sexta-feira, 9 de março de 2012

RECIFE E OLINDA – TERRAS LIBERTÁRIAS

Existem dias em que precisamos falar de nossa casa, de nossa terra e de nossa gente. Neste espaço virtual muitas pessoas são brasileiras, estrangeiras e outras são nordestinas deste nosso grande país. Por que não lembrar a todos que vivemos em um espaço mais amplo de mundo? A data é preciosa para recordar e falar do Recife, a capital de Pernambuco, a metrópole do Nordeste, e da bela cidade de Olinda. Em 12 de março, ambas as cidades fazem anos. Olinda 477 e o Recife 475.

A cidade do Recife, capital de Pernambuco, representou e ainda representa o poder da criatividade e da aventura. Isso tanto no plano do desbravamento do espaço como no de produção intelectual. Essa produção intelectual chegou tardiamente, mas quando chegou foi potente e dinâmica, desde o surgimento do primeiro movimento intelectual com a Escola de Direito, que foi criada no ano de 1827, em Olinda, transportando-se depois para o Recife.

A maravilhosa Olinda, cantada em prosa e verso por tantos bardos, foi a primeira cidade pernambucana de grande relevo. Foi nela que Bento Teixeira lançou a sua Prosopopéia, no Século XVI, poema épico em homenagem ao capitão governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Também nesse poema, a cidade do Recife recebe sua primeira apresentação:
Um porto tão quieto e tão seguro / Que para as curvas naus serve de muro”.

Em Olinda se faz presente a arquitetura colonial portuguesa, muitas igrejas e tesouros sacros, conventos, mosteiros, e mais os imponentes sobrados e casarões senhoriais. Nesses casarões podem ser observados beirais de três águas, asas de andorinhas, janelas de guilhotinas e preciosas fachadas recobertas de azulejos de grande beleza. Olinda teve grande influência das três culturas que nela disseram presente: a européia, a africana e a indígena e hoje é considerada pela Unesco Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.

Olinda e Recife são cidades gêmeas e irmãs, ainda que tenham entrado em guerra no passado. A conhecida Guerra dos Mascates, entre 1710 e 1711. As lideranças de Olinda não aceitaram que o Recife ganhasse oficialmente a condição de vila e tentaram matar o governador Sebastião Caldas que conseguiu fugir para a Bahia, deixando Pernambuco sem governo e provocando graves confrontos de rua como a destruição do Pelourinho do Recife. Muitos choques ocorreram entre os habitantes das duas cidades, até a chegada do novo governador, Félix Machado, que apaziguou os ânimos, mas manteve o título de vila para o Recife, mesmo a contragosto dos olindenses.

No cenário da pátria brasileira o Recife se destacou como sede das três mais importantes revoluções libertárias da nossa História, todas ocorridas no século 19: a Revolução Republicana,em 1817; a Confederação do Equador, em 1824; e a Revolução Praieira, em 1848. A primeira é considerada como o único dos movimentos coloniais do Brasil que conseguiu passar da fase meramente conspiratória - ao contrário do que aconteceu com a Inconfidência Mineira (MG) e com a Revolta dos Alfaiates (BA). Já a segunda foi um movimento de caráter separatista, que incluiu ainda o Ceará, a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Nessa revolução surgiu o maior mártir de Pernambuco, o Frei Caneca. Já a terceira foi o último movimento liberal e interno ocorrido no 2º Reinado do Brasil, revelando heróis urbanos e marcos históricos da luta dos liberais contra os conservadores, como a Rua da Praia.

As duas cidades estão em festa! Hoje, elas não mais guerreiam entre si para uma ter preponderância sobre a outra. Pelo contrário, crescem tanto em termos de população, nas condições socioeconômicas, como socioculturais. E eu, pernambucano, como muitos outros pernambucanos tenho orgulho de ter nascido no âmbito das duas cidades, de trazer para este espaço algo da história delas e de parabenizar pela passagem da data tanto os olindenses como os recifenses.

terça-feira, 6 de março de 2012

TODOS OS DIAS SÃO DIAS DAS MULHERES

Neste 8 de março saúdo as mulheres pela passagem do seu dia mais especial: o Dia Internacional da Mulher. Beijos, abraços e paz a todas aquelas que no mundo inteiro desempenham a vida e valorizam a cultura. Parabéns às lutadoras que buscam conquistar seus espaços no mundo. Caríssimas: é um grande privilégio compartilhar da companhia e da amizade de vocês e de saber das suas vitórias e participar dessas vitórias ao vosso lado.

Na realidade, todos os dias são dias de todas as mulheres. Não podemos e nem devemos ficar reféns de apenas uma data. Isso é apologia capitalista para vender presentes e encher os shoppings centers. As mulheres merecem ser lembradas e homenageadas durante todos os 365 dias do ano, durante as 24 horas do dia, a cada minuto e segundo de nossas vidas. Sejam elas as mais humildes mães, as mais ricas empresárias, as trabalhadoras, as donas de casa, mulheres que são companheiras, amantes e amigas de seus homens, tanto que fazem as 24 horas do dia tornarem-se cada vez mais preciosas ao darem objetivo ao sentido da vida.

Sabemos o quanto as mulheres movem o mundo desde priscas eras. Elas possuem uma equilibrada mescla de sensibilidade para alcançar a justiça, inclusive determinação e pragmatismo para atingir as metas que pretendem. Pelo que conhecemos até agora, as mulheres conseguem evitar que o mundo descambe definitivamente para o caos irreversível. Indo mais longe: são elas que estabelecem um ponto de equilíbrio nas relações humanas. É assim na sociedade e na família. São elas que arregaçam as mangas quando a situação exige ação urgente. São elas que estão sempre mais atentas para a necessidade dos outros, em casa ou fora de casa.

Assim, este 8 de março é um dia especial. Vale lembrar: no ano de 1857, em Nova Iorque, ocorreu a primeira greve liderada somente por mulheres. Operárias de uma fábrica de tecidos. Lutavam por melhores condições de trabalho, bons salários, tratamento digno. O resultado desse movimento foi a morte de 129 moças, carbonizadas dentro da fábrica, pela repressão capitalista. Mas o dia ficou marcado para sempre. As mulheres a partir dessa data começaram a lutar por reconhecimento e independência.

Em homenagem a essas 129 moças assassinadas na fábrica, decidiu-se, no ano de 1910, na Suécia, que o dia 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher. A ONU só oficializou no ano de 1975. O objetivo maior desse dia não é somente o de homenagear e comemorar. É um dia especial para que possamos discutir e melhorar o papel humano na sociedade. Encontrar formas de acabar com o preconceito, a violência, o desprestígio e a desvalorização.

Camaradas, também vale assinalar aqui que o marco maior do Dia Internacional da Mulher aconteceu em 1917, ano da revolução bolchevique na Rússia, quando este país saiu oficialmente da Primeira Guerra Mundial destroçado e com pelo menos dois milhões de mortos, para tentar reconstruir-se. Nesse ano, as mulheres novamente optaram por celebrar seu dia e lutar pela paz no último domingo de fevereiro. Assim, as russas iniciaram uma greve geral por "pão e paz". Os líderes políticos do país posicionaram-se contra o movimento, alegando que era um péssimo momento para ele ocorrer. Mas elas seguiram adiante. A vitória do movimento feminista na Rússia ficou marcada na História e passou a ser referência no mundo inteiro. O domingo em questão caiu no dia 23 de fevereiro. Na época, o calendário russo era diferente do ocidental. O Ocidente vivia o 8 de março.

Muito antes de tudo que já citamos, na época da Revolução Francesa, outra mulher lutou pelos direitos femininos e terminou na guilhotina no dia 3 de novembro de 1793.Olympe de Gouges uma francesa feminista, revolucionária, jornalista, escritora e autora de peças de teatro. Foi uma defensora da democracia e dos direitos das mulheres. Na sua Declaração dos direitos das mulheres e da cidadã (em francês: Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne) de setembro de 1791, ela desafiou a conduta injusta da autoridade masculina e da relação homem-mulher que expressou-se na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão durante a Revolução Francesa.

Lembro aqui que nos tempos de hoje as mulheres são as lutadoras mais dinâmicas de nossa sociedade. No Brasil temos uma presidente. Um fato inédito em nossa história. Na Argentina, idem. E muitas outras mulheres, desde as revolucionárias operárias nova-iorquinas, seguindo ainda o rumo das soviéticas, continuam a lutar por melhores condições de vida. Assim, nada mais justo que prestar homenagem a elas, seres humanos e parte intensa do nosso cotidiano. E vale a pena perguntar: o que seria de nós, homens, sem as mulheres?

quinta-feira, 1 de março de 2012

MULHERES - AS PERPETUADORAS DA ESPÉCIE HUMANA

Colírio especial para os olhos. Assim assinalo este início de março. Dentro de alguns dias estaremos dando abraços e beijos nelas que são a nossa necessidade de vida: as mulheres! Como diria Vinicius: as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental! Sigo essa máxima e vou mais longe ainda. Beleza junto com inteligência é mais fundamental ainda. Uma tem de se completar com a outra.

Mas a mulher bela pode não possuir neurônios que de uma forma ou de outra tem de ser homenageada e lembrada. Louras, morenas, ruivas, negras, amarelas, pardas, albinas, sararás, caboclas, mestiças todas. Se não fossem elas, o que seria da raça humana? Onde encontrar prazer e onde fazer a perpetuação da descendência? O que seria de nós, homens, se não existissem as mulheres?

Até que solicitaram a mim: escreva um poema para o dia delas que acontece em 8 de março. Um poema? Nada disso. A galhardia e a beleza feminina já são um poema ousado e especial. O verdadeiro poema vem delas mesmas com toda a picardia possível. A espécie humana tem de agradecer à deusa mulher. Se  a mulher não existisse nem quero pensar em como a existência seria vazia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

LITERATURA, LIVROS, FILOSOFIA, IDEIAS

Agora, depois das festas carnavalescas em todo o mundo é que o ano 2012 começa de verdade. O que tratar neste início de novo tempo humano? Sobre qual assunto agradável ou polêmico para escrever aqui neste espaço? Que tal falarmos naquela transfiguração do real, ou seja, o que o artista cria por meio de seu espírito e imaginação, transmitindo através da língua para os gêneros?

Através da literatura, dos personagens dos livros e da filosofia, passamos a viver numa outra dimensão, muito além da nossa própria realidade. A realidade primitiva se perde quando o escritor e o filósofo põem no papel suas ideias e nasce outra realidade de acordo com a imaginação de quem a escreveu. Na verdade, o escritor, o poeta, o artista plástico dedicam suas vidas ao que não é real, mas que reside dentro deles, dentro de suas diversidades humanas. Assim, a busca pelo conhecimento é insana. Porque conhecimento é poder.

Quando se busca o conhecimento os homens são capazes de fazer magia. Tal como escrever um livro e liberar personagens. O livro é um ser libertário e seu conteúdo nos remete a diversos rumos dentro de nossas mentes e cria também muitas fantasias. Por tais motivos, ele foi perseguido duramente por todos que pretendiam incutir no homem o pensamento único. Ditaduras do pensamento colocaram no fogo muitos livros, querendo incutir na mente humana uma só ideia, mas felizmente não conseguiram ter sucesso nessa empreitada, pois, o homem, o leitor na busca da magia do conhecimento, busca sempre a diversidade.

Que tal diversificarmos nossa viagem e mergulharmos na leitura de Fahrenheit 451, livro escrito por Ray Bradbury? Em Fahrenheit 451, as pessoas viviam num tempo em que as casas eram todas iguais e ligadas a um sistema de televisão. Os cidadãos não tinham o direito de ler. Todos os livros eram queimados e os seus donos sentenciados à morte. O livro apresenta o mundo como um lugar distópico, seguindo a linha de outras obras também nossas conhecidas - 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

Na realidade, tratando-se de literatura sabemos quanto o livro luta contra a ditadura do pensamento. Ele não pode ser único e contar uma só história para simplesmente “lavar” as mentes humanas, visando um determinado fim catequético. Sim, porque a ditadura deseja não somente controlar o corpo das pessoas, mas se apossar da mente e da consciência delas. Em Fahrenheit 451, com a proibição da leitura, as pessoas ficavam à mercê da propaganda do Estado. Mas um grupo de pessoas começa a resistir, decorando livros inteiros, para passá-los às outras. Tornam-se assim bibliotecas vivas. E é isso que os manipuladores da mente humana detestam, entre eles, o Estado Autoritário e as religiões. Esses desejam apenas acabar com o direito humano de pensar.

Abonados somos todos nós que temos o prazer de possuir livros e mais livros em suas todas diversidades dentro dos espaços de nossas casas. Abonados somos nós que podemos sair de uma Ilha do Tesouro, de Stevenson, e mergulhar em Anos de Tormenta, de A. J. Cronin, depois de uma passagem pela Utopia, de Tomás Morus, ou de um mergulho nas Vinte Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne. Abonados ainda mais são aqueles que adormecem tendo ao lado o libertador de suas fantasias mais excitantes: o livro.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O CARNAVAL ESTÁ NAS RUAS

Mais um Carnaval! A festa mais esperada do ano está de volta. As chaves das principais cidades brasileiras estão agora nas mãos do Rei Momo. Em Pernambuco, o povo solta-se ao ritmo do frevo e ao batuque do maracatu. No Rio de Janeiro, as lágrimas derramadas em 2011, e mais recentemente, serão enxugadas no Sambódromo, ao ritmo do samba. Em Salvador, esperemos que todos os santos da terra negra acordem e que os irmãos baianos saiam mais uma vez correndo felizes atrás dos trios elétricos.
 

Desde que 2011 chegou ao fim que as mentes de homens e mulheres do Brasil estão voltadas para a folia de Momo. O sangue dionisíaco e libertino corre nas veias dos habitantes da terra brasílica. Parece até que nossas vidas dependem dessa algazarra que começa oficialmente no sábado, 18 de fevereiro. No Recife, a apoteose do Galo da Madrugada – o maior bloco carnavalesco do mundo – abre alas para a criatividade e a alegria humana nesse dia.

Carnaval no Brasil serve como uma válvula de escape para os problemas do cotidiano. Carnaval no Brasil é um tempo para o povo liberar a adrenalina e reinar soberano sobre seus governantes. Carnaval no Brasil é tempo de paixão. Amor e sexo misturam-se. São fugazes e passageiros, claro, mas é no Carnaval que seus prazeres são mais constantes e libertos dos preconceitos e discriminações.

Os catastrofistas lembram que falta pouco tempo e este será o último carnaval do planeta antes do fim do mundo, de acordo com a profecia maia. Então, meus camaradas, se o mundo que conhecemos vai acabar de fato, o que estamos a fazer aqui parados? Vamos nos esbaldar em nossas paixões! Vamos cair no samba! Vamos rebolar e saracotear ao ritmo do maracatu! Vamos frevar, ferver! Nada mais nos restará? Restará, sim. Restará a certeza de que não perdemos tempo e curtimos até o fim a vida.

O Carnaval de Pernambuco, particularmente o do Recife, tem história cultural vinda de tempos muito longínquos. A burguesia tentou sempre fazer com que o Carnaval recifense ficasse restrito às elites. Os seus clubes Cavalheiros da Época, Cavalheiros de Satanás, Nove e Meia do Arraial, Conspiradores Infernais, Fantoches do Recife abrilhantavam o reinado momesco pelas ruas da capital pernambucana com cortejos de carros alegóricos. Com o passar dos tempos a cultura carnavalesca do Recife ganhou novos rumos para felicidade geral da população pernambucana.

Os chamados clubes do povão nascidos no Recife, inspirados no decano Caiadores (1886), adotaram por nomenclatura termos evocativos do trabalho com o qual estavam acostumados a lidar: Vassourinhas (1889), Pás (1890), Lenhadores (1897), Vasculhadores, Espanadores, Abanadores, Empalhadores, Ciscadores, Carpinteiros, Marceneiros, Sapateiros, Funileiros, Pescadores, Charuteiros, Talhadores, Suineiros da Matinha, Engomadeiras, Quitandeiras de São José, Chaleiras de São José, Parteiras de São José, Costureiras de Saco, Caixeiras, Cigarreiras do Recife, Cigarreiras Revoltosas, Talhadores em Greve, Malhadores em Greve, Mocidade Operária, Lavadeiras e outros. Muitos já se extinguiram. Vassourinhas, Pás, Lenhadores, Lavadeiras de Areias continuam vivos.

De repente, eis Sua Majestade, o frevo. O ritmo veio da troca espontânea entre os despretensiosos e ágeis foliões e as orquestras de metal, geralmente formadas por bandas marciais. Aos poucos foram sendo criadas as marchas carnavalescas. Sempre na rua, sob o delirar dos corpos suados, seguindo-se os dobrados de inspiração militar, polcas, maxixes, quadrilhas e modinhas. Todos esses ritmos foram nascendo entre os anos de 1905 e 1915, ganhando novas formas e combinações e deles saiu o frevo pernambucano, embora a música ainda não fosse assim chamada. Num crescendo, o Carnaval do Recife alcançou os tempos de hoje. São tempos modernos, mas a Sua Majestade, o frevo, continua a reinar. O alucinante ritmo, nascido da alma do povo, já é totalmente consagrado como símbolo da identidade cultural pernambucana. Para sempre!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

RABISCOS PARA UMA EXPLICAÇÃO DE AMOR


Tudo que conquisto eu mereço
E do amor que ofereço
Trago o brinde do começo
Sem esperar seu fim.
Sonho iluminado que atravessa
Todos os caminhos da promessa
E que nunca cessa
De brilhar dentro de mim.

Não sei se verás como ele vem.
Será que verás o seu também?
Mas não obrigarei ninguém
A sentir igual a mim.
Por isso eu quero agora
Ter você a toda hora
Sem esperar a aurora
Pois eu não penso em partir.



Portanto estarei presente
No seu abraço quente
Ou num beijo diferente
A dizer como sonhar.
Você sentirá minha alma pura
Cancelando qualquer velha amargura
Ouvindo com emoção a minha jura:
É tão maravilhoso amar!

Você terá de aceitar essa verdade.
Irei fazer o maior alarde
Pois não quero chegar tarde
A lhe envolver no anseio meu.
Eu sei o quanto ele vale a pena
Como agora nesta canção pequena
Rabiscada naquela noite amena
Quando sua ternura me envolveu.

Pode acreditar: serei a sua planta
Mesmo a seca no Nordeste sendo tanta
E os falsos líderes digam: Não adianta
Tentar sequer plantar.
Serei seu caso de nordestinado
Mandacaru alado
Solo esturricado
Para você irrigar.

E pássaro num voo libertino
Vou ao encontro do seu destino
Escrevo pelos poros nosso hino
E rabisco de amor a explicação:
Mulher Nordeste, viva nos meus braços.
Mulher Recife, vem voar nos meus espaços.
Você envolta em coloridos laços
Para fazer feliz meu coração.

............................
Uma raridade minha - escrita no Recife, no ano de 1986.
@Copyright by Rafael Rocha

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CORAÇÃO NA MÃO


O amor nada ofertou
Na paralisação do mundo
Ainda existe embargo ao redor
De mim

Um tempo existe perdido
No campo sem cor da saudade
Nesse estranho e profundo precipício
Da vida

Continuo a abrir os braços
Mendicante eterno de um sonhar
Vivo o presente nesse espaço
De fim

Voa, alma cega, voa ave humana!
Leva na mão o coração partido
E canta a ilusão a desandar
No peito

Um pária só em meu desterro
Sem pátria e sem amores
Deixo as lágrimas a deslizar
No rosto.

Saber realista o dia agora
Fumar um cigarro, beber um vinho
Sou apenas um poeta sem história
Escrita

E coração partido na tua mão
Engaiolo a vida dentro da vida
Ainda busco o calor do abraço
De algum mundo

..............
@Copyright by Rafael Rocha - Recife, 4 de fevereiro de 2012

ODE DO TEMPO

Há um tempo preciso
Para desprezar outro tempo
Para escrever outros versos
Quase iguais aos momentos
Da velha solidão

Há um tempo necessário
Para nos tornarmos vários
Para amar um grão de areia
E dançar sob a força dos ventos
Da antiga solidão



Há um tempo comovido
Para chorarmos o que fomos
Para o sonho a se esvair
E a sumir no tempo como névoa
Na mais grave solidão

Há um tempo sem tempo
Para ser o mais novo tempo
Para adormecer com nossa carne
Antes dela sumir e ser terra
Na eterna solidão

Há um tempo impreciso
Para nascer em outro tempo
De outros versos sem motivos
Para definir os tormentos
Da minha solidão.
....................................
@ Copyright by Rafael Rocha – Recife 4 de fevereiro de 2012-02-04

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ANSEIOS


 Se eu tiver anseios de voar à lua
Terei de criar um míssil de estrelas
Alçando voo tenho de sabê-las
Para a rima não sair tão crua
Dentro da paisagem noturnal.

Sem a rima farei uma viagem
No farrapo de um velho cometa
Centelhando em busca de uma meta
Do tesouro sem ouro ou miragem
Qualquer coisa natural.

A lua poderá ser o corpo leve
Da mulher que um dia acondicionou
Meu nome, meu sexo e meu amor
Abrindo alas à chuva e à neve
Para a paixão outonal.

De Ícaro ganharei asas modernas
A esta sede de voar na emoção
De uma nova e límpida canção
O tempo novo e as almas hodiernas
Marcam o caminho do final.

Tendo anseios de voar à noite
Com asas macias e mais leves
Da poesia dessas coisas breves
Homem estarei sempre em pernoite
No teu corpo, minha amada casual.

Canta em mim o vício da paixão
E a máxima de quando é se entregar
Na vertigem do prazer de amar
Gosto de perder a razão
E ser eterno, único e total.
.........
@Copyright by Rafael Rocha – Recife, 03 de fevereiro de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

DUAS DATAS HISTÓRICAS NA MINHA VIDA DE ESCRITOR

Neste ano de 2012, no dia 26 de janeiro, recebi Menção Honrosa, no prêmio Vânia Souto Carvalho da Academia Pernambucana de Letras (APL) pelo meu livro OLHOS ABERTOS PARA A MORTE, referente ao concurso literário do ano de 2011.    
No ano de 1989, também no dia 26 de janeiro, fui agraciado com o primeiro lugar na APL, prêmio Leda Carvalho, pelo meu livro O ESPELHO DA ALMA JANELA E OUTROS CONTOS, referente ao concurso literário do ano de 1988. O tempo passa. A história fica.

sábado, 28 de janeiro de 2012

QUEM CONSTRÓI UM SER?

Escrevi “Olhos Abertos Para a Morte” quase sem intenção alguma. Talvez porque tenha sentido dentro em mim a necessidade de colocar em pauta causa e efeito, efeito e causa. Quem constrói um ser? Esta deve ser a pergunta principal quando o leitor terminar de ler o livro. Claro que eu possuía convergências variadas e pessoas variadas para dar vazão ao pensar quando escrevi este pequeno romance. Principalmente na ligação com o ser chamado capitão Fernando Clemens. Um ser que muitos irão julgar diferente e perigoso e maléfico, esquecendo que ele era simplesmente um ser humano sofrendo a construção da vida no corpo e no espírito, dentro e através. As culpas de ser no mundo de qualquer pessoa, na realidade, estão ligadas à vertiginosa construção da vida e essa construção às vezes nem vem da própria pessoa, mas daqueles que a coordenam desde a infância, pais, colegas de escolas, professores, amigos. O capitão Clemens é apenas um retrato. Todos nós somos retratos de quem nos fizeram seguir um determinado rumo. Criamos um caráter? Criamos uma consciência? Criamos uma personalidade? Ou será que tudo isso nos foi embutido durante nosso crescimento como gente? Pensemos!

A seguir, trechos do livro ainda inédito para que os seguidores deste meu blog possam curtir. Em tempo: estarei lançando este livro no mais tardar em março de 2012.

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Acordava sempre às seis da manhã e após o desjejum sua mãe o levava até a parada do ônibus, no rumo da escola. Era um aluno aplicado. No entanto, sua aplicação baseava-se no simples fato de que se não cumprisse o que lhe era ordenado, iria sofrer as penas do inferno. Uma vez, gazeou dois dias de aulas por conta própria, passeando de trem desde a estação de Jaboatão à do Recife. Seu pai soube. O carrancudo coronel do Exército, Wellington Clemens, acorrentou-o no quarto no fim de semana. Colocou livros e cadernos no chão. Abriu-os, mostrando os deveres ainda não feitos.

Sentiu-se despido vagarosamente. Nu, amarrado pelos pulsos a um dos caibros do telhado, viu seu pai vendar-lhe os olhos. Escutava o pranto da mãe vindo de algum recanto da casa. Tentou gritar, mas estava com a boca amordaçada. “Lembre-se que isso é para o seu bem! Não coloquei filho no mundo para ser outro vagabundo de merda!”, escutou o pai dizer.

A primeira vergastada alcançou suas nádegas. Era o cinturão de couro de jacaré do pai. A segunda vergastada atingiu suas costas. A terceira novamente suas nádegas. A partir daí, começou a ser surrado com calma, sem clemência, para que pudesse sentir a dor e a agonia. Nas nádegas, nas barrigas das pernas, nas costas. O cinturão atacava metodicamente. A dor era insuportável. Como não podia gritar, o corpo suava, parecendo pedir socorro. “Para você lembrar que isso é para seu bem! Eu penso no seu futuro! Filho meu não vai ser qualquer vagabundo safado!”, escutava a voz do pai, e lá vinha outra vergastada do cinturão de couro de jacaré.

Tinha perdido a conta de quantas chibatadas levara naquele dia. Mas desse momento em diante aprendera que a obediência era a única solução possível. Não tinha força alguma para enfrentar o tamanho de homem que era seu pai. Após a surra, a venda foi retirada junto com a mordaça. “Você mereceu isso, rapaz! Fiz isso para seu bem. Não falte mais as aulas. Estude! Olhe seus cadernos no chão. Vai estudar, não vai?” Olhou para o pai. A mãe agora estava ao seu lado, com um pano úmido a passar no seu corpo castigado. A pele estava rubra devido às vergastadas. Anuiu com a cabeça. E começou a pegar os livros e a levá-los até sua mesinha de estudo no quarto.

À noite, antes de dormir, o coronel Clemens o chamou até a sala. Tinha 13 anos quando isso aconteceu e desde esse dia, descobriu que obedecer tem de ser com dor. “A partir de hoje, antes de dormir, vamos cantar o hino”, disse o pai. “Qual hino?”, perguntou ele. “Nosso hino! O hino que faz os homens serem fortes!”

Aprendeu rápido a cantar. Todas as noites antes de dormir, lá pelas nove horas da noite, ele e o pai se juntavam na sala de estar e cantavam: “Nós somos da Pátria a guarda / Fiéis soldados / Por ela amados / Nas cores de nossa farda / Rebrilha a glória / Fulge a vitória. / A paz queremos com fervor / A guerra só nos causa dor / Porém, se a Pátria amada / For um dia ultrajada / Lutaremos sem temor.”

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

FESTA DA ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS - 111 ANOS

Rafael Rocha recebendo o prêmio de Menção Honrosa
O dia 26 de janeiro de 2012 foi dia de festa na Academia Pernambucana de Letras, com a posse de Fátima Quintas como presidente e entrega dos prêmios literários aos vencedores das mais diversas categorias.  Eu, este vosso camarada, fui agraciado com MENÇÃO HONROSA, no prêmio Vânia Souto Carvalho, de Ficção, pelo meu romance OLHOS ABERTOS PARA A MORTE. A vencedora nessa categoria foi minha dileta amiga Patrícia Gonçalves Tenório, pelo livro “COMO SE ÍCARO FALASSE“. Eis os outros premiados: Prêmio Amaro Quintas – História de Pernambuco – Lêda Rejane Accioly Sellaro pelo livro “Educação e Religião: colégios protestantes em Pernambuco na Primeira República” (anos 20); Prêmio Antônio Brito Alves – Ensaio – Anco Márcio Tenório Vieira pelo livro “Dante e a construção da reforma cristã”, com Menção Honrosa para Alfredo Sérgio Magalhães Jambo, pelo livro “Investigação de Giambattista Vico”; Prêmio Edmir Domingues – Poesia – Marcos Antônio Soares de Andrade Filho, pelo livro “SPOLLIVM”, com Menção Honrosa para José Antônio da Silva, pelo livro “Poe – Arrecifes”, e Lúcio Roberto Ferreira, pelo livro “A Ponte e a Travessia”; e por fim, Prêmio Elita Ferreira – Literatura Infantil – Patrocinado pela Editora Bagaço, com Menção Honrosa conferida a Antônio Nunes Barbosa Filho, pelo seu livro “Contação: uma historinha para cada dedo da mão”. Após a sessão solene com a transmissão do cargo de presidente de Valdênio Porto para Fátima Quintas, os jardins da Academia transformaram-se em uma grande festa com direito a corte de bolo e muita alegria.
Veja o vídeo da festa: http://g1.globo.com/videos/pernambuco/bom-dia-pe/t/edicoes/v/fatima-quintas-e-a-nova-presidente-da-apl/1786489/
Eu com o diploma de MENÇÃO HONROSA



Minha mulher, eu com o diploma, Valdeci Ferraz e Marileide
Eu e Patrícia Tenório, a vencedora da ficção
Patrícia e eu, vencedores da ficção

Fátima Quintas, presidente da APL, discursando

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

JÁ É CARNAVAL NAS RUAS DAS PRINCIPAIS CIDADES BRASILEIRAS


Recife - Galo da Madrugada
Sim, ele já bateu nas portas das cidades, camaradas. Já é tempo de festa. De alegria. Já é tempo de esquecer as agruras da vida. Já é tempo de vestir a fantasia e sair às ruas. No Recife, a festa está presente em vários quadrantes. Em Olinda, o rei Momo vai prevalecer com toda a sua majestade. Em Salvador, o pobre faz seu abadá e deixa de comer para entrar no cordão do trio elétrico. No Rio de Janeiro, as escolas de samba começam a processar os ritmos, as cores, os carros alegóricos e as fantasias lantejouladas e brilhantes. O Carnaval no Brasil é um marco muito mais importante do que a virada do ano do calendário.

No Carnaval o país se transforma. As pessoas se transformam. Os pudores cotidianos são esquecidos. Os desejos obscenos alcançam a flor da pele. Tudo é permitido. Foliões entram em transe coletivo, numa catarse de seus anseios oprimidos no cotidiano em nome da alegria geral. No Carnaval ninguém precisa dissimular. Todo mundo se entrega à libertinagem, à bebedeira, à dança e aos folguedos.

A cultura popular brasileira é representada em todos os seus aspectos no Carnaval. Mistura-se tudo num caldeirão. Tradições populares e pagãs. Personagens míticos e folclóricos. Baco. Momo. Pierrôs. Colombinas. Baianas. Corpos nus e seminus saracoteiam nas ruas. E tudo exala luxúria, sensualidade, um cio animal a encher o ar das ruas liberando geral. No Recife, o Galo da Madrugada canta e libera os foliões para a loucura. A cidade se agita. O frevo volta a imperar nas ruas.

Sim, o Carnaval está já nas avenidas e ruas e becos e ladeiras do Recife e de Olinda. Mas quando chegar no seu ápice o povo sairá por essas ruas e becos e ladeiras em hipnótico desafio. Esquecerá a corrupção. Esquecerá a fome. Esquecerá o desemprego. Esquecerá a pobreza. Esquecerá os baixos salários. O que interessa é a alegria até a chegança da quinta-feira onde cabisbaixo retorna ao seu cotidiano.

No Carnaval não existe luta de classes, pois ele é a festa de todas as classes. Os corpos suados poderão ser vistos a pular ao som dos trios elétricos, dos blocos de rua, das orquestras de frevo, nos caboclinhos, nos maracatus, nos bois-bumbás e em todas as manifestações populares Brasil afora. Ainda que exista a sensação de que a nossa cultura popular está sendo canibalizada, ainda que exista a sensação de que a poesia, o lirismo, as tradições folclóricas estão sumindo, ainda que exista a sensação de que o Carnaval está se tornando um objetivo de lucro para os capitalistas, o povo estará vivaz e feliz nas ruas embriagado e delirante.

Carnaval, festa de loucos? Por que não? A loucura torna-se generalizada nesses dias. Ninguém quer ficar fora dela. A adoração de todos os deuses pagãos do mundo antigo volta à tona e se transforma na maior manifestação popular da história humana.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A ISLÂNDIA NA CAUSA HUMANISTA


A mídia que nós conhecemos não divulga esta noticia. Por que não divulga? Porque na Islândia - o país com melhor qualidade de vida do mundo - não existe maçonaria para controlar a justiça e a informação. Leiam:
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Islândia triplicará seu crescimento em 2012 após a prisão de políticos e banqueiros. A Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Puniu os responsáveis pela crise financeira, mandando-os para a prisão. Começou a redigir uma nova Constituição feita pelo povo e para o povo. E hoje, graças à mobilização, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida.
É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa pelo temor de que muitos a percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação, o que começou sendo crise se converteu em oportunidade. Uma oportunidade que os movimentos ao redor do planeta observaram com atenção e estabeleceram como um modelo realista a seguir.
Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos atuais. Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência ao crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa segue mostrando sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza segue presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.
Este pequeno país do periférico ártico recusou salvar os bancos. Os deixou cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco foi falado do esforço que este povo realizou. Dos limites que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver.
Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar à mercê do que se decida em despachos distantes da realidade do povo. A revolta islandesa não causou outras vítimas que os políticos e os homens de finanças costumam divulgar. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa “Primavera Árabe”. Nem sequer teve rastro na média, pois os meios de comunicação passaram por cima na ponta dos pés. Mesmo assim, conseguiram seus objetivos de forma limpa e exemplar. Hoje, seu caso bem pode ser um caminho ilustrativo para os indignados espanhóis, o movimentos Occupy Wall Street e daqueles que exigem justiça social e justiça econômica em todo o mundo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS PREMIA ESCRITOR RAFAEL ROCHA COM MENÇÃO HONROSA

A Academia Pernambucana de Letras (APL) divulgou nesta terça-feira, 11 de janeiro de 2012, os vencedores de seu concurso literário de 2011. O jornalista, escritor e poeta RAFAEL ROCHA, este vosso cumpadi, foi agraciado com MENÇÃO HONROSA, no prêmio Vânia Souto Carvalho, de Ficção, pelo seu romance OLHOS ABERTOS PARA A MORTE. A vencedora nessa categoria foi Patrícia Gonçalves Tenório, pelo livro Como se Ícaro falasse”. A festa de entrega dos prêmios deverá ocorrer no dia 26 de janeiro, a partir das 20h, na sede da APL. Eis os outros premiados: Prêmio Amaro Quintas – História de Pernambuco – Lêda Rejane Accioly Sellaro pelo livro “Educação e Religião: colégios protestantes em Pernambuco na Primeira República” (anos 20); Prêmio Antônio Brito Alves – Ensaio – Anco Márcio Tenório Vieira pelo livro “Dante e a construção da reforma cristã”, com Menção Honrosa para Alfredo Sérgio Magalhães Jambo, pelo livro “Investigação de Giambattista Vico”; Prêmio Edmir Domingues – Poesia – Marcos Antônio Soares de Andrade Filho, pelo livro “SPOLLIVM”, com Menção Honrosa para José Antônio da Silva, pelo livro “Poe – Arrecifes”, e Lúcio Roberto Ferreira, pelo livro “A Ponte e a Travessia”; e por fim, Prêmio Elita Ferreira – Literatura Infantil – Patrocinado pela Editora Bagaço, com Menção Honrosa conferida a Antônio Nunes Barbosa Filho, pelo seu livro “Contação: uma historinha para cada dedo da mão”.

DEUS EXISTE! EU ENCONTREI!

Um encontro excepcional na semana passada. Encontrei-me com DEUS! Sim, exatamente isso. Descobri que DEUS existe, mas na forma de uma deliciosa cerveja, ou seja, a melhor e mais cara cerveja do mundo. DEUS tem história. Esta cerveja é fabricada na Bélgica, pela Brasserie Bosteels  desde 1791, e continua sendo pela família do fundador há sete gerações. O que diferencia DEUS das outras cervejas é seu exclusivo processo de fabricação, o qual começa na Bélgica, com a seleção das melhores cevadas de verão, assim denominadas por serem colhidas nesta. Após uma primeira fermentação, leveduras são adicionadas para gerar uma 2ª fermentação, em tanques de aço. A seguir, a cerveja é transportada para a região de Champagne, na França, onde é engarrafada e submetida à terceira fermentação, por cerca de três a quatro semanas. Depois passa vários meses maturando em repouso na temperatura natural das adegas subterrâneas, seguindo-se um processo de remuage (rotação lenta e progressiva das garrafas para sedimentação das leveduras no gargalo), finalizado pelo dégorgement (retirada das leveduras, após congelação do gargalo). Vale a pena o degustador da boa cerveja comprar e beber DEUS. Estará dando a si mesmo um pedaço do paraíso cervejeiro que nunca mais esquecerá. No Recife, a Cerveja DEUS pode ser encontrada no Emporium Gourmet - Rua Dr. José Maria, 763, Rosarinho. Informações: 3427.0620 ao preço de R$ 230,00.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O FIM DO MUNDO ESTÁ EM NOSSAS PORTAS

Sim, o título é mesmo este! O fim está mais perto do que imaginamos! Mas entendamos: o fim do mundo como nós o conhecemos. O velho está em trâmite de desaparecimento. Uma nova humanidade está surgindo. Tal como disse Nostradamus, a certeza do fim do mundo está a cada dia que passa mais concreta. Estamos a entrar neste ano de 2012 em um novo espaço. De tempo e de mundo. A luta é para tirar dos governos o direito que eles dizem exercer sobre nós. Os governos devem ser apenas nossos escravos, e não o contrário. Apenas por causa do poder que englobam em suas mãos eles (os governos) pretendem ser mestres da humanidade. Isso vai deixar de ser.

A luta que se está a se espalhar pelo mundo inteiro e pelas mãos de homens e mulheres do mundo, camaradas, é que a certeza de uma nova humanidade chegou. O velho e arcaico mundo desaparecerá para dar lugar a uma humanidade que não seja dividida em nações. A uma humanidade onde a religião não precise ser organizada. Novos valores, camaradas. Sim, porque religião é apenas um caso de amor com a existência do homem. Não temos necessidade de cristianismo, de hinduísmo, de budismo, de islamismo.

A humanidade começa a se preparar para a decisão final. Ela tem de se transformar de forma total, camaradas. As mudanças estão a caminho. Tudo que é velho ou o que vem do arbítrio deverá ser sepultado. Assim, só devemos olhar para trás com o sentido de sabermos o aprendizado. Hoje temos de olhar sempre para frente. O cemitério dos deuses mortos não é lugar para ser visitado. Tumba e cemitério são e sempre foram somente um lugar de ida. Vamos para lá e nunca mais voltamos.

Camaradas, o futuro da raça humana é que deve ser o pivô e o tema maior de nossas preocupações. Nossos próximos desafios serão o futuro e as estrelas e as galáxias distantes. Temos que criar um futuro especial para as novas gerações humanas e o momento está se aproximando. O fim do mundo, o mundo como nós conhecemos, camaradas, está cada vez mais próximo. E agora temos de tomar decisões. Ou nos suicidamos, apegando nossas vidas ao passado, ou largamos o passado e começamos a escrever o futuro. É a nova revolução, camaradas!

Sim! A nova revolução! E esta revolução será tão grande no âmbito mundial que poderemos dizer que o mundo acabou. O mundo velho! Este mundo que conhecemos, onde os governos exploram até o tutano a raça humana e o planeta. Um mundo novo vai começar! Criado pelo homem. Não por governos e por deuses fictícios. Pois são esses tais de deuses fictícios, através de seus sacerdotes, pastores, mulás, papas, padres, freiras aliados aos governos capitalistas mundiais que pretendem acabar com o mundo se assim nós seres humanos deixarmos.


Desde a década de 1911, quando a raça humana começou a ser recenseada universalmente, com a identificação de todos os cidadãos até os dias atuais quando a ideia dos governos e religiões é a de inserir nos corpos chips numerados, devemos lembrar a profecia de Pierre-Joseph Proudhon: ser governado significa,  a cada ato e a cada transação, ser notado, registrado, matriculado, taxado, rotulado, medido, numerado, avaliado, habilitado, admoestado, autorizado, proibido, emendado, corrigido e punido.  É isso que os governos e as religiões fazem com a raça humana sob o pretexto de utilidade pública levando os homens a serem explorados, coagidos, monopolizados e roubados. É por causa de tudo isso que o velho mundo deve acabar para que nasça um mundo novo. E isso só depende de nós, camaradas.

Se acontecer uma Terceira Guerra Mundial seremos os únicos responsáveis. Seremos responsáveis por termos dado licença para a destruição da raça e da cultura toda diversificada dessa raça. Por isso, camaradas, nesse momento crítico é que as mudanças devem e podem ocorrer. Temos de dizer não, um NÃO daqueles de calar os governos. Temos de dizer NÃO a quem pretender manipular nossas mentes.

Temos de dizer NÃO à morte global protagonizada pelos que se dizem donos da nossa vida. Nenhum governo e nenhum deus são donos de nossas vidas. Temos de acabar com as fronteiras entre as nações. Para que rebanhos de pessoas seguindo credos os mais diversos? Por que não buscarmos ligação direta e pessoal com a existência humana no planeta em vez de contatos com entidades governamentais e coisas imaginárias comandadas por capitalistas e reles sacerdotes?

Esses sacerdotes, aliados aos governos mundiais, é que fazem os preparativos para acabar com o mundo através de uma guerra globalizada. Se tal guerra ocorrer vão destruir toda a cultura e diversidade humanas em nome de uma divindade que nem sequer dá as caras. Mas a revolução começou e o fim do velho mundo está próximo. Podemos ver e assimilar o nascimento de um novo mundo no horizonte. Na realidade, esse novo mundo já chegou, podemos vê-lo, falta apenas algum tempo para que o restante das pessoas do planeta possam também ter esse regalia.

domingo, 8 de janeiro de 2012

MEDO


(Poema extraído do livro Marcos do Tempo, de Rafael Rocha)

Insano busco reclamar do mau pensamento.
Chegam-me apenas lembranças de castigos.
Coisas loucas feitas de ar, de água e vento
Como tentando dialogar com os inimigos.

E taciturno vejo a cinza da manhã nascente
Louca por meu sono até quando eu lamento
A perda do meu verso triste e penitente
O qual não quis escrever neste momento.

Simples assim: sinto ganas de rápidas prosas
E abrigo no cérebro imagens poderosas
Medonhos medos de no porvir chegar ao fim.

A mente clama pelo viver mais que infinito.
E a voz lança na amplidão vazia um grito:
Quero escrever versos sem pensar assim!

sábado, 7 de janeiro de 2012

ESCRITOR FALA SOBRE A INSANIDADE RELIGIOSA

Entrevista com o filósofo norte-americano Michael Largo
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POR QUE A HUMANIDADE CONCEBEU A RELIGIÃO? - A morte é uma das principais razões para a humanidade ter inventado a religião. As vidas dos nossos primeiros ancestrais foram atormentadas pelas incríveis incertezas. A morte foi a mais atormentadora. Naquela época, a expectativa de vida era de apenas 18 anos de idade, então a mortalidade era uma experiência cotidiana. Eu imagino um bando de humanos primitivos de pé ao lado do corpo de um familiar morto, se perguntando: “Para onde foi aquela coisa que dava vida e animação ao meu companheiro?”. Quando não havia mais respostas para a vida e para a sobrevivência, os humanos precisaram inventar explicações, que invariavelmente se tornaram catalisadoras para a teologia e a religião.

QUAIS FORAM OS PRIMEIROS VESTÍGIOS DE RELIGIOSIDADE NA HISTÓRIA HUMANA? - Os Neandertais provavelmente ensinaram aos humanos como praticar rituais religiosos e como buscar respostas ao inexplicável. Eles colocavam, por exemplo, crânio de urso e adereços ritualísticos em volta dos cadáveres. Os primeiros túmulos humanos, datados de 100 mil anos atrás, foram descobertos em uma caverna perto de Nazaré, em Israel. Os restos mortais tinham sido sepultados ritualisticamente, com os ossos pintados de vermelho, conchas marinhas dispostas ao redor e crânios apontando o Norte. Isso indica que nossos mais remotos ancestrais tinham uma crença, pelo menos, na vida após a morte.

COMO COMEÇOU ESSA SUA VONTADE DE CONHECER DIFERENTES RELIGIÕES? O QUE VOCÊ BUSCAVA? - Existem muitas religiões que vêm e vão e algumas milhares que são praticadas até hoje. Eu queria ver se havia uma verdade ou algum tipo de consistência entre a variedade de sistemas de crença. Para meus outros livros, eu pesquisei sobre a morte por muitos anos. Eu admito que, em alguns momentos, enquanto eu compilava estatísticas e contava as infinitas colunas de vidas humanas que vinham e iam – geralmente não deixando nenhuma marca de sua existência além de um mero dígito no cálculo –, eu me perguntava: “Qual é o propósito de tudo isso?”. 

E VOCÊ ENCONTROU ESSA VERDADE? - Eu descobri que as religiões baseiam todos os seus fundamentos em ideias e conceitos que não podem ser provados e, por isso, nada pode ser oferecido como a verdade. Os mais loucos conceitos se tornaram dogmas, demandando fé para aceitá-los. Olhando pelo lado negativo, há uma tendência entre as religiões de promover o comportamento delirante e irracional. Na verdade, crenças religiosas têm causado mortes em massa, seja por guerras ou por dogmas e doutrinas. Mas olhando positivamente, de acordo com teólogos, as religiões têm confortado muitas pessoas e salvado bilhões de almas.

VOCÊ PASSOU 25 ANOS DE SUA VIDA CONHECENDO RELIGIÕES. COMO SE DEU ESSA JORNADA, NA PRÁTICA? - Eu fui educado por jesuítas, mas minha experiência de campo começou como um coroinha católico que falava Latim. Pratiquei uma série de doutrinas orientais, do Zen à Meditação Transcendental. Nos anos 1970, presenciei uma cerimônia rastafariana na Jamaica. Também assisti a palestras da Nova Era, inclusive sobre teorias de anjos viajantes no tempo e a respeito do valor esotérico dos cristais. Comi cogumelos com algumas mulheres adeptas das religiões Druidas e Gaia, em Nova Iork. Cerimônias de anglicanos, metodistas, calvinistas – já assisti muitas. Dei a palma da minha mão para que a lessem, participei de uma sessão de regressão a vidas passadas, fui a retiros espirituais cristãos e orientais em fins de semana. Sem contar com os templos sagrados em Roma que visitei e o culto de santeria em Miami que participei. Reconhecidamente, e em nome da ciência, eu tomei alucinógenos, tentando infrutiferamente tomar notas sobre os diversos conhecimentos religiosos.

E EM QUE PAÍSES ISSO ACONTECEU? - Como existem mais de 300 mil locais de culto nos Estados Unidos, o meu país tem sido um terreno furtivo para a pesquisa. Mas eu gosto particularmente do Caribe. Estive também no México, na França, na Inglaterra, apesar de que a Itália, para mim, é o local mais cheio de santuários intrigantes.

QUAL FOI A SITUAÇÃO MAIS EXÓTICA E BIZARRA POR QUE VOCÊ JÁ PASSOU? - Testemunhar sacrifício de animais foi tão bizarro quanto revoltante. Mas eu diria que um breve caso amoroso com uma freira dominicana, que eu conheci durante entrevistas na República Dominicana, foi a mais exótica – poderia chamar também de experiência erótica religiosa.

QUAL SUA DICA AOS CURIOSOS RELIGIOSOS? - Eu recomendo que eles confiram os detalhes de cada religião, antes de comprar a ideia. Façam isso lendo os dogmas de cada crença, da mesma forma que você leria o relatório de um produto. Muitas pessoas fazem uma pesquisa mais minuciosa sobre o celular novo que vão comprar do que sobre a religião que eles herdaram da família ou a que aderiram no decorrer da vida. Os cultos, que são definidos como grupos religiosos que demandam lealdade a um líder, são os mais arriscados. Muitos são especialistas em explorar o carisma, que pode facilmente cegar alguém da realidade e torná-lo um fanático.

SE VOCÊ PUDESSE ESCOLHER APENAS UMA HISTÓRIA DE TODA A SUA JORNADA PARA CONTAR, QUAL SERIA? - Depois de todas as igrejas que visitei e as entrevistas com pessoas religiosas que fiz, o momento mais comovente de como a religião funciona ocorreu no leito de morte da minha mãe. Ela sentia um grande desconforto e visualmente sofria de ansiedade e medo. Eu segurei sua mão e disse a ela uma mentira: que logo ela encontraria meu pai, pois ele estava esperando por sua noiva. Ela abriu os olhos só mais uma vez e sorriu, antes de falecer.

COMO FOI O PROCESSO DE ESCRITA DO LIVRO? - Eu já tinha muitos anos de anotações das minhas pesquisas de campo, mas passei um ano comprometido com a rotina devota. Trabalhei sobre textos antigos, li doutrinas e dogmas das religiões, fiquei atento ao que alguns monges chamam de lectio divina, ou leitura divina. Eu tentei não abordar nenhuma ideologia religiosa com condenações pré-condicionadas ou preconceitos.

MAS VOCÊ CONSULTOU MUITAS FONTES, ALÉM DAS EXPERIÊNCIAS PRÁTICAS? - Eu precisei ler o Velho e o Novo Testamento inteiros, além do Corão, é claro. No livro, eu listo uma centena de textos religiosos que usei como fonte.

O USO DE CHÁS, COGUMELOS E SUBSTÂNCIAS PSICOTRÓPICAS FAZ PARTE DE MUITAS CRENÇAS. POR QUE ESSAS RELIGIÕES ADERIRAM A ESSAS SUBSTÂNCIAS? - O escritor Aldous Huxley, durante seu experimento com substâncias psicotrópicas, notou que elas abriam as chamadas portas de percepção. Muitas religiões dão grande valor aos sonhos, como se fosse uma maneira de conhecer a voz de Deus. Mesmo no Império Romano, praticava-se o que se chamava de mistérios de Elêusis, que recomendava ingerir cogumelos pelo menos uma vez ao ano, a fim de ver e experimentar o que apenas Deus sabia. No entanto, tal atividade pode ser prejudicial à saúde.

POR QUE A RELIGIOSIDADE, EM ALGUMAS PESSOAS, SE TORNA INSANIDADE? - Além do medo da morte, existe o medo da condenação eterna. Religiões que dão muito valor à vida após a morte e ameaçam quem não segue suas regras com a perspectiva de punição eterna geralmente levam seus fiéis ao fanatismo. Substâncias alucinógenas, rituais de jejum, automortificação e outros meios bizarros que as pessoas utilizam para atingir o êxtase religioso também costumam alterar a química do corpo, levando a um desequilíbrio mental.

NO LIVRO, VOCÊ FALOU SOBRE “NUDISMO RELIGIOSO”. COMO FUNCIONA ESSA CRENÇA? ELA AINDA EXISTE HOJE EM DIA EM ALGUM LUGAR DO MUNDO? - Ela decorre de uma interpretação do Livro de Gênesis. O pecado foi o que levou à prática de vestir roupas e ao matrimônio. Adão e Eva, quando possuíam a inocência pura, não precisavam nem de vestimenta nem de casamento. A nudez, segundo a religião, é uma prova de que eles atingiram o estado de graça e estão libertos de todas as restrições morais concebidas pela humanidade. Hoje, existe a Igreja Batista do Calvário Nudista, no Texas.

POR QUE A IDEIA DE APOCALIPSE ESTÁ TÃO INCRUSTADA NAS DIVERSAS RELIGIÕES? POR QUE OS RELIGIOSOS SE APEGAM A ELE? - Na minha pesquisa, eu descobri que mais de 80% dos cultos usam revelações de Agamemnon para arrebanhar seguidores. Novamente, o medo é a ferramenta que controla seguidores, especialmente quando envoltos na conversa de ter visões divinas.

VOCÊ ACHA QUE A RELIGIOSIDADE ESTÁ GANHANDO CADA VEZ MAIS FORÇA ENTRE OS HUMANOS? OU VOCÊ ACHA QUE A HUMANIDADE CAMINHA PARA A NÃO RELIGIÃO? - Na estatística, menos pessoas estão indo à igreja, enquanto muitos continuam querendo aderir a uma ou outra religião. O ateísmo está em ascensão em todo o mundo, e saindo do armário. Como a tecnologia e a informação estão cada vez mais disponíveis, novos deuses estão sendo concebidos. O terrorismo mundial também ajudou a abrir muitos olhos, para ver em primeira mão o que fanáticos religiosos podem fazer. Eventos atuais indicam que nosso próprio fim dos dias, ou pelo menos uma transformação significante de nossa cultura, possa ser instigado por alguma forma de insanidade religiosa.

VOCÊ CONHECEU E PESQUISOU DIVERSAS RELIGIÕES. MAS NO QUE VOCÊ ACREDITA DE VERDADE? - Eu acredito nas possibilidades do inimaginável. Como Stephen Hawking já notou, nós vemos o mundo a partir de uma perspectiva distorcida. Ele usa a analogia de um peixe em uma tigela redonda, observando todas as coisas se movendo em uma curva, devido à refração da luz através da água. Essa é a verdade para o peixinho. Seria necessária certa arrogância para pensar que nós realmente sabemos alguma coisa, não importa quantos livros nós tenhamos lido ou a graduação que possuímos.

EM SUA OPINIÃO, PARA ONDE VAMOS QUANDO MORREMOS? - Talvez, nossos átomos são colocados em um liquidificador cósmico, e nós vivemos como parte de qualquer outra coisa. Eu não tenho a mínima ideia. Quem tem? Certamente será uma viagem inacreditável, mas uma viagem que eu prefiro evitar pelo tempo mais longo possível. [Risos].

O QUE VOCÊ AINDA NÃO DESCOBRIU QUE QUER DESCOBRIR? - Se existe um Deus. Acho que, se ele (ou ela) existisse, deveria ser capaz de vir até aqui e arrumar todas essas muitas ideias religiosas de uma vez por todas. Ou mandar um texto para o mundo inteiro, ou algo do tipo. Mas até nisso muitos não acreditam.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

VENUS CITADINA – Um conto moderno

E ela chegou ao terminal rodoviário. Desceu do ônibus. Cidade nova. Estranha. Lugar novo. Caras novas. Pegou a mala pela alça e saiu caminhando em direção ao hall principal. Homens, mulheres, adolescentes a esperar amigos ou familiares. O clima estava exaltado. Alegre mesmo. O carnaval às portas era a prova disso. O odor de suor e perfume e tempo passado dentro do ônibus misturavam-se ao cheiro da nova terra que a recebia.

Buscou com os olhos. Navegou o olhar ao redor. Onde ele estava? Disse que estaria ali para recebê-la. Onde? De repente, ele atravessou a multidão e acenou. Sorria. E chamava o nome dela. Ela sorriu e gritou o nome dele. Saiu quase a correr até sentir o corpo seguro por mãos poderosas, fortes. O cheiro do macho penetrou em suas narinas. Ela aspirou fundo. Gostou.

“Pensei que não vinhas”. “O ônibus atrasou meia hora”. “Sei. Avisaram aqui. Eu estava a estranhar e perguntei”. “Puxa! Que cheiro gostoso você tem!” Ele riu. Apertou ela nos braços. Colou-se a ela. Ela sentiu a rigidez do membro de encontro ao ventre. O corpo arrepiou-se todo. Ele notou. Segurou ambas as faces dela com ambas as mãos. Ficou a olhá-la. “Maravilhosa!”, disse. Ela ficou meio sem jeito, mas não afastou o corpo. Estava gostando do contato do macho contra si mesma.

Olhos com olhos. Ela notou que desejava. Ele também notou a ardência. A boca a salivar o forte desejo. Ela entreabriu os lábios. Ofereceu a boca para a dele. Coladas uma na outra ela ofereceu a língua enfiando-a na boca dele. Ele sugou a língua molhada e macia e saboreou a saliva dela e também ofereceu a dele e ela a tomou para si, sugando-a com um carinho e um desejo incontido.

Após o beijo, os olhos continuaram nos olhos. O mundo ao redor não existia. Ele a enlaçou pela cintura. “Vamos?” “Vamos, sim. Preciso tomar um banho. Estou suja e suada e de garganta seca” Foram até um dos bares do terminal rodoviário. Uma cerveja gelada encheu dois copos. Ele notou que os bicos dos seios dela estavam endurecidos. Os pelos das coxas mostravam um arrepio constante. Ela seguia o olhar fascinado do macho.

De repente, pousou a mão na virilha dele e sentiu a pulsação do membro como se fosse um coração. Sempre a olhar para ele, apertou suavemente por cima da calça jeans. Ofereceu de novo a boca. Sentiu a mão áspera e quente dele a acariciar sua coxa direita, indo e vindo. O beijo agora foi mais demorado. Mais sutil. Mais daquele mais de saboreamento de homem para mulher e de mulher para homem. Apertou mais o membro rígido e sentiu a mão dele deslizar para o centro de suas coxas e por sobre o short acariciá-la destemidamente por baixo da mesa do bar.

Salivou como louca. Estava úmida lá por baixo. Sentia a calcinha colando-se na pele vaginal devido à caricia que ele fazia com a mão por sobre o diminuto short. Parou de beijá-lo. Ele tomou um gole de cerveja. Ela fez o mesmo. Voltaram a se olhar. “Estou louco por você!” “Você está me deixando louca!” “Isso é bom! Com tanto tempo que a gente se conhece e só agora eu consigo pegar em teu corpo” “Antes era virtual – disse ela – Agora é real”. “Sim, real e excitante. Quando te via no monitor do computador ficava com um tesão danado. Agora...” “Agora?” “Você nem imagina. Que palavras escolho para definir isso?” Ela riu. Um riso cristalino. Os lábios carnudos tremeram durante o riso. “Quero ser toda tua! Quero!” “Vamos resolver essa questão logo, logo”, disse ele.

Saíram de mãos dadas do bar. Pegaram um táxi. No rumo ao centro da cidade, os beijos se multiplicaram. Ainda que sentissem sobre eles os olhos do motorista, não ligaram para isso. Chegaram ao hotel do centro da cidade. Uma hospedaria simples. No balcão foram atendidos por uma recepcionista sorridente. Primeiro andar. Quarto 1002. Receberam a chave e subiram abraçados. Já no quarto jogaram-se nos braços um do outro e voltaram aos beijos e carícias afoitas. Em pouco tempo ela estava apenas com a calcinha rendada e minúscula e ele de cueca, colados ambos sobre a cama, rolando e se acariciando. Os pequenos seios eram sugados por ele de tal forma que os gemidos dela batiam de parede em parede e voltavam a se alojar na própria garganta. A mão dela agora segurava o pênis rijo e endurecido e acariciava destemida, sentindo o pulsar, sentindo as veias grossas, sentindo o liquido a escorrer pelo orifício uretral.

“Ahhh! Espera, querido! Espera!” – pediu, quando ele começou a beijar e a lamber cada pedaço de sua carne, deslizando pelas axilas, pelo pescoço, no centro dos seios e descendo, descendo... “Aiii! Espera! Preciso tomar um banho! Estou suada! Não estou toda limpa. Aiiii! Que gostoso! Vaiii! Vaii, amor! Vaiii!” E ele ia e vinha e descia com a língua adentrando pelo ventre, deslizando pelo lábios vaginais, cheirando e lambendo e saboreando os líquidos a escorrer da carnuda boceta, mordendo suavemente os lados das coxas negras. Ela o agarrava pelos cabelos. E ainda que pedisse um paradeiro aquilo para ir ao banho, também pedia mais e mais os mergulhos daquela língua, as mordidelas daqueles dentes de macho entre as coxas, na carnudez da boceta...

Gritou! O forte orgasmo fez deslizar os líquidos interiores para a boca e a língua dele. Gritou e buscou abafar o grito com um dos travesseiros da cama. Ele estava a chupar de forma frenética e compenetrada o clitóris e este excitado ao extremo ficou na parecença de um botão a tentar fugir de dentro dela, a tentar fazer-se flor. Ele sugava. Ele lambia. Ela chorava. Ela gemia e dizia não e dizia sim e tentava fechar as pernas e era impedida pelos braços fortes dele. De repente, a noite fez-se dia e relampejos de estrelas e cometas e meteoros um mergulho aos piscares de luzes coloridas e frio intenso e sol intenso e quase uma subida em voo direto a maior das galáxias universal. Ao retornar do mergulho desse prazer, ele estava a olhar para ela, deitado de lado, acariciando suavemente o corpo nu dela.

“Pensei que estava morrendo e indo pro céu!”, disse ela. “Mas estou viva!”. “Foi bom? Diga se foi bom”. Ela riu. O riso cristalino e feliz encheu o quarto, bateu em todas as paredes. Fez voar os lençóis da cama. E voltou de novo para ela e novamente repetiu-se até que ele a calou com um enlaçar o corpo e um colar boca a boca de mais de minutos. Ao estacionarem o beijo no tempo e no espaço, ela viu o quanto tinha sido possuída pela boca e pela língua e pelos dedos do homem e ainda estava suada e suja da longa viagem. “Você é tão louco! Preciso tomar um banho! Quero ficar cheirosa pra você. Quero ser mais toda tua” “Você é toda cheirosa lavada ou não lavada. Mas vá ficar mais cheirosa ainda porque teremos tempo para tudo”. “Sim. Sim. Sim. Teremos tempo! Muito tempo!”

Pela janela do quarto zuniu o vento. Enquanto saía da cama nua e negra e bela encaminhando-se para a ducha ela observava os olhos do homem a percorrer cada pedaço de sua carne. Sentiu-se poderosa e dona dos milhões de artifícios postos pela deusa Citérea nas mãos de todas as mulheres. Ele amava. Ela amava. O que será que acontecerá mais em nosso breve tempo?
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@ Copyright by Rafael Rocha - Recife, 5 de janeiro de 2012