sexta-feira, 30 de março de 2012

A MAIOR MENTIRA DE NOSSA HISTÓRIA


Dia 1º de abril. É este dia que pretendemos lembrar aqui. Eis a data negra da história brasileira forjada nos quartéis e por civis locupletados com o capitalismo internacional e com o imperialismo ianque. Esta é uma data que jamais deve ser esquecida. É uma data verdadeira onde aconteceu algo horrendamente verdadeiro, criado por pessoas verdadeiras que levaram a nação brasileira durante mais de 20 anos a ver seus patriotas, jovens e velhos, homens e mulheres, serem perseguidos, assassinados, torturados e vigiados pelos usurpadores do poder democrático. A mentira era o que eles pregavam. Mentiam quando diziam defender os ideais democráticos. Falsearam até a data do golpe, repuxando-a para o 31 de Março no intuito de iludir a população.

Primeiro de Abril não pode ser relegado ao esquecimento. Tudo aquilo que estamos a sofrer na pele, hoje, tem ligação direta com o golpe militar que extinguiu nossa engatinhante democracia da época e com os 21 anos da ditadura dos homens fardados que prenderam, arrebentaram, mataram e torturaram. E enquanto torturavam e assassinavam os idealistas, apenas porque estes sonhavam com um país democrático, os títeres civis e os castrenses buscavam agradar às corporações estrangeiras, estas sim as grandes beneficiadas com o golpe.

A sociedade brasileira foi enganada durante anos pelos militares e civis golpistas. Eles falseavam tudo, fingiam e divulgavam que nada estava acontecendo de ruim no país e para isso tiveram a mídia como cúmplice. Tal mídia, quando não se calava por conta própria ou ficava ao lado dos títeres, era abafada pela censura. Se hoje vivemos em um país mais democrático, o mérito todo é daqueles que lutaram pela legalidade, muitos sendo assassinados, torturados e perseguidos nos anos de chumbo iniciados em 1º de abril de 1964. Portanto, essa história nunca deve ser esquecida. Temos de repassá-la para nossos filhos e estes para nossos netos. Eles devem saber de tudo para que tal fato não mais se repita e que possamos construir nossa história futura conhecendo bem o nosso passado.

Não custa nada, para finalizar, citar aqui a frase dita por Hannah Arendt: "Não há esperança de sobrevivência humana sem homens dispostos a dizer o que acontece...".

quarta-feira, 28 de março de 2012

A LÓGICA DA REPRESSÃO E DO CRIME

Hoje, 28 de março de 2012, marcamos no calendário 44 anos que a polícia da ditadura militar assassinou o estudante Edson Luís, na cidade do Rio de Janeiro. Como ainda acontece nas polícias militares de todo o país a lógica da repressão e do crime ainda é um fato. Nesse dia a Polícia Militar do Rio de Janeiro não atuou como força pública.  Agiu como um bando de assassinos. Como bem salientou o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro em sua edição de 29 de março de 1968, a PM entrou em cena atacando “jovens desarmados, atirando a esmo, ensandecida pelo desejo de oferecer à cidade apenas mais um festival de sangue e morte. A Polícia Militar conseguiu coroar, com esse assassinato (...) a sua ação, inspirada na violência e só na violência”. Pouco mudou nos dias de hoje. Para honrar a memória de Edson Luís temos o dever de lutar por uma nova concepção de segurança pública e não esta que continua a se concentrar nos ditames da ditadura militar.  
Leiam mais em: http://josekuller.wordpress.com/15-edson-luis-ano-1968/

quinta-feira, 22 de março de 2012

A DITADURA DO POLITICAMENTE CORRETO

O politicamente correto é uma tremenda burrice porque condiciona todo mundo a pensar e a agir de uma forma só. A forma é e será aquela que os defensores dessa burrice consideram correta, como se eles (os defensores) fossem os donos da verdade. Pelo pensamento politicamente correto mata-se a crítica e torna a oposição a algo ou a alguém como algo abominável. Burrice que enche saco e planta raízes. Seus defensores querem que todo mundo faça parte de um consenso (o deles) e que imponha a si mesmo votos de silêncio. Este é um novo tipo de condicionamento ditatorial.

Assim, o futuro da liberdade de pensamento do homem está em jogo. A imposição de um ponto de vista particular para tornar-se única verdade universal é uma estupidez das grandes. E obrigar todo mundo a compartilhar essa estupidez fere a liberdade de pensamento. Resumindo, viver seguindo o politicamente correto é viver de rabo preso a uma ideia única e não possuir ideias próprias e voz própria. Tem algo chamado de patrulhamento. Antes era patrulhamento ideológico. Hoje mudou muito pouco sua pompa. É a patrulha do politicamente correto. É o  AI-5 dos dias atuais. Por essa cartilha todo mundo tem de falar como manda o manual.

Uma grande merda! E não venham reclamar de mim por escrever assim! Repito: é uma grande MERDA! Pois ninguém tem o direito de policiar as ideias de ninguém. Abaixo a ditadura do pensamento! E abaixo o "politicamente correto" também! Vejam no diálogo abaixo, como um patrulhador do politicamente correto se comporta:

- Boa tarde, senhor! Por favor, preencha esta ficha!

- Não vai dar! Você me chamou de senhor! Você me prejulgou. Você me chamou de idoso. E mostrou nas entrelinhas que eu sou uma pessoa com status social superior ao seu! Assim não dá!

- Peço desculpas! Quis apenas ser respeitoso!

- Rapaz, eu estou aqui para fazer uma compra. Não estou aqui procurando respeito. Quem gosta desse tipo de tratamento é burguês metido a nobre.

- Então como devo chamá-lo?

- De cidadão, de camarada, de companheiro, qualquer coisa assim! E, olhe, aqui nesta sua ficha esta incorreção que eu tenho de preencher. No item “qual o seu sexo” constam apenas duas alternativas.

- E existe outra alternativa, cidadão?

- Muitas! Aqui devia ter apenas "qual a sua orientação sexual" com um espaço em branco para ser preenchido.

- Ai, ai ai, a coisa está ficando preta!

- Cuidado, rapaz, você não deve usar essa expressão. Essa expressão define um quadro confuso, pois alude aos negros. Perdão, agora eles são afrodescendentes. Essa expressão "a coisa está ficando preta” é uma expressão racista.

- Ai, ai, ai, meu Deus!

- Fique calmo! O que você acabou de exclamar agora também é politicamente incorreto. Tem muita gente no mundo que acredita em outro deus. Como outros que cultuam vários deuses e também os que não acreditam em deus nenhum. Por outro lado, por que o seu deus atenderia particularmente ao seu chamado?

- Com licença, cidadão. Mas não posso ficar aqui conversando. Tenho de trabalhar.

- O que você quis dizer com isso? Que eu não tenho trabalho? Só porque estou vestido como uma pessoa mais jovem, como um estudante?

O mundo está hipócrita mesmo. E hipócrita demais. E intolerante! O politicamente correto é simplesmente uma merda foda inventada por homens e mulheres almofadinhas hipócritas. E quem segue o politicamente correto são homens e mulheres almofadinhas hipócritas também. Podem me chamar de politicamente incorreto. Será até um elogio que me fazem. Antes de tudo eu sou livre! E não tolero os intolerantes e consensos hipócritas. Dentro desses consensos criaram uma cartilhinha com aproximadamente 96 palavras consideradas pejorativas, entre elas: beata, comunista, funcionário público, preto, anão, bicha, viado. Delírio totalitário! Estão querendo reinventar o idioma português expurgando termos consagrados e dificultando o trabalho dos escritores no uso de metáforas. Será que vão processar Chico Buarque porque na música “Meu Caro Amigo” ele diz a um exilado que aqui “a coisa está preta”?

Pelo visto, chamar um político de ladrão é politicamente incorreto, pois ladrão é o indivíduo pobre que rouba. Político deve ser chamado de corrupto; Maconheiro é um termo ofensivo a quem é usuário de maconha, ou para quem defende a legalização da mesma; Palhaço é um termo que ofende a dignidade do profissional que trabalha no circo, até que faz sentido, se comparado com os outros casos citados; Barbeiro é ofensivo ao profissional da barbearia. Aliás, por que será que o motorista ruim é chamado de barbeiro? Sapatão é um termo depreciativo às mulheres homossexuais, o termo correto a se usar deve ser lésbica; Viado é um termo que ofende os animais chamados veados. O termo correto deve ser gay.

Pelo que vejo e conheço neste mundo atual regido pelo patrulhamento do politicamente correto é uma troca de palavras simples e curtas por expressões longas e até mesmo complicadas para pronunciar. Portanto, a palavra negro, tão simples e de apenas duas sílabas, é substituída por afro-descendente com seis sílabas e a palavra deficiente é trocada por portador de necessidades especiais. Claro que defendo a existência de razões corretas para não usar palavras carregadas de preconceito, mas... Considero que a solução definitiva é deixar de enxergar preconceito nas palavras. Por que não chamar de negro alguém que tem a pele negra? Por que não chamar de deficiente alguém com deficiência visual, auditiva etc? O preconceito não está na palavra, mas na cabeça de quem escuta a palavra.

Sinceramente, esse negócio de politicamente correto é algo utilizado pelas oligarquias que dominam o planeta com a intenção de desorganizar os países. Obrigando por lei e por cartilhas a que a população siga um pensamento único essas oligarquias corroem as bases conceituais tradicionais dos países menos poderosos, os periféricos (e são esses que possuem grandes riquezas naturais) para, esfacelá-los cultural, ideológica, política, social e moralmente. Dessa forma, as oligarquias conseguem desenvolver o chamado “novo colonialismo”, mantendo consigo o poder econômico e cultural do mundo.

Portanto, como bem salientou o jornalista português Henrique Raposo, no jornal Expresso de Lisboa (23/04/2010),O politicamente correto não é uma ideologia coletiva. É, isso sim, uma crença privada. Mas, atenção, é uma crença privada partilhada, em silêncio, por milhões. É um manual de comportamento e de policiamento do pensamento e do vocabulário”.

segunda-feira, 19 de março de 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

A DITADURA DA PALAVRA DE DEUS

Nada melhor do que a transparência. Nada melhor que a liberdade. Nada pior do que uma máfia. Nada pior do que uma ditadura mafiosa. E, nos dias de hoje, nada pior do que a máfia evangélica que pretende impor um novo pensamento único ao povo brasileiro. Eles começam a iludir aquelas pessoas que não têm pensamento: os ingênuos e os iletrados. E também conseguem alcançar as pessoas que têm medo de pensar por elas mesmas.

Escondidas por trás do nome de um deus, com imenso poder financeiro e recebendo apoio até do Governo Federal (algo que não pode acontecer em um sistema laico como manda a Constituição Brasileira) essas sociedades evangélicas são o mais novo germe ideológico da direita radical, que sob o nome Igreja de Deus propagam ideias tendenciosas com o único fito de açambarcar a qualquer momento o poder.

O pior de tudo é que não é apenas uma igreja, mas um grupo de igrejas. Impossível acreditar que um governo comandado por uma mulher que passou horrores durante a ditadura militar fique de braço dado com um cara chamado Marcelo Crivella e outros da mesma espécie. Está na cara que a máfia evangélica está criando uma ditadura da palavra de um deus no país, que pelo visto será muito pior do que a ditadura militar. Abra os olhos enquanto é tempo Dilma Rousseff!

Quantas empresas para lavar dinheiro essas igrejas fazem atuar no Brasil e fora do Brasil? E o mais espantoso é a paralisia da Justiça brasileira que não toma uma atitude séria no que diz respeito aos crimes cometidos pelos “bispos” dessas igrejas. A máfia do sr. Edir Macedo conseguiu, nos últimos anos, locupletar-se com mais de R$ 8 bilhões. E ainda possui uma rede televisiva que propaga aos quatro cantos do país esse perigoso fanatismo religioso. Toda essa dinheirama é verdadeira, pois as apurações desses crimes foram feitas por instituições de credibilidade como o Ministério Público e a Polícia Federal.

Mas pelo visto a tramóia é muito mais extensa. A tal Igreja Universal do Reino de Deus quer o país para ela. Quer acabar com o Estado Democrático de Direito. Agora possui até partidos políticos alugados no Congresso Nacional e uma Frente Parlamentar Evangélica cujo objetivo é apenas fazer lavagem cerebral na população que não gosta de raciocinar. Manipula o Executivo e manipula o Congresso.

E tem coisa ainda mais perigosa que essa. Eles querem a todo custo aprovar leis nos Estados tornando o ensino religioso obrigatório. Isso é anticonstitucional. Isso ataca o principio maior da liberdade de crença, inclusive o direito de ser ateu. Além do mais, essa máfia pretende tornar crime legal as práticas afro, como o candomblé etc.

Temos de ficar em estado de alerta máximo. Não podemos "dormir no ponto" e deixar que essa máfia evangélica tome conta do país. Lembremos 1964. Lembremos as torturas, Lembremos os desaparecimentos. Lembremos a intolerância política e contra a liberdade de pensamento. Homem e mulher que falam em nome de um deus são mais perigosos do que fardas verdes-olivas. Fiquemos cientes que a pretensão dessas seitas é de imprensar o homem livre contra a parede e impor a crença no deus deles para dominar os pobres de espírito.

Infelizmente, os fanáticos religiosos acreditam que todos devem ser obrigados a aceitar a crença deles e que eles têm o direito de nos converter. Isso é uma falta de respeito com aqueles que não querem nem pretendem aceitar a religião deles. Pelo sim e pelo não fica o alerta: do jeito que anda a carruagem eles estão tentando fazer o Brasil se transformar em um país controlado pelas igrejas evangélicas do mesmo jeito que os países árabes são controlados pelo Islã.

Só para exemplificar: uma coisa vergonhosa teve palco na Câmara dos Deputados. Uma deputada de nome Lauriete transformou a sessão parlamentar em um culto. Realmente, a cada dia que passa os evangélicos cometem crimes contra a Carta Magna e fica por isso mesmo. Nenhum deputado foi republicano o suficiente para argumentar que o Brasil é um estado laico e que não cabe ao Congresso nacional comemorar o aniversário de qualquer igreja com um culto dentro da Câmara. Muito menos transformar a casa, que deveria ser do povo, na casa dos seguidores de uma religião!

NATUREZA


Na fase imatura
A alma perde o tempo
Da espera
Quer ser correnteza
À esteira do mar.

Na maturidade
A alma busca o freio
Do tempo
E conta as estrelas
Perdidas sobre o mar.
....
@Copyright by Rafael Rocha - Recife-PE

segunda-feira, 12 de março de 2012

POETAS

Quantos somos dentro das nostalgias
Ou das angústias dos sonhos irredentos
Que pelos lábios da mente escrevemos
Com símbolos e mil alegorias?
Havendo céu: Pássaros seremos.
Um deus voando sobre uma flor noturna
E um espírito chorando sob a chuva
De uma ária taciturna.

Quantos somos?... Não sei... Disse um poeta
Somos talvez um lago cristalino.
Um pântano rodeado de ninfetas.
Um espelho além do genuíno.
Ou ainda no enigma dos versos
Um pária errante dentro do céu errado.
Uma escória saída do Inferno.
Um Lúcifer enganado.

Quem somos?... Não sei... Quem sabe a vida
Escondida no zodíaco dos aedos?
Inconstantes, amantes e libertos
E possuídos pela coragem do medo?
Na verdade somos seres catastróficos.
Edifícios sem infra-estrutura.
Com a mesma tendência mitológica
Dos titãs caçadores de aventuras.
......
@Copyright by Rafael Rocha - Recife-PE

sexta-feira, 9 de março de 2012

RECIFE E OLINDA – TERRAS LIBERTÁRIAS

Existem dias em que precisamos falar de nossa casa, de nossa terra e de nossa gente. Neste espaço virtual muitas pessoas são brasileiras, estrangeiras e outras são nordestinas deste nosso grande país. Por que não lembrar a todos que vivemos em um espaço mais amplo de mundo? A data é preciosa para recordar e falar do Recife, a capital de Pernambuco, a metrópole do Nordeste, e da bela cidade de Olinda. Em 12 de março, ambas as cidades fazem anos. Olinda 477 e o Recife 475.

A cidade do Recife, capital de Pernambuco, representou e ainda representa o poder da criatividade e da aventura. Isso tanto no plano do desbravamento do espaço como no de produção intelectual. Essa produção intelectual chegou tardiamente, mas quando chegou foi potente e dinâmica, desde o surgimento do primeiro movimento intelectual com a Escola de Direito, que foi criada no ano de 1827, em Olinda, transportando-se depois para o Recife.

A maravilhosa Olinda, cantada em prosa e verso por tantos bardos, foi a primeira cidade pernambucana de grande relevo. Foi nela que Bento Teixeira lançou a sua Prosopopéia, no Século XVI, poema épico em homenagem ao capitão governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Também nesse poema, a cidade do Recife recebe sua primeira apresentação:
Um porto tão quieto e tão seguro / Que para as curvas naus serve de muro”.

Em Olinda se faz presente a arquitetura colonial portuguesa, muitas igrejas e tesouros sacros, conventos, mosteiros, e mais os imponentes sobrados e casarões senhoriais. Nesses casarões podem ser observados beirais de três águas, asas de andorinhas, janelas de guilhotinas e preciosas fachadas recobertas de azulejos de grande beleza. Olinda teve grande influência das três culturas que nela disseram presente: a européia, a africana e a indígena e hoje é considerada pela Unesco Cidade Patrimônio Cultural da Humanidade.

Olinda e Recife são cidades gêmeas e irmãs, ainda que tenham entrado em guerra no passado. A conhecida Guerra dos Mascates, entre 1710 e 1711. As lideranças de Olinda não aceitaram que o Recife ganhasse oficialmente a condição de vila e tentaram matar o governador Sebastião Caldas que conseguiu fugir para a Bahia, deixando Pernambuco sem governo e provocando graves confrontos de rua como a destruição do Pelourinho do Recife. Muitos choques ocorreram entre os habitantes das duas cidades, até a chegada do novo governador, Félix Machado, que apaziguou os ânimos, mas manteve o título de vila para o Recife, mesmo a contragosto dos olindenses.

No cenário da pátria brasileira o Recife se destacou como sede das três mais importantes revoluções libertárias da nossa História, todas ocorridas no século 19: a Revolução Republicana,em 1817; a Confederação do Equador, em 1824; e a Revolução Praieira, em 1848. A primeira é considerada como o único dos movimentos coloniais do Brasil que conseguiu passar da fase meramente conspiratória - ao contrário do que aconteceu com a Inconfidência Mineira (MG) e com a Revolta dos Alfaiates (BA). Já a segunda foi um movimento de caráter separatista, que incluiu ainda o Ceará, a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Nessa revolução surgiu o maior mártir de Pernambuco, o Frei Caneca. Já a terceira foi o último movimento liberal e interno ocorrido no 2º Reinado do Brasil, revelando heróis urbanos e marcos históricos da luta dos liberais contra os conservadores, como a Rua da Praia.

As duas cidades estão em festa! Hoje, elas não mais guerreiam entre si para uma ter preponderância sobre a outra. Pelo contrário, crescem tanto em termos de população, nas condições socioeconômicas, como socioculturais. E eu, pernambucano, como muitos outros pernambucanos tenho orgulho de ter nascido no âmbito das duas cidades, de trazer para este espaço algo da história delas e de parabenizar pela passagem da data tanto os olindenses como os recifenses.

terça-feira, 6 de março de 2012

TODOS OS DIAS SÃO DIAS DAS MULHERES

Neste 8 de março saúdo as mulheres pela passagem do seu dia mais especial: o Dia Internacional da Mulher. Beijos, abraços e paz a todas aquelas que no mundo inteiro desempenham a vida e valorizam a cultura. Parabéns às lutadoras que buscam conquistar seus espaços no mundo. Caríssimas: é um grande privilégio compartilhar da companhia e da amizade de vocês e de saber das suas vitórias e participar dessas vitórias ao vosso lado.

Na realidade, todos os dias são dias de todas as mulheres. Não podemos e nem devemos ficar reféns de apenas uma data. Isso é apologia capitalista para vender presentes e encher os shoppings centers. As mulheres merecem ser lembradas e homenageadas durante todos os 365 dias do ano, durante as 24 horas do dia, a cada minuto e segundo de nossas vidas. Sejam elas as mais humildes mães, as mais ricas empresárias, as trabalhadoras, as donas de casa, mulheres que são companheiras, amantes e amigas de seus homens, tanto que fazem as 24 horas do dia tornarem-se cada vez mais preciosas ao darem objetivo ao sentido da vida.

Sabemos o quanto as mulheres movem o mundo desde priscas eras. Elas possuem uma equilibrada mescla de sensibilidade para alcançar a justiça, inclusive determinação e pragmatismo para atingir as metas que pretendem. Pelo que conhecemos até agora, as mulheres conseguem evitar que o mundo descambe definitivamente para o caos irreversível. Indo mais longe: são elas que estabelecem um ponto de equilíbrio nas relações humanas. É assim na sociedade e na família. São elas que arregaçam as mangas quando a situação exige ação urgente. São elas que estão sempre mais atentas para a necessidade dos outros, em casa ou fora de casa.

Assim, este 8 de março é um dia especial. Vale lembrar: no ano de 1857, em Nova Iorque, ocorreu a primeira greve liderada somente por mulheres. Operárias de uma fábrica de tecidos. Lutavam por melhores condições de trabalho, bons salários, tratamento digno. O resultado desse movimento foi a morte de 129 moças, carbonizadas dentro da fábrica, pela repressão capitalista. Mas o dia ficou marcado para sempre. As mulheres a partir dessa data começaram a lutar por reconhecimento e independência.

Em homenagem a essas 129 moças assassinadas na fábrica, decidiu-se, no ano de 1910, na Suécia, que o dia 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher. A ONU só oficializou no ano de 1975. O objetivo maior desse dia não é somente o de homenagear e comemorar. É um dia especial para que possamos discutir e melhorar o papel humano na sociedade. Encontrar formas de acabar com o preconceito, a violência, o desprestígio e a desvalorização.

Camaradas, também vale assinalar aqui que o marco maior do Dia Internacional da Mulher aconteceu em 1917, ano da revolução bolchevique na Rússia, quando este país saiu oficialmente da Primeira Guerra Mundial destroçado e com pelo menos dois milhões de mortos, para tentar reconstruir-se. Nesse ano, as mulheres novamente optaram por celebrar seu dia e lutar pela paz no último domingo de fevereiro. Assim, as russas iniciaram uma greve geral por "pão e paz". Os líderes políticos do país posicionaram-se contra o movimento, alegando que era um péssimo momento para ele ocorrer. Mas elas seguiram adiante. A vitória do movimento feminista na Rússia ficou marcada na História e passou a ser referência no mundo inteiro. O domingo em questão caiu no dia 23 de fevereiro. Na época, o calendário russo era diferente do ocidental. O Ocidente vivia o 8 de março.

Muito antes de tudo que já citamos, na época da Revolução Francesa, outra mulher lutou pelos direitos femininos e terminou na guilhotina no dia 3 de novembro de 1793.Olympe de Gouges uma francesa feminista, revolucionária, jornalista, escritora e autora de peças de teatro. Foi uma defensora da democracia e dos direitos das mulheres. Na sua Declaração dos direitos das mulheres e da cidadã (em francês: Déclaration des droits de la femme et de la citoyenne) de setembro de 1791, ela desafiou a conduta injusta da autoridade masculina e da relação homem-mulher que expressou-se na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão durante a Revolução Francesa.

Lembro aqui que nos tempos de hoje as mulheres são as lutadoras mais dinâmicas de nossa sociedade. No Brasil temos uma presidente. Um fato inédito em nossa história. Na Argentina, idem. E muitas outras mulheres, desde as revolucionárias operárias nova-iorquinas, seguindo ainda o rumo das soviéticas, continuam a lutar por melhores condições de vida. Assim, nada mais justo que prestar homenagem a elas, seres humanos e parte intensa do nosso cotidiano. E vale a pena perguntar: o que seria de nós, homens, sem as mulheres?

quinta-feira, 1 de março de 2012

MULHERES - AS PERPETUADORAS DA ESPÉCIE HUMANA

Colírio especial para os olhos. Assim assinalo este início de março. Dentro de alguns dias estaremos dando abraços e beijos nelas que são a nossa necessidade de vida: as mulheres! Como diria Vinicius: as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental! Sigo essa máxima e vou mais longe ainda. Beleza junto com inteligência é mais fundamental ainda. Uma tem de se completar com a outra.

Mas a mulher bela pode não possuir neurônios que de uma forma ou de outra tem de ser homenageada e lembrada. Louras, morenas, ruivas, negras, amarelas, pardas, albinas, sararás, caboclas, mestiças todas. Se não fossem elas, o que seria da raça humana? Onde encontrar prazer e onde fazer a perpetuação da descendência? O que seria de nós, homens, se não existissem as mulheres?

Até que solicitaram a mim: escreva um poema para o dia delas que acontece em 8 de março. Um poema? Nada disso. A galhardia e a beleza feminina já são um poema ousado e especial. O verdadeiro poema vem delas mesmas com toda a picardia possível. A espécie humana tem de agradecer à deusa mulher. Se  a mulher não existisse nem quero pensar em como a existência seria vazia.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

LITERATURA, LIVROS, FILOSOFIA, IDEIAS

Agora, depois das festas carnavalescas em todo o mundo é que o ano 2012 começa de verdade. O que tratar neste início de novo tempo humano? Sobre qual assunto agradável ou polêmico para escrever aqui neste espaço? Que tal falarmos naquela transfiguração do real, ou seja, o que o artista cria por meio de seu espírito e imaginação, transmitindo através da língua para os gêneros?

Através da literatura, dos personagens dos livros e da filosofia, passamos a viver numa outra dimensão, muito além da nossa própria realidade. A realidade primitiva se perde quando o escritor e o filósofo põem no papel suas ideias e nasce outra realidade de acordo com a imaginação de quem a escreveu. Na verdade, o escritor, o poeta, o artista plástico dedicam suas vidas ao que não é real, mas que reside dentro deles, dentro de suas diversidades humanas. Assim, a busca pelo conhecimento é insana. Porque conhecimento é poder.

Quando se busca o conhecimento os homens são capazes de fazer magia. Tal como escrever um livro e liberar personagens. O livro é um ser libertário e seu conteúdo nos remete a diversos rumos dentro de nossas mentes e cria também muitas fantasias. Por tais motivos, ele foi perseguido duramente por todos que pretendiam incutir no homem o pensamento único. Ditaduras do pensamento colocaram no fogo muitos livros, querendo incutir na mente humana uma só ideia, mas felizmente não conseguiram ter sucesso nessa empreitada, pois, o homem, o leitor na busca da magia do conhecimento, busca sempre a diversidade.

Que tal diversificarmos nossa viagem e mergulharmos na leitura de Fahrenheit 451, livro escrito por Ray Bradbury? Em Fahrenheit 451, as pessoas viviam num tempo em que as casas eram todas iguais e ligadas a um sistema de televisão. Os cidadãos não tinham o direito de ler. Todos os livros eram queimados e os seus donos sentenciados à morte. O livro apresenta o mundo como um lugar distópico, seguindo a linha de outras obras também nossas conhecidas - 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.

Na realidade, tratando-se de literatura sabemos quanto o livro luta contra a ditadura do pensamento. Ele não pode ser único e contar uma só história para simplesmente “lavar” as mentes humanas, visando um determinado fim catequético. Sim, porque a ditadura deseja não somente controlar o corpo das pessoas, mas se apossar da mente e da consciência delas. Em Fahrenheit 451, com a proibição da leitura, as pessoas ficavam à mercê da propaganda do Estado. Mas um grupo de pessoas começa a resistir, decorando livros inteiros, para passá-los às outras. Tornam-se assim bibliotecas vivas. E é isso que os manipuladores da mente humana detestam, entre eles, o Estado Autoritário e as religiões. Esses desejam apenas acabar com o direito humano de pensar.

Abonados somos todos nós que temos o prazer de possuir livros e mais livros em suas todas diversidades dentro dos espaços de nossas casas. Abonados somos nós que podemos sair de uma Ilha do Tesouro, de Stevenson, e mergulhar em Anos de Tormenta, de A. J. Cronin, depois de uma passagem pela Utopia, de Tomás Morus, ou de um mergulho nas Vinte Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne. Abonados ainda mais são aqueles que adormecem tendo ao lado o libertador de suas fantasias mais excitantes: o livro.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

O CARNAVAL ESTÁ NAS RUAS

Mais um Carnaval! A festa mais esperada do ano está de volta. As chaves das principais cidades brasileiras estão agora nas mãos do Rei Momo. Em Pernambuco, o povo solta-se ao ritmo do frevo e ao batuque do maracatu. No Rio de Janeiro, as lágrimas derramadas em 2011, e mais recentemente, serão enxugadas no Sambódromo, ao ritmo do samba. Em Salvador, esperemos que todos os santos da terra negra acordem e que os irmãos baianos saiam mais uma vez correndo felizes atrás dos trios elétricos.
 

Desde que 2011 chegou ao fim que as mentes de homens e mulheres do Brasil estão voltadas para a folia de Momo. O sangue dionisíaco e libertino corre nas veias dos habitantes da terra brasílica. Parece até que nossas vidas dependem dessa algazarra que começa oficialmente no sábado, 18 de fevereiro. No Recife, a apoteose do Galo da Madrugada – o maior bloco carnavalesco do mundo – abre alas para a criatividade e a alegria humana nesse dia.

Carnaval no Brasil serve como uma válvula de escape para os problemas do cotidiano. Carnaval no Brasil é um tempo para o povo liberar a adrenalina e reinar soberano sobre seus governantes. Carnaval no Brasil é tempo de paixão. Amor e sexo misturam-se. São fugazes e passageiros, claro, mas é no Carnaval que seus prazeres são mais constantes e libertos dos preconceitos e discriminações.

Os catastrofistas lembram que falta pouco tempo e este será o último carnaval do planeta antes do fim do mundo, de acordo com a profecia maia. Então, meus camaradas, se o mundo que conhecemos vai acabar de fato, o que estamos a fazer aqui parados? Vamos nos esbaldar em nossas paixões! Vamos cair no samba! Vamos rebolar e saracotear ao ritmo do maracatu! Vamos frevar, ferver! Nada mais nos restará? Restará, sim. Restará a certeza de que não perdemos tempo e curtimos até o fim a vida.

O Carnaval de Pernambuco, particularmente o do Recife, tem história cultural vinda de tempos muito longínquos. A burguesia tentou sempre fazer com que o Carnaval recifense ficasse restrito às elites. Os seus clubes Cavalheiros da Época, Cavalheiros de Satanás, Nove e Meia do Arraial, Conspiradores Infernais, Fantoches do Recife abrilhantavam o reinado momesco pelas ruas da capital pernambucana com cortejos de carros alegóricos. Com o passar dos tempos a cultura carnavalesca do Recife ganhou novos rumos para felicidade geral da população pernambucana.

Os chamados clubes do povão nascidos no Recife, inspirados no decano Caiadores (1886), adotaram por nomenclatura termos evocativos do trabalho com o qual estavam acostumados a lidar: Vassourinhas (1889), Pás (1890), Lenhadores (1897), Vasculhadores, Espanadores, Abanadores, Empalhadores, Ciscadores, Carpinteiros, Marceneiros, Sapateiros, Funileiros, Pescadores, Charuteiros, Talhadores, Suineiros da Matinha, Engomadeiras, Quitandeiras de São José, Chaleiras de São José, Parteiras de São José, Costureiras de Saco, Caixeiras, Cigarreiras do Recife, Cigarreiras Revoltosas, Talhadores em Greve, Malhadores em Greve, Mocidade Operária, Lavadeiras e outros. Muitos já se extinguiram. Vassourinhas, Pás, Lenhadores, Lavadeiras de Areias continuam vivos.

De repente, eis Sua Majestade, o frevo. O ritmo veio da troca espontânea entre os despretensiosos e ágeis foliões e as orquestras de metal, geralmente formadas por bandas marciais. Aos poucos foram sendo criadas as marchas carnavalescas. Sempre na rua, sob o delirar dos corpos suados, seguindo-se os dobrados de inspiração militar, polcas, maxixes, quadrilhas e modinhas. Todos esses ritmos foram nascendo entre os anos de 1905 e 1915, ganhando novas formas e combinações e deles saiu o frevo pernambucano, embora a música ainda não fosse assim chamada. Num crescendo, o Carnaval do Recife alcançou os tempos de hoje. São tempos modernos, mas a Sua Majestade, o frevo, continua a reinar. O alucinante ritmo, nascido da alma do povo, já é totalmente consagrado como símbolo da identidade cultural pernambucana. Para sempre!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

RABISCOS PARA UMA EXPLICAÇÃO DE AMOR


Tudo que conquisto eu mereço
E do amor que ofereço
Trago o brinde do começo
Sem esperar seu fim.
Sonho iluminado que atravessa
Todos os caminhos da promessa
E que nunca cessa
De brilhar dentro de mim.

Não sei se verás como ele vem.
Será que verás o seu também?
Mas não obrigarei ninguém
A sentir igual a mim.
Por isso eu quero agora
Ter você a toda hora
Sem esperar a aurora
Pois eu não penso em partir.



Portanto estarei presente
No seu abraço quente
Ou num beijo diferente
A dizer como sonhar.
Você sentirá minha alma pura
Cancelando qualquer velha amargura
Ouvindo com emoção a minha jura:
É tão maravilhoso amar!

Você terá de aceitar essa verdade.
Irei fazer o maior alarde
Pois não quero chegar tarde
A lhe envolver no anseio meu.
Eu sei o quanto ele vale a pena
Como agora nesta canção pequena
Rabiscada naquela noite amena
Quando sua ternura me envolveu.

Pode acreditar: serei a sua planta
Mesmo a seca no Nordeste sendo tanta
E os falsos líderes digam: Não adianta
Tentar sequer plantar.
Serei seu caso de nordestinado
Mandacaru alado
Solo esturricado
Para você irrigar.

E pássaro num voo libertino
Vou ao encontro do seu destino
Escrevo pelos poros nosso hino
E rabisco de amor a explicação:
Mulher Nordeste, viva nos meus braços.
Mulher Recife, vem voar nos meus espaços.
Você envolta em coloridos laços
Para fazer feliz meu coração.

............................
Uma raridade minha - escrita no Recife, no ano de 1986.
@Copyright by Rafael Rocha

sábado, 4 de fevereiro de 2012

CORAÇÃO NA MÃO


O amor nada ofertou
Na paralisação do mundo
Ainda existe embargo ao redor
De mim

Um tempo existe perdido
No campo sem cor da saudade
Nesse estranho e profundo precipício
Da vida

Continuo a abrir os braços
Mendicante eterno de um sonhar
Vivo o presente nesse espaço
De fim

Voa, alma cega, voa ave humana!
Leva na mão o coração partido
E canta a ilusão a desandar
No peito

Um pária só em meu desterro
Sem pátria e sem amores
Deixo as lágrimas a deslizar
No rosto.

Saber realista o dia agora
Fumar um cigarro, beber um vinho
Sou apenas um poeta sem história
Escrita

E coração partido na tua mão
Engaiolo a vida dentro da vida
Ainda busco o calor do abraço
De algum mundo

..............
@Copyright by Rafael Rocha - Recife, 4 de fevereiro de 2012

ODE DO TEMPO

Há um tempo preciso
Para desprezar outro tempo
Para escrever outros versos
Quase iguais aos momentos
Da velha solidão

Há um tempo necessário
Para nos tornarmos vários
Para amar um grão de areia
E dançar sob a força dos ventos
Da antiga solidão



Há um tempo comovido
Para chorarmos o que fomos
Para o sonho a se esvair
E a sumir no tempo como névoa
Na mais grave solidão

Há um tempo sem tempo
Para ser o mais novo tempo
Para adormecer com nossa carne
Antes dela sumir e ser terra
Na eterna solidão

Há um tempo impreciso
Para nascer em outro tempo
De outros versos sem motivos
Para definir os tormentos
Da minha solidão.
....................................
@ Copyright by Rafael Rocha – Recife 4 de fevereiro de 2012-02-04

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ANSEIOS


 Se eu tiver anseios de voar à lua
Terei de criar um míssil de estrelas
Alçando voo tenho de sabê-las
Para a rima não sair tão crua
Dentro da paisagem noturnal.

Sem a rima farei uma viagem
No farrapo de um velho cometa
Centelhando em busca de uma meta
Do tesouro sem ouro ou miragem
Qualquer coisa natural.

A lua poderá ser o corpo leve
Da mulher que um dia acondicionou
Meu nome, meu sexo e meu amor
Abrindo alas à chuva e à neve
Para a paixão outonal.

De Ícaro ganharei asas modernas
A esta sede de voar na emoção
De uma nova e límpida canção
O tempo novo e as almas hodiernas
Marcam o caminho do final.

Tendo anseios de voar à noite
Com asas macias e mais leves
Da poesia dessas coisas breves
Homem estarei sempre em pernoite
No teu corpo, minha amada casual.

Canta em mim o vício da paixão
E a máxima de quando é se entregar
Na vertigem do prazer de amar
Gosto de perder a razão
E ser eterno, único e total.
.........
@Copyright by Rafael Rocha – Recife, 03 de fevereiro de 2012

domingo, 29 de janeiro de 2012

DUAS DATAS HISTÓRICAS NA MINHA VIDA DE ESCRITOR

Neste ano de 2012, no dia 26 de janeiro, recebi Menção Honrosa, no prêmio Vânia Souto Carvalho da Academia Pernambucana de Letras (APL) pelo meu livro OLHOS ABERTOS PARA A MORTE, referente ao concurso literário do ano de 2011.    
No ano de 1989, também no dia 26 de janeiro, fui agraciado com o primeiro lugar na APL, prêmio Leda Carvalho, pelo meu livro O ESPELHO DA ALMA JANELA E OUTROS CONTOS, referente ao concurso literário do ano de 1988. O tempo passa. A história fica.

sábado, 28 de janeiro de 2012

QUEM CONSTRÓI UM SER?

Escrevi “Olhos Abertos Para a Morte” quase sem intenção alguma. Talvez porque tenha sentido dentro em mim a necessidade de colocar em pauta causa e efeito, efeito e causa. Quem constrói um ser? Esta deve ser a pergunta principal quando o leitor terminar de ler o livro. Claro que eu possuía convergências variadas e pessoas variadas para dar vazão ao pensar quando escrevi este pequeno romance. Principalmente na ligação com o ser chamado capitão Fernando Clemens. Um ser que muitos irão julgar diferente e perigoso e maléfico, esquecendo que ele era simplesmente um ser humano sofrendo a construção da vida no corpo e no espírito, dentro e através. As culpas de ser no mundo de qualquer pessoa, na realidade, estão ligadas à vertiginosa construção da vida e essa construção às vezes nem vem da própria pessoa, mas daqueles que a coordenam desde a infância, pais, colegas de escolas, professores, amigos. O capitão Clemens é apenas um retrato. Todos nós somos retratos de quem nos fizeram seguir um determinado rumo. Criamos um caráter? Criamos uma consciência? Criamos uma personalidade? Ou será que tudo isso nos foi embutido durante nosso crescimento como gente? Pensemos!

A seguir, trechos do livro ainda inédito para que os seguidores deste meu blog possam curtir. Em tempo: estarei lançando este livro no mais tardar em março de 2012.

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Acordava sempre às seis da manhã e após o desjejum sua mãe o levava até a parada do ônibus, no rumo da escola. Era um aluno aplicado. No entanto, sua aplicação baseava-se no simples fato de que se não cumprisse o que lhe era ordenado, iria sofrer as penas do inferno. Uma vez, gazeou dois dias de aulas por conta própria, passeando de trem desde a estação de Jaboatão à do Recife. Seu pai soube. O carrancudo coronel do Exército, Wellington Clemens, acorrentou-o no quarto no fim de semana. Colocou livros e cadernos no chão. Abriu-os, mostrando os deveres ainda não feitos.

Sentiu-se despido vagarosamente. Nu, amarrado pelos pulsos a um dos caibros do telhado, viu seu pai vendar-lhe os olhos. Escutava o pranto da mãe vindo de algum recanto da casa. Tentou gritar, mas estava com a boca amordaçada. “Lembre-se que isso é para o seu bem! Não coloquei filho no mundo para ser outro vagabundo de merda!”, escutou o pai dizer.

A primeira vergastada alcançou suas nádegas. Era o cinturão de couro de jacaré do pai. A segunda vergastada atingiu suas costas. A terceira novamente suas nádegas. A partir daí, começou a ser surrado com calma, sem clemência, para que pudesse sentir a dor e a agonia. Nas nádegas, nas barrigas das pernas, nas costas. O cinturão atacava metodicamente. A dor era insuportável. Como não podia gritar, o corpo suava, parecendo pedir socorro. “Para você lembrar que isso é para seu bem! Eu penso no seu futuro! Filho meu não vai ser qualquer vagabundo safado!”, escutava a voz do pai, e lá vinha outra vergastada do cinturão de couro de jacaré.

Tinha perdido a conta de quantas chibatadas levara naquele dia. Mas desse momento em diante aprendera que a obediência era a única solução possível. Não tinha força alguma para enfrentar o tamanho de homem que era seu pai. Após a surra, a venda foi retirada junto com a mordaça. “Você mereceu isso, rapaz! Fiz isso para seu bem. Não falte mais as aulas. Estude! Olhe seus cadernos no chão. Vai estudar, não vai?” Olhou para o pai. A mãe agora estava ao seu lado, com um pano úmido a passar no seu corpo castigado. A pele estava rubra devido às vergastadas. Anuiu com a cabeça. E começou a pegar os livros e a levá-los até sua mesinha de estudo no quarto.

À noite, antes de dormir, o coronel Clemens o chamou até a sala. Tinha 13 anos quando isso aconteceu e desde esse dia, descobriu que obedecer tem de ser com dor. “A partir de hoje, antes de dormir, vamos cantar o hino”, disse o pai. “Qual hino?”, perguntou ele. “Nosso hino! O hino que faz os homens serem fortes!”

Aprendeu rápido a cantar. Todas as noites antes de dormir, lá pelas nove horas da noite, ele e o pai se juntavam na sala de estar e cantavam: “Nós somos da Pátria a guarda / Fiéis soldados / Por ela amados / Nas cores de nossa farda / Rebrilha a glória / Fulge a vitória. / A paz queremos com fervor / A guerra só nos causa dor / Porém, se a Pátria amada / For um dia ultrajada / Lutaremos sem temor.”

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

FESTA DA ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS - 111 ANOS

Rafael Rocha recebendo o prêmio de Menção Honrosa
O dia 26 de janeiro de 2012 foi dia de festa na Academia Pernambucana de Letras, com a posse de Fátima Quintas como presidente e entrega dos prêmios literários aos vencedores das mais diversas categorias.  Eu, este vosso camarada, fui agraciado com MENÇÃO HONROSA, no prêmio Vânia Souto Carvalho, de Ficção, pelo meu romance OLHOS ABERTOS PARA A MORTE. A vencedora nessa categoria foi minha dileta amiga Patrícia Gonçalves Tenório, pelo livro “COMO SE ÍCARO FALASSE“. Eis os outros premiados: Prêmio Amaro Quintas – História de Pernambuco – Lêda Rejane Accioly Sellaro pelo livro “Educação e Religião: colégios protestantes em Pernambuco na Primeira República” (anos 20); Prêmio Antônio Brito Alves – Ensaio – Anco Márcio Tenório Vieira pelo livro “Dante e a construção da reforma cristã”, com Menção Honrosa para Alfredo Sérgio Magalhães Jambo, pelo livro “Investigação de Giambattista Vico”; Prêmio Edmir Domingues – Poesia – Marcos Antônio Soares de Andrade Filho, pelo livro “SPOLLIVM”, com Menção Honrosa para José Antônio da Silva, pelo livro “Poe – Arrecifes”, e Lúcio Roberto Ferreira, pelo livro “A Ponte e a Travessia”; e por fim, Prêmio Elita Ferreira – Literatura Infantil – Patrocinado pela Editora Bagaço, com Menção Honrosa conferida a Antônio Nunes Barbosa Filho, pelo seu livro “Contação: uma historinha para cada dedo da mão”. Após a sessão solene com a transmissão do cargo de presidente de Valdênio Porto para Fátima Quintas, os jardins da Academia transformaram-se em uma grande festa com direito a corte de bolo e muita alegria.
Veja o vídeo da festa: http://g1.globo.com/videos/pernambuco/bom-dia-pe/t/edicoes/v/fatima-quintas-e-a-nova-presidente-da-apl/1786489/
Eu com o diploma de MENÇÃO HONROSA



Minha mulher, eu com o diploma, Valdeci Ferraz e Marileide
Eu e Patrícia Tenório, a vencedora da ficção
Patrícia e eu, vencedores da ficção

Fátima Quintas, presidente da APL, discursando

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

JÁ É CARNAVAL NAS RUAS DAS PRINCIPAIS CIDADES BRASILEIRAS


Recife - Galo da Madrugada
Sim, ele já bateu nas portas das cidades, camaradas. Já é tempo de festa. De alegria. Já é tempo de esquecer as agruras da vida. Já é tempo de vestir a fantasia e sair às ruas. No Recife, a festa está presente em vários quadrantes. Em Olinda, o rei Momo vai prevalecer com toda a sua majestade. Em Salvador, o pobre faz seu abadá e deixa de comer para entrar no cordão do trio elétrico. No Rio de Janeiro, as escolas de samba começam a processar os ritmos, as cores, os carros alegóricos e as fantasias lantejouladas e brilhantes. O Carnaval no Brasil é um marco muito mais importante do que a virada do ano do calendário.

No Carnaval o país se transforma. As pessoas se transformam. Os pudores cotidianos são esquecidos. Os desejos obscenos alcançam a flor da pele. Tudo é permitido. Foliões entram em transe coletivo, numa catarse de seus anseios oprimidos no cotidiano em nome da alegria geral. No Carnaval ninguém precisa dissimular. Todo mundo se entrega à libertinagem, à bebedeira, à dança e aos folguedos.

A cultura popular brasileira é representada em todos os seus aspectos no Carnaval. Mistura-se tudo num caldeirão. Tradições populares e pagãs. Personagens míticos e folclóricos. Baco. Momo. Pierrôs. Colombinas. Baianas. Corpos nus e seminus saracoteiam nas ruas. E tudo exala luxúria, sensualidade, um cio animal a encher o ar das ruas liberando geral. No Recife, o Galo da Madrugada canta e libera os foliões para a loucura. A cidade se agita. O frevo volta a imperar nas ruas.

Sim, o Carnaval está já nas avenidas e ruas e becos e ladeiras do Recife e de Olinda. Mas quando chegar no seu ápice o povo sairá por essas ruas e becos e ladeiras em hipnótico desafio. Esquecerá a corrupção. Esquecerá a fome. Esquecerá o desemprego. Esquecerá a pobreza. Esquecerá os baixos salários. O que interessa é a alegria até a chegança da quinta-feira onde cabisbaixo retorna ao seu cotidiano.

No Carnaval não existe luta de classes, pois ele é a festa de todas as classes. Os corpos suados poderão ser vistos a pular ao som dos trios elétricos, dos blocos de rua, das orquestras de frevo, nos caboclinhos, nos maracatus, nos bois-bumbás e em todas as manifestações populares Brasil afora. Ainda que exista a sensação de que a nossa cultura popular está sendo canibalizada, ainda que exista a sensação de que a poesia, o lirismo, as tradições folclóricas estão sumindo, ainda que exista a sensação de que o Carnaval está se tornando um objetivo de lucro para os capitalistas, o povo estará vivaz e feliz nas ruas embriagado e delirante.

Carnaval, festa de loucos? Por que não? A loucura torna-se generalizada nesses dias. Ninguém quer ficar fora dela. A adoração de todos os deuses pagãos do mundo antigo volta à tona e se transforma na maior manifestação popular da história humana.

sábado, 21 de janeiro de 2012

A ISLÂNDIA NA CAUSA HUMANISTA


A mídia que nós conhecemos não divulga esta noticia. Por que não divulga? Porque na Islândia - o país com melhor qualidade de vida do mundo - não existe maçonaria para controlar a justiça e a informação. Leiam:
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Islândia triplicará seu crescimento em 2012 após a prisão de políticos e banqueiros. A Islândia conseguiu acabar com um governo corrupto e parasita. Puniu os responsáveis pela crise financeira, mandando-os para a prisão. Começou a redigir uma nova Constituição feita pelo povo e para o povo. E hoje, graças à mobilização, será o país mais próspero de um ocidente submetido a uma tenaz crise de dívida.
É a cidadania islandesa, cuja revolta em 2008 foi silenciada na Europa pelo temor de que muitos a percebessem. Mas conseguiram, graças à força de toda uma nação, o que começou sendo crise se converteu em oportunidade. Uma oportunidade que os movimentos ao redor do planeta observaram com atenção e estabeleceram como um modelo realista a seguir.
Consideramos que a história da Islândia é uma das melhores noticias dos tempos atuais. Sobretudo depois de saber que segundo as previsões da Comissão Europeia, este país do norte atlântico, fechará 2011 com um crescimento de 2,1% e que em 2012, este crescimento será de 1,5%, uma cifra que supera o triplo dos países da zona euro. A tendência ao crescimento aumentará inclusive em 2013, quando está previsto que alcance 2,7%. Os analistas asseveram que a economia islandesa segue mostrando sintomas de desequilíbrio. E que a incerteza segue presente nos mercados. Porém, voltou a gerar emprego e a dívida pública foi diminuindo de forma palpável.
Este pequeno país do periférico ártico recusou salvar os bancos. Os deixou cair e aplicou a justiça sobre aqueles que tinham provocado certos descalabros e desmandes financeiros. Os matizes da história islandesa dos últimos anos são múltiplos. Apesar de transcender parte dos resultados que todo o movimento social conseguiu, pouco foi falado do esforço que este povo realizou. Dos limites que alcançaram com a crise e das múltiplas batalhas que ainda estão por se resolver.
Porém, o que é digno de menção é a história que fala de um povo capaz de começar a escrever seu próprio futuro, sem ficar à mercê do que se decida em despachos distantes da realidade do povo. A revolta islandesa não causou outras vítimas que os políticos e os homens de finanças costumam divulgar. Não derramou nenhuma gota de sangue. Não houve a tão famosa “Primavera Árabe”. Nem sequer teve rastro na média, pois os meios de comunicação passaram por cima na ponta dos pés. Mesmo assim, conseguiram seus objetivos de forma limpa e exemplar. Hoje, seu caso bem pode ser um caminho ilustrativo para os indignados espanhóis, o movimentos Occupy Wall Street e daqueles que exigem justiça social e justiça econômica em todo o mundo.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

ACADEMIA PERNAMBUCANA DE LETRAS PREMIA ESCRITOR RAFAEL ROCHA COM MENÇÃO HONROSA

A Academia Pernambucana de Letras (APL) divulgou nesta terça-feira, 11 de janeiro de 2012, os vencedores de seu concurso literário de 2011. O jornalista, escritor e poeta RAFAEL ROCHA, este vosso cumpadi, foi agraciado com MENÇÃO HONROSA, no prêmio Vânia Souto Carvalho, de Ficção, pelo seu romance OLHOS ABERTOS PARA A MORTE. A vencedora nessa categoria foi Patrícia Gonçalves Tenório, pelo livro Como se Ícaro falasse”. A festa de entrega dos prêmios deverá ocorrer no dia 26 de janeiro, a partir das 20h, na sede da APL. Eis os outros premiados: Prêmio Amaro Quintas – História de Pernambuco – Lêda Rejane Accioly Sellaro pelo livro “Educação e Religião: colégios protestantes em Pernambuco na Primeira República” (anos 20); Prêmio Antônio Brito Alves – Ensaio – Anco Márcio Tenório Vieira pelo livro “Dante e a construção da reforma cristã”, com Menção Honrosa para Alfredo Sérgio Magalhães Jambo, pelo livro “Investigação de Giambattista Vico”; Prêmio Edmir Domingues – Poesia – Marcos Antônio Soares de Andrade Filho, pelo livro “SPOLLIVM”, com Menção Honrosa para José Antônio da Silva, pelo livro “Poe – Arrecifes”, e Lúcio Roberto Ferreira, pelo livro “A Ponte e a Travessia”; e por fim, Prêmio Elita Ferreira – Literatura Infantil – Patrocinado pela Editora Bagaço, com Menção Honrosa conferida a Antônio Nunes Barbosa Filho, pelo seu livro “Contação: uma historinha para cada dedo da mão”.

DEUS EXISTE! EU ENCONTREI!

Um encontro excepcional na semana passada. Encontrei-me com DEUS! Sim, exatamente isso. Descobri que DEUS existe, mas na forma de uma deliciosa cerveja, ou seja, a melhor e mais cara cerveja do mundo. DEUS tem história. Esta cerveja é fabricada na Bélgica, pela Brasserie Bosteels  desde 1791, e continua sendo pela família do fundador há sete gerações. O que diferencia DEUS das outras cervejas é seu exclusivo processo de fabricação, o qual começa na Bélgica, com a seleção das melhores cevadas de verão, assim denominadas por serem colhidas nesta. Após uma primeira fermentação, leveduras são adicionadas para gerar uma 2ª fermentação, em tanques de aço. A seguir, a cerveja é transportada para a região de Champagne, na França, onde é engarrafada e submetida à terceira fermentação, por cerca de três a quatro semanas. Depois passa vários meses maturando em repouso na temperatura natural das adegas subterrâneas, seguindo-se um processo de remuage (rotação lenta e progressiva das garrafas para sedimentação das leveduras no gargalo), finalizado pelo dégorgement (retirada das leveduras, após congelação do gargalo). Vale a pena o degustador da boa cerveja comprar e beber DEUS. Estará dando a si mesmo um pedaço do paraíso cervejeiro que nunca mais esquecerá. No Recife, a Cerveja DEUS pode ser encontrada no Emporium Gourmet - Rua Dr. José Maria, 763, Rosarinho. Informações: 3427.0620 ao preço de R$ 230,00.