardejada desde os tempos do primeiro beijo
Quando o amor ainda era sonho de primavera
Ainda mantém-se em riste no friorento inverno
Com a nostalgia dos verões repletos de desejos
E ao outono da vida é o mais novo subalterno
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 16 de julho de 2010
CAMINHADA
Posso ao teu lado caminhar nas ruas da cidade
Pelos estreitos becos sujos e nas largas avenidas
Posso ao teu lado espairecer em todos os bares
Posso ao teu lado lembrar coisas de nossas vidas
Coisas nascidas e vividas em lugares mais remotos
Como nos jardins, nas praças escuras e nas camas
Posso ao teu lado lembrar versos ainda ignotos
Quando eu dizia: Te amo! E inquirias: Tu me amas?
Tanto mesmo eu deseje não mais posso retornar
Aos becos sujos da cidade e aos bares vazios
Tanto eu deseje não posso ver o gosto de amar
Coisas tidas juntos. Sonhos mais que fugidios
E marcados nos lugares mais estranhos da terra
E vividos nos caminhos mais dilacerantes
Tanto eu deseje não posso mais partir à guerra
Daquele amor ao qual nos fizemos tão constantes.
Porém, meus versos vêm e vão e trazem a nostalgia
Como a louca dor imensa a crescer dentro do peito
Nada mais posso ao teu lado. Nem mesmo alegria
Vem de longe ou de perto refazer o imperfeito
Destino de amor tido em conjunto neste mundo
Onde só agora a morte pode colocar ponto final
Espargindo minha dor cantante de poeta vagabundo
Em teus braços, amada, em um derradeiro ritual.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 16 de julho de 2010
Pelos estreitos becos sujos e nas largas avenidas
Posso ao teu lado espairecer em todos os bares
Posso ao teu lado lembrar coisas de nossas vidas
Coisas nascidas e vividas em lugares mais remotos
Como nos jardins, nas praças escuras e nas camas
Posso ao teu lado lembrar versos ainda ignotos
Quando eu dizia: Te amo! E inquirias: Tu me amas?
Tanto mesmo eu deseje não mais posso retornar
Aos becos sujos da cidade e aos bares vazios
Tanto eu deseje não posso ver o gosto de amar
Coisas tidas juntos. Sonhos mais que fugidios
E marcados nos lugares mais estranhos da terra
E vividos nos caminhos mais dilacerantes
Tanto eu deseje não posso mais partir à guerra
Daquele amor ao qual nos fizemos tão constantes.
Porém, meus versos vêm e vão e trazem a nostalgia
Como a louca dor imensa a crescer dentro do peito
Nada mais posso ao teu lado. Nem mesmo alegria
Vem de longe ou de perto refazer o imperfeito
Destino de amor tido em conjunto neste mundo
Onde só agora a morte pode colocar ponto final
Espargindo minha dor cantante de poeta vagabundo
Em teus braços, amada, em um derradeiro ritual.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 16 de julho de 2010
quinta-feira, 15 de julho de 2010
BOÊMIO
No meio da noite o desejo me alimenta:
Mesa de bar, rum, cigarros e cerveja.
A intensidade do anseio só aumenta
E faz o corpo poetar isso que almeja.
Tomar uns goles a olhar ninfas noturnas!
E na fumaça do cigarro ver segredos
Esfumando-se nas solidões soturnas
Dos hipócritas e dos homens tredos.
Copo vazio! Chamo o garçom: - Amigo!
Mais uma dose a minha noite necessita
Antes que o sol possa encerrar esta ilusão.
Bêbado e etéreo renasce meu castigo
Ser puro e casto como esta noite grita:
Amante louco da vida e da paixão!
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 15 de julho de 2010
Mesa de bar, rum, cigarros e cerveja.
A intensidade do anseio só aumenta
E faz o corpo poetar isso que almeja.
Tomar uns goles a olhar ninfas noturnas!
E na fumaça do cigarro ver segredos
Esfumando-se nas solidões soturnas
Dos hipócritas e dos homens tredos.
Copo vazio! Chamo o garçom: - Amigo!
Mais uma dose a minha noite necessita
Antes que o sol possa encerrar esta ilusão.
Bêbado e etéreo renasce meu castigo
Ser puro e casto como esta noite grita:
Amante louco da vida e da paixão!
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
CANÇÃO EXTREMA
Clara e precisa na minha dor suprema
Angústia d’alma da qual o mundo ri:
Voa no espaço minha canção extrema
Da morte lenta andando a me seguir
Como se fosse meu corpo eterno guia
Culpas carnais a descontrolar aqui:
Ó sonho, ó mulher, ó bela fantasia!
Ainda há paixão para se me embutir.
Fazer na vida a cor em poema seco
Vai a ingrata revolver todo o esterco
Das ações loucas de minha mocidade
Sentindo o peso do adeus angustiante
Vejo o apagar da minha luz constante
Na carne quente de minha humanidade.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 14 de julho de 2010
Angústia d’alma da qual o mundo ri:
Voa no espaço minha canção extrema
Da morte lenta andando a me seguir
Como se fosse meu corpo eterno guia
Culpas carnais a descontrolar aqui:
Ó sonho, ó mulher, ó bela fantasia!
Ainda há paixão para se me embutir.
Fazer na vida a cor em poema seco
Vai a ingrata revolver todo o esterco
Das ações loucas de minha mocidade
Sentindo o peso do adeus angustiante
Vejo o apagar da minha luz constante
Na carne quente de minha humanidade.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 14 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
POEMA DE OUTUBRO
Estou no meu ano sexagenário rumando ao escuro...
Eis as alegorias dos dias claros aqui.
Nas mãos dos meus amados e amadas.
Nos olhos de quem me vê
Sacralizado na loucura do mundo.
Bêbado e louco como devo ser.
Ouço as vozes dos amigos nos bares da vida
Rindo e cantando e espantando a dor invicta.
Nos meus pés de caminheiro
A cidade do Recife acorda
Dentro da noite onde tento pôr-me em pé.
Ergo-me para cantar a imensidade invernal
Onde a vida me trouxe e onde agora estaciono.
É meu aniversário!
Que bom que ainda sou!
Que bom que ainda vivo!
Meu nascer veio no mês decenal do calendário
E o pintor das madonas deu-me seu nome.
Nasci olhando o sol vermelho.
Nasci de alma e corpo estradeiros
Prontos a enfrentar os tormentos dos dias.
Levem-me agora amados e amadas de mim!
Levem-me para qualquer rincão de sonho!
Meu ano sexagenário está como o sol a se pôr.
As portas da cidade abrem-se para mim
E eu escrevo o sonho ou sonhos...
Na luz do cais do porto onde o marco é zero
Do inverno ao verão florescem vôos de gaivotas
E garças brancas olham-me benevolentes no rio.
Para além da divisa de meus amados e amadas
Os relógios marcam o tempo do fim.
Se eu me transfiguro em paisagem torno-me criança
De mãos dadas com quem me trouxe ao mundo.
No futuro outubro meu ser irmanar-se-á à poesia.
Sou um prodígio de tantos genes!
Sou um matiz de eternidade!
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 11 de julho de 2010.
Eis as alegorias dos dias claros aqui.
Nas mãos dos meus amados e amadas.
Nos olhos de quem me vê
Sacralizado na loucura do mundo.
Bêbado e louco como devo ser.
Ouço as vozes dos amigos nos bares da vida
Rindo e cantando e espantando a dor invicta.
Nos meus pés de caminheiro
A cidade do Recife acorda
Dentro da noite onde tento pôr-me em pé.
Ergo-me para cantar a imensidade invernal
Onde a vida me trouxe e onde agora estaciono.
É meu aniversário!
Que bom que ainda sou!
Que bom que ainda vivo!
Meu nascer veio no mês decenal do calendário
E o pintor das madonas deu-me seu nome.
Nasci olhando o sol vermelho.
Nasci de alma e corpo estradeiros
Prontos a enfrentar os tormentos dos dias.
Levem-me agora amados e amadas de mim!
Levem-me para qualquer rincão de sonho!
Meu ano sexagenário está como o sol a se pôr.
As portas da cidade abrem-se para mim
E eu escrevo o sonho ou sonhos...
Na luz do cais do porto onde o marco é zero
Do inverno ao verão florescem vôos de gaivotas
E garças brancas olham-me benevolentes no rio.
Para além da divisa de meus amados e amadas
Os relógios marcam o tempo do fim.
Se eu me transfiguro em paisagem torno-me criança
De mãos dadas com quem me trouxe ao mundo.
No futuro outubro meu ser irmanar-se-á à poesia.
Sou um prodígio de tantos genes!
Sou um matiz de eternidade!
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 11 de julho de 2010.
FÊMEA MUNDANA
A amada do meu tempo mundano está desnuda
Exercendo seu pendor feminil sobre meu corpo.
Perfume de pele envolve meu olfato.
Ela é soberana.
Diz: Eu te amo!
Como sendo abelha e eu sendo flor.
Ela ataca meus nervos puxando o fio de minha vida
Tal e qual a Vênus a prometer mil dádivas.
Serpente ela desliza por sobre meu corpo.
Ela é imperatriz.
Diz: Eu te quero!
Como sendo sede e eu sendo a água.
A amada de mim não busca ver meu coração.
Ela caminha nua sobre todos os meus poros.
Pela umidade dos beijos ela faz território.
Ela é rainha.
Diz: Eu amo assim!
Como sendo chuva e eu sendo terra.
Ela acelera meus nervos para a força da paixão.
E traz rezas de gênese e fim aos meus ouvidos.
Rouba do meu corpo sêmen e sangue.
Ela é mulher.
Diz: Eu sou tua!
Como sendo luz e eu a escuridão.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 11 de julho de 2010.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
VIDA MORTA
Nenhuma ternura para entrar na minha noite vagabunda.
Acendo meu cigarro e encho meu copo com cerveja ou rum.
Aprendo, ainda que tarde, como a vida está falida
E os homens íntegros contados nos dedos das duas mãos.
Nenhuma ternura a penetrar na noite vagabunda.
Os loucos, poetas sim, e eu, tentamos acreditar nas utopias
Tal antigos Quijotes a fantasiar grandes moinhos de vento.
Eu começo a odiar as noites transportadoras das doçuras.
Os homens maus bailam nas bandeiras das pátrias
E assassinam friamente as alegrias da vida esplêndida.
Nenhuma ternura para habitar na minha noite vagabunda.
Fumo os cigarros e sorvo com afinco meu rum e as cervejas.
Imagino, tal John Lennon, um mundo liberto das idéias
Preconcebidas dos homens paramentados e das igrejas
Nenhuma ternura para habitar a minha vagabunda noite.
Aos meus amigos falo de dentro de minha obscuridade:
Não maldigam minhas palavras antes do raiar do sol.
Não podem entrar nessa noite. O medo domina a vida.
Todas as retinas estão cegas para a travessia da luz.
Os homens maus tingem de vermelho as bandeiras das pátrias.
Os sábios, onde esconderam a verossimilhança do tempo?
Suas palavras não mais possuem centelhas do Nietzsche.
Habitam casas de ouro e prata com os homens da mídia
E escrevem filosofias baratas para comprar almas humildes.
Não temem nada com seus cofres enchendo-se de ouro.
Nenhuma ternura habita dentro de minha noite vagabunda.
Preciso de mais cervejas e de mais fumaças de cigarros.
Os cérebros dos humanos foram acorrentados com a dádiva
De paraísos fantásticos e de salvações através da morte.
As alegrias da vida mais esplêndida foram assassinadas.
Vida inverossímil.
Vida sem ternura.
Vida enrodilhada no medo.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 9 de julho de 2010.
Acendo meu cigarro e encho meu copo com cerveja ou rum.
Aprendo, ainda que tarde, como a vida está falida
E os homens íntegros contados nos dedos das duas mãos.
Nenhuma ternura a penetrar na noite vagabunda.
Os loucos, poetas sim, e eu, tentamos acreditar nas utopias
Tal antigos Quijotes a fantasiar grandes moinhos de vento.
Eu começo a odiar as noites transportadoras das doçuras.
Os homens maus bailam nas bandeiras das pátrias
E assassinam friamente as alegrias da vida esplêndida.
Nenhuma ternura para habitar na minha noite vagabunda.
Fumo os cigarros e sorvo com afinco meu rum e as cervejas.
Imagino, tal John Lennon, um mundo liberto das idéias
Preconcebidas dos homens paramentados e das igrejas
Nenhuma ternura para habitar a minha vagabunda noite.
Aos meus amigos falo de dentro de minha obscuridade:
Não maldigam minhas palavras antes do raiar do sol.
Não podem entrar nessa noite. O medo domina a vida.
Todas as retinas estão cegas para a travessia da luz.
Os homens maus tingem de vermelho as bandeiras das pátrias.
Os sábios, onde esconderam a verossimilhança do tempo?
Suas palavras não mais possuem centelhas do Nietzsche.
Habitam casas de ouro e prata com os homens da mídia
E escrevem filosofias baratas para comprar almas humildes.
Não temem nada com seus cofres enchendo-se de ouro.
Nenhuma ternura habita dentro de minha noite vagabunda.
Preciso de mais cervejas e de mais fumaças de cigarros.
Os cérebros dos humanos foram acorrentados com a dádiva
De paraísos fantásticos e de salvações através da morte.
As alegrias da vida mais esplêndida foram assassinadas.
Vida inverossímil.
Vida sem ternura.
Vida enrodilhada no medo.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 9 de julho de 2010.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
COLÓQUIOS
Sou aquele a iludir o reino das palavras no meu tédio.
De olhar os ponteiros do relógio no deslize vagaroso.
Trago em mim o pretexto de dizer versos amargos
E semear poentes e albores como sendo poderoso.
Estou preso aos selvagens espinhos de minha carne
Prenhe de anseios tal um pedinte de porta em porta.
E vôo como um pássaro: asas abertas em incógnitas
E canto quase sem querer minha natureza morta.
Minhas rugas mostram o tempo meio assim mutável
Onde passei anos e anos a semear palavras vãs.
Meu corpo adentra na corrosão do novo tempo
Na tentativa louca de alcançar carnes irmãs.
Sou o poeta a iludir o oceano e o navio da vida
Erodido pelo tempo e a olhar para todos os relógios.
Esfarela-se minha pedra em poeira nos caminhos
E não paro de fazer comigo estes estranhos colóquios.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 8 de julho de 2010.
De olhar os ponteiros do relógio no deslize vagaroso.
Trago em mim o pretexto de dizer versos amargos
E semear poentes e albores como sendo poderoso.
Estou preso aos selvagens espinhos de minha carne
Prenhe de anseios tal um pedinte de porta em porta.
E vôo como um pássaro: asas abertas em incógnitas
E canto quase sem querer minha natureza morta.
Minhas rugas mostram o tempo meio assim mutável
Onde passei anos e anos a semear palavras vãs.
Meu corpo adentra na corrosão do novo tempo
Na tentativa louca de alcançar carnes irmãs.
Sou o poeta a iludir o oceano e o navio da vida
Erodido pelo tempo e a olhar para todos os relógios.
Esfarela-se minha pedra em poeira nos caminhos
E não paro de fazer comigo estes estranhos colóquios.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 8 de julho de 2010.
domingo, 4 de julho de 2010
DESAMPARO
Lembro o dia em que galguei a montanha da vida
Tentando esculturar a paixão adormecida em mim.
Rostos e corpos desfaziam-se em plena poesia
E meu grito de raiva ecoava de tal modo maciço
Trazendo a dor de ser humano sem alegria
Eu estava sem guarida...
Meus ouvidos surdos escutaram vozes invisíveis
E adormeci nas ruas de meu exílio particular.
Mulheres e homens zombaram daquilo que eu era
E resolvi tornar mais surda minha vida.
Mas não derramei lágrimas em vão no mundo
Busquei renascer nas profundezas de mim.
Escrevi versos como quem parte para sempre
E ressuscitei meus anseios de criança travessa.
Nos braços da mulher amada fugi do exílio
E achei amigos nos quais nunca pensava muito.
Esculturei a paixão mais que embevecida
E consegui da alegria um sorriso fortuito.
Hoje ainda continuo exilado no país dos versos.
Mas ao menos tenho quem apare os meus gritos
Ainda que exilado mantenha o corpo vivo
E dores de amor permaneçam a voejar em mim.
Escrevo e crio palavras sempre definitivas
Eu ainda estou meio sem guarida....
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 4 de julho de 2010.
Tentando esculturar a paixão adormecida em mim.
Rostos e corpos desfaziam-se em plena poesia
E meu grito de raiva ecoava de tal modo maciço
Trazendo a dor de ser humano sem alegria
Eu estava sem guarida...
Meus ouvidos surdos escutaram vozes invisíveis
E adormeci nas ruas de meu exílio particular.
Mulheres e homens zombaram daquilo que eu era
E resolvi tornar mais surda minha vida.
Mas não derramei lágrimas em vão no mundo
Busquei renascer nas profundezas de mim.
Escrevi versos como quem parte para sempre
E ressuscitei meus anseios de criança travessa.
Nos braços da mulher amada fugi do exílio
E achei amigos nos quais nunca pensava muito.
Esculturei a paixão mais que embevecida
E consegui da alegria um sorriso fortuito.
Hoje ainda continuo exilado no país dos versos.
Mas ao menos tenho quem apare os meus gritos
Ainda que exilado mantenha o corpo vivo
E dores de amor permaneçam a voejar em mim.
Escrevo e crio palavras sempre definitivas
Eu ainda estou meio sem guarida....
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 4 de julho de 2010.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
SINAIS
Se algum deus por acaso aqui exista
Envie sinais para o nosso desalento.
Traga ações. Interaja à nossa vista.
Mostre-se real. Mostre-se atento.
Fé é ignorância por mais que persista
Insistir manter o invisível em confiança.
Como será acreditar numa etérea pista
Nunca mostrando onde seu fim alcança?
Se algum deus por vontade própria sua
Sair do armário e mostrar a força nua
Interagindo com toda humanidade
Péssima idéia é seguir um fixo rumo.
O homem crendo em deus eu cá presumo
É um ser perdido na imbecilidade.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 2 de julho de 2010.
Envie sinais para o nosso desalento.
Traga ações. Interaja à nossa vista.
Mostre-se real. Mostre-se atento.
Fé é ignorância por mais que persista
Insistir manter o invisível em confiança.
Como será acreditar numa etérea pista
Nunca mostrando onde seu fim alcança?
Se algum deus por vontade própria sua
Sair do armário e mostrar a força nua
Interagindo com toda humanidade
Péssima idéia é seguir um fixo rumo.
O homem crendo em deus eu cá presumo
É um ser perdido na imbecilidade.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 2 de julho de 2010.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
NECESSIDADE
Preciso de saber. Saber sentir o destino
Aceitar o escurecer do nada.
Escrever um verso frio; um hino
Na solidão da estrada.
Para a vida reforçarei o desatino
Da alma desamparada.
E no final do verso, assassino
A mente desvairada.
Preciso de sonhar. Preciso de você
Mulher minha delirante
Isso tudo antes de morrer
Vinde, corpo quente e palpitante
Corpo disposto a ser
Grandioso orgasmo do viver.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 30 de junho de 2010.
Aceitar o escurecer do nada.
Escrever um verso frio; um hino
Na solidão da estrada.
Para a vida reforçarei o desatino
Da alma desamparada.
E no final do verso, assassino
A mente desvairada.
Preciso de sonhar. Preciso de você
Mulher minha delirante
Isso tudo antes de morrer
Vinde, corpo quente e palpitante
Corpo disposto a ser
Grandioso orgasmo do viver.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 30 de junho de 2010.
EPITÁFIOS
Da vida trago braços de espumas salgadas
Do mar e dos eflúvios doces dos rios
De meus sonhos de infância colhi pedras
Nada ficou de meus anseios de homem
A vida permanece úmida e fria
Sob os raios desse estranho sol permanente.
Na minha estrada colhi poeira
Marquei com meus pés a lama
Tantos pisaram comigo os caminhos
Nem mais lembro os rostos e as bocas
Sobraram no finito da caminhada
Nas profundezas de suas dimensões.
Minhas areias humanas fazem praias
E ancoradouro para os atuais amigos
E margens de grandes rios às mulheres
Essas loucas a me trazer vida noturna
Nos lençóis e nos quentes travesseiros
Umidificadas pelas gotas de suas chuvas.
O tempo está a erguer estátuas de pedra
Marcando momentos das elegias finais
Há um ancoradouro em horizonte novo
Vazio de barcos e ainda sem albor de sol.
O tempo está a causar medo a minha carne.
O tempo está a escrever tantos epitáfios.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 29 de junho de 2010.
Do mar e dos eflúvios doces dos rios
De meus sonhos de infância colhi pedras
Nada ficou de meus anseios de homem
A vida permanece úmida e fria
Sob os raios desse estranho sol permanente.
Na minha estrada colhi poeira
Marquei com meus pés a lama
Tantos pisaram comigo os caminhos
Nem mais lembro os rostos e as bocas
Sobraram no finito da caminhada
Nas profundezas de suas dimensões.
Minhas areias humanas fazem praias
E ancoradouro para os atuais amigos
E margens de grandes rios às mulheres
Essas loucas a me trazer vida noturna
Nos lençóis e nos quentes travesseiros
Umidificadas pelas gotas de suas chuvas.
O tempo está a erguer estátuas de pedra
Marcando momentos das elegias finais
Há um ancoradouro em horizonte novo
Vazio de barcos e ainda sem albor de sol.
O tempo está a causar medo a minha carne.
O tempo está a escrever tantos epitáfios.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 29 de junho de 2010.
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terça-feira, 29 de junho de 2010
TROVÕES
O que se tem de fazer? O homem pensava. A noite do lado de fora do casebre estava esquisita. Lampejos desvairados de dor nas têmporas. A chuva fazia a lama entrar pelas frestas de madeira da casa. A barriga revirava com vários roucos de fome. A luz do candeeiro bruxuleava.
No canto a mulher tinha elevado a cama sobre vários tijolos para não ser alcançada pela lama. E dormia abraçada com a menina. Do outro lado, o menino enrodilhado entre as pernas da mãe. Mexeu-se. Puxou um lençol rasgado por cima. O corpinho de doze anos estremeceu vestido com a camisa do time de futebol do coração.
O que se tem de fazer? O homem olha ao redor. Coça a barba hirta. A fome não o faz pensar bem. Enfia a mão no bolso da camisa e de lá retira uma garrafa de cachaça. Bebe um gole. Fica mais quente. A dor nas têmporas aumenta e ele tem vontade de gritar. Morde os lábios até o sangue escorrer.
E por que é mais fácil isso? Ter uma arma e ter bala de chumbo no cilindro? Por que é tão fácil? Mais fácil ter isso do que um pão ou um pedaço de carne. Levanta-se. Vai até o fogão enferrujado. Uma panela. Abre. Só um resto de sopa de legumes. Enche uma caneca. Bebe. Que merda!
O que se tem de fazer? Um relâmpago traz um estrondo do trovão. A chuva aumenta. Ele pensa em dormir, mas a dor nas têmporas anda a abater seu sono. Olha a mulher na cama. Que fizemos? O que fiz? A cabeça da mulher utiliza uma bíblia como travesseiro. Ele fica irritado. Ah, que Deus de merda é esse que nos faz isso?
A dor nas têmporas aumenta. Ele começa a perder o entendimento de si. Olha para os lados. A luz bruxuleante do candeeiro faz o casebre parecer uma gruta de abrigar animais. A mulher gira o corpo e faz a bíblia cair na lama no chão. Que vá à merda! Quase que ele grita.
Faz outra dose de cachaça deslizar pela garganta. O que se tem de fazer? Sente que tem de fazer o óbvio. Nada existe para ir adiante. Nenhum caminho se abre com sol. Nenhum futuro. É tudo escuro e chuvoso. É tudo fome. É tudo sem constância. Do bolso da calça tira um pacote e põe na mesa.
O que se tem de fazer? Tudo que for preciso para sair deste espaço de merda, diz para si mesmo. Um revolver calibre 38 agora nas mãos. O cilindro com as seis balas. É tão fácil ter uma arma e é tão difícil ter um pão!... Vai até a cama. A mulher recebe o tiro nas têmporas. Depois mais dois tiros no menino e na menina.
Quando o relâmpago traz o poderoso trovão o tiro que ele dá em si mesmo é abafado pelo clamor da tempestade.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 29 de junho de 2010.
No canto a mulher tinha elevado a cama sobre vários tijolos para não ser alcançada pela lama. E dormia abraçada com a menina. Do outro lado, o menino enrodilhado entre as pernas da mãe. Mexeu-se. Puxou um lençol rasgado por cima. O corpinho de doze anos estremeceu vestido com a camisa do time de futebol do coração.
O que se tem de fazer? O homem olha ao redor. Coça a barba hirta. A fome não o faz pensar bem. Enfia a mão no bolso da camisa e de lá retira uma garrafa de cachaça. Bebe um gole. Fica mais quente. A dor nas têmporas aumenta e ele tem vontade de gritar. Morde os lábios até o sangue escorrer.
E por que é mais fácil isso? Ter uma arma e ter bala de chumbo no cilindro? Por que é tão fácil? Mais fácil ter isso do que um pão ou um pedaço de carne. Levanta-se. Vai até o fogão enferrujado. Uma panela. Abre. Só um resto de sopa de legumes. Enche uma caneca. Bebe. Que merda!
O que se tem de fazer? Um relâmpago traz um estrondo do trovão. A chuva aumenta. Ele pensa em dormir, mas a dor nas têmporas anda a abater seu sono. Olha a mulher na cama. Que fizemos? O que fiz? A cabeça da mulher utiliza uma bíblia como travesseiro. Ele fica irritado. Ah, que Deus de merda é esse que nos faz isso?
A dor nas têmporas aumenta. Ele começa a perder o entendimento de si. Olha para os lados. A luz bruxuleante do candeeiro faz o casebre parecer uma gruta de abrigar animais. A mulher gira o corpo e faz a bíblia cair na lama no chão. Que vá à merda! Quase que ele grita.
Faz outra dose de cachaça deslizar pela garganta. O que se tem de fazer? Sente que tem de fazer o óbvio. Nada existe para ir adiante. Nenhum caminho se abre com sol. Nenhum futuro. É tudo escuro e chuvoso. É tudo fome. É tudo sem constância. Do bolso da calça tira um pacote e põe na mesa.
O que se tem de fazer? Tudo que for preciso para sair deste espaço de merda, diz para si mesmo. Um revolver calibre 38 agora nas mãos. O cilindro com as seis balas. É tão fácil ter uma arma e é tão difícil ter um pão!... Vai até a cama. A mulher recebe o tiro nas têmporas. Depois mais dois tiros no menino e na menina.
Quando o relâmpago traz o poderoso trovão o tiro que ele dá em si mesmo é abafado pelo clamor da tempestade.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 29 de junho de 2010.
EPÍSTOLA AO MUNDO
Mais presente na terra do que o sonho mais irreal
Entre a razão e a paixão desses lugares faço parte
Das paisagens de cinza e luz observadas em todo dia
Nas barafundas das loucuras e na sede desumana
Deslizando na carne e entre pálpebras sonolentas
Ando...
Não sou poeta de cantar paixões românticas imortais
Mas a razão de mim não governa minha vida.
Se a minha poesia cansa os olhos de quem lê o livro
O leitor vá beber sua cicuta socrática apropriada
Para satisfazer sua ignorância ou ofuscar sua mente débil.
Ando...
Não pretendo agarrar-me a anjos nem a cruzes de cristos
A minha poesia não é adorável e não pretende sê-la.
Um Maiakovski de mim ou um produto vivo da terra
Assim prefiro. Assim serei. Assim pretende minha razão.
No obscuro clamor não ponho caramelos na canção.
Ando...
Estou caminhando na fase de uma luta de guerrilhas
Com armas traiçoeiras escondidas entre as vestes
Tenho uma pretensão de matar leitores e críticos
E de mandar à merda os filósofos teológicos
E fazer no poema o parto do assassino serial.
Ando...
Vejo a vida no passear flertando com minha carne magra
Belas fêmeas abrindo as pernas na tentação das sílfides
Homens hipócritas elogiando minhas atuais palavras
Sem nem saber a verdade do que falo e do que vivo
Cães imbecis a uivar suas coisas vãs ao acaso.
Ando...
Tal a palavra do Iessiênin dita quase sem a voz sonhar:
“Me agrada iluminar na escuridão
O outono sem folhas de vossas almas,
Me agrada quando as pedras dos insultos
Voam sobre mim, granizo vomitado pelo vento”.
Ando...
Vomito meus versos escritos pelos meus demônios
Não escrevo para harmonizar almas desvairadas
Minha estrada é longa e vazia e não vejo o horizonte
Tenho a mim como uma planta silvestre espinhenta
A solidão faz parte do último verso da estrada.
Ando...
-------
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 29 de junho de 2010.
Entre a razão e a paixão desses lugares faço parte
Das paisagens de cinza e luz observadas em todo dia
Nas barafundas das loucuras e na sede desumana
Deslizando na carne e entre pálpebras sonolentas
Ando...
Não sou poeta de cantar paixões românticas imortais
Mas a razão de mim não governa minha vida.
Se a minha poesia cansa os olhos de quem lê o livro
O leitor vá beber sua cicuta socrática apropriada
Para satisfazer sua ignorância ou ofuscar sua mente débil.
Ando...
Não pretendo agarrar-me a anjos nem a cruzes de cristos
A minha poesia não é adorável e não pretende sê-la.
Um Maiakovski de mim ou um produto vivo da terra
Assim prefiro. Assim serei. Assim pretende minha razão.
No obscuro clamor não ponho caramelos na canção.
Ando...
Estou caminhando na fase de uma luta de guerrilhas
Com armas traiçoeiras escondidas entre as vestes
Tenho uma pretensão de matar leitores e críticos
E de mandar à merda os filósofos teológicos
E fazer no poema o parto do assassino serial.
Ando...
Vejo a vida no passear flertando com minha carne magra
Belas fêmeas abrindo as pernas na tentação das sílfides
Homens hipócritas elogiando minhas atuais palavras
Sem nem saber a verdade do que falo e do que vivo
Cães imbecis a uivar suas coisas vãs ao acaso.
Ando...
Tal a palavra do Iessiênin dita quase sem a voz sonhar:
“Me agrada iluminar na escuridão
O outono sem folhas de vossas almas,
Me agrada quando as pedras dos insultos
Voam sobre mim, granizo vomitado pelo vento”.
Ando...
Vomito meus versos escritos pelos meus demônios
Não escrevo para harmonizar almas desvairadas
Minha estrada é longa e vazia e não vejo o horizonte
Tenho a mim como uma planta silvestre espinhenta
A solidão faz parte do último verso da estrada.
Ando...
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© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 29 de junho de 2010.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
IMORTALIDADE
Antes do abraço pesado da mãe-terra.
Antes da invasão dos vermes da argila.
A glória de meus versos eu reparto e verto
Para o conhecer imortal da alma viva.
Não, não fiques triste. Aceite a verdade:
Um dia esta minha face nunca mais verás.
Só na amplidão do papel far-se-á alarde
Do imortal que fico no negro dos sinais.
Da cabeça onde tirei os pensamentos
Só irão restar ossos finos e orifícios.
Mortos estarão os meus tormentos.
Vivos ficarão meus sonhos fictícios.
Por isso, venha a mim agora. Bebamos
A cerveja e fumemos o cigarro, necessários.
Sintamos as mulheres e juntos façamos
O ritual maciço aos novos itinerários.
E por que não? Tenhamos alguma serventia.
A vida é um sopro. A morte é eternidade.
O tempo de viver é só um curto dia.
O tempo de partir não vai marcar idade.
Bebamos! A vida é bela enquanto é bebida!
Chorar e rir! Beijar e ganhar abraços.
Escrever o poema é imortalizar a vida.
Fazer um verso é gerar um novo espaço.
Festeje a morte com a vida nesta rima
Pois ao partires nada irá restar daqui.
Uma outra gente poderá ser-te prima.
Jovens e velhos ler-te-ão e vão sorrir.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 24 de junho de 2010.
Antes da invasão dos vermes da argila.
A glória de meus versos eu reparto e verto
Para o conhecer imortal da alma viva.
Não, não fiques triste. Aceite a verdade:
Um dia esta minha face nunca mais verás.
Só na amplidão do papel far-se-á alarde
Do imortal que fico no negro dos sinais.
Da cabeça onde tirei os pensamentos
Só irão restar ossos finos e orifícios.
Mortos estarão os meus tormentos.
Vivos ficarão meus sonhos fictícios.
Por isso, venha a mim agora. Bebamos
A cerveja e fumemos o cigarro, necessários.
Sintamos as mulheres e juntos façamos
O ritual maciço aos novos itinerários.
E por que não? Tenhamos alguma serventia.
A vida é um sopro. A morte é eternidade.
O tempo de viver é só um curto dia.
O tempo de partir não vai marcar idade.
Bebamos! A vida é bela enquanto é bebida!
Chorar e rir! Beijar e ganhar abraços.
Escrever o poema é imortalizar a vida.
Fazer um verso é gerar um novo espaço.
Festeje a morte com a vida nesta rima
Pois ao partires nada irá restar daqui.
Uma outra gente poderá ser-te prima.
Jovens e velhos ler-te-ão e vão sorrir.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 24 de junho de 2010.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
TEMPOS IDOS
Deixando em sal as minhas águas da península
Tristeza do ter sido mundo em tempo exilado.
Como dando sabor às lagrimas do desterro
O meu outrora da vida ter-me desajustado.
A dor fluiu! E os dias ficaram inúteis e vazios.
Tal presença de glória tanto eu ousei sonhar
Cabelos brancos a emoldurar o belo crânio
A caminho de Caronte essas geleiras vão passar.
Lembro a voz na mesa: Eu não te reconheço!
Preso o pranto enregelou-se em pedra a dor
Marcante dor a invadir a espécie de mim.
Lembro a voz sorrindo a desprezar o amor.
Paixão interrompida. Dá-se e tira. Tudo a se acabar.
Mundo que expira. Vai-se para outros mares a flor.
Tal os versos mais infantes a sonhar desditas.
“Fonte não me leves, não me leves para o mar”.
Eis no tempo a fonte fria. Sorriso zombador.
A matar o esplendor maior daquela triste lira.
Antes de ser jogado ao mar o corpo frágil
Salvaram-no as areias e o perfume da ilha.
Braços amplos acolheram o poeta incendiado.
Deram-se mãos à paixão na jovem pressa da vida.
O amor fluiu venoso em novo corpo recriado
E renasceu na glória da ilusão imperecida.
Cabelos brancos emolduram o belo crânio.
Tais espessas geleiras no caminho de Caronte.
E a voz repete na vida: Não mais te conheço!
Não sei quem és! Nem imagino de qual lugar de onde...
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de junho de 2010.
Tristeza do ter sido mundo em tempo exilado.
Como dando sabor às lagrimas do desterro
O meu outrora da vida ter-me desajustado.
A dor fluiu! E os dias ficaram inúteis e vazios.
Tal presença de glória tanto eu ousei sonhar
Cabelos brancos a emoldurar o belo crânio
A caminho de Caronte essas geleiras vão passar.
Lembro a voz na mesa: Eu não te reconheço!
Preso o pranto enregelou-se em pedra a dor
Marcante dor a invadir a espécie de mim.
Lembro a voz sorrindo a desprezar o amor.
Paixão interrompida. Dá-se e tira. Tudo a se acabar.
Mundo que expira. Vai-se para outros mares a flor.
Tal os versos mais infantes a sonhar desditas.
“Fonte não me leves, não me leves para o mar”.
Eis no tempo a fonte fria. Sorriso zombador.
A matar o esplendor maior daquela triste lira.
Antes de ser jogado ao mar o corpo frágil
Salvaram-no as areias e o perfume da ilha.
Braços amplos acolheram o poeta incendiado.
Deram-se mãos à paixão na jovem pressa da vida.
O amor fluiu venoso em novo corpo recriado
E renasceu na glória da ilusão imperecida.
Cabelos brancos emolduram o belo crânio.
Tais espessas geleiras no caminho de Caronte.
E a voz repete na vida: Não mais te conheço!
Não sei quem és! Nem imagino de qual lugar de onde...
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de junho de 2010.
ARRANCAR O RANCOR
Arrancar o rancor
Antes
Tenho que fazê-lo vida!
Aglutinar
Anseios assassinos
Matar...
Ferir...
Esganar...
Versos a tentar nascer.
Amaciar o rancor
Antes
Tenho que fazê-lo morte!
Cometer
Ações maledicentes
Rir...
Chorar...
Zombar...
Versos a tentar morrer.
Desprezar o rancor
Antes
Tenho que fazê-lo nada!
Desatinar
Canções de amor à vida
Amar...
Beijar...
Sonhar...
Versos de beijar mil bocas.
É hora de exilar o rancor!
Uma mesa de bar aguarda meu corpo!
Um gole gelado de cerveja
Amacia...
Aglutina...
Desatina...
Sai rancor!
Ficam versos e saudades
A voar na noite.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de junho de 2010.
Antes
Tenho que fazê-lo vida!
Aglutinar
Anseios assassinos
Matar...
Ferir...
Esganar...
Versos a tentar nascer.
Amaciar o rancor
Antes
Tenho que fazê-lo morte!
Cometer
Ações maledicentes
Rir...
Chorar...
Zombar...
Versos a tentar morrer.
Desprezar o rancor
Antes
Tenho que fazê-lo nada!
Desatinar
Canções de amor à vida
Amar...
Beijar...
Sonhar...
Versos de beijar mil bocas.
É hora de exilar o rancor!
Uma mesa de bar aguarda meu corpo!
Um gole gelado de cerveja
Amacia...
Aglutina...
Desatina...
Sai rancor!
Ficam versos e saudades
A voar na noite.
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de junho de 2010.
O MORTO
Tarde!
Mas cansado não estava. Abriu a porta da rua. Entrou. A sala às escuras. Tateou a parede. Luz.
Sentiu sede, mas antes tirou a camisa. Sentia calor. Vinha da sede o calor? Ou o calor dava sede? Riu de suas perguntas. Assim se faz o inicio do louco. Encheu um copo com água. O líquido desliza pela garganta. Melhora a secura. Umidifica.
Mas o sabor não sai. Tira toda a roupa. De cuecas ruma para o quarto. A mulher dorme quase nua. Mas sente o abafado do aposento. Odor de suor da fêmea. Mas isso não o excita, pois o sabor não sai.
Volta a sala e sente agora outro odor. Aquele deixado do outro lado da cidade. O do corpo de Marcela. Fecha os olhos. E assim sai voando, sentindo, cheirando... E o sabor volta, não sai. Fica.
Acende um cigarro e se esparrama na poltrona da sala. Olha o relógio. Quatro da matina.
Tarde!
Mas cansado não estava. Seus olhos fitam o teto. Sente de novo o cheiro deixado do outro lado da cidade. Marcela. Marcela. Marcela. E nela se envolve junto com a fumaça no cigarro e com o sabor da carne macia e com o odor da pele e dos cabelos.
Agora está excitado. Mas o calor da sala começa a abafar e a fazer o suor escorrer. Apaga o cigarro. Ruma para o quarto. A mulher dorme agora coberta pelo lençol branco. Deita-se ao lado.
O ventilador de parede faz um zum e zum extraordinário nos seus ouvidos. Tira a cueca. Está morto. Ri com o fato. Pega o morto. Solta o morto. Que coisa! Isso também faz o início do louco.
A mulher rola na cama. Um dos braços dela cai sobre sua barriga. A mão toca o morto. Ele fica teso. Está morto mesmo. Porra! Espera. Volta a escutar o zum zum do fazedor de vento. O morto é agarrado. Apertado. Porra! O morto acorda e ele volta do outro espaço.
Apenas um sonho!
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de junho de 2010.
Mas cansado não estava. Abriu a porta da rua. Entrou. A sala às escuras. Tateou a parede. Luz.
Sentiu sede, mas antes tirou a camisa. Sentia calor. Vinha da sede o calor? Ou o calor dava sede? Riu de suas perguntas. Assim se faz o inicio do louco. Encheu um copo com água. O líquido desliza pela garganta. Melhora a secura. Umidifica.
Mas o sabor não sai. Tira toda a roupa. De cuecas ruma para o quarto. A mulher dorme quase nua. Mas sente o abafado do aposento. Odor de suor da fêmea. Mas isso não o excita, pois o sabor não sai.
Volta a sala e sente agora outro odor. Aquele deixado do outro lado da cidade. O do corpo de Marcela. Fecha os olhos. E assim sai voando, sentindo, cheirando... E o sabor volta, não sai. Fica.
Acende um cigarro e se esparrama na poltrona da sala. Olha o relógio. Quatro da matina.
Tarde!
Mas cansado não estava. Seus olhos fitam o teto. Sente de novo o cheiro deixado do outro lado da cidade. Marcela. Marcela. Marcela. E nela se envolve junto com a fumaça no cigarro e com o sabor da carne macia e com o odor da pele e dos cabelos.
Agora está excitado. Mas o calor da sala começa a abafar e a fazer o suor escorrer. Apaga o cigarro. Ruma para o quarto. A mulher dorme agora coberta pelo lençol branco. Deita-se ao lado.
O ventilador de parede faz um zum e zum extraordinário nos seus ouvidos. Tira a cueca. Está morto. Ri com o fato. Pega o morto. Solta o morto. Que coisa! Isso também faz o início do louco.
A mulher rola na cama. Um dos braços dela cai sobre sua barriga. A mão toca o morto. Ele fica teso. Está morto mesmo. Porra! Espera. Volta a escutar o zum zum do fazedor de vento. O morto é agarrado. Apertado. Porra! O morto acorda e ele volta do outro espaço.
Apenas um sonho!
© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife, 23 de junho de 2010.
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