domingo, 18 de setembro de 2011

AINDA

Ainda que tarde eu acorde o mundo espera.
Ainda que eu não saiba aonde me leva a vida.
Ainda que as traças da morte vivam à espreita
Não sei o quanto do acordar virá de mim.

Ainda que o sol bata na janela e mostre a luz.
Ainda que o calor da manhã queira despertar-me.
Ainda que a preguiça domine os átomos corporais
Não sei quanto o viver de mim é assinalado.

Os chinelos esperam meus pés ao pé do leito
Numa pergunta muda: aonde hoje vais me levar?
Gosto de estradas planas e de terras molhadas
Para proteger dedos e artelhos no teu caminhar.

Ainda que o dia esteja à espera do meu corpo.
Ainda que a pele respire o mais intenso ar.
Ainda que a solidão esteja cruel, viva e presente.
Os versos não pretendem nada mais do que voar.

Ainda que o tempo traga frêmitos equivocados.
Ainda que o amor dê-se a tornar-se um ludibrio.
Ainda que precise retomar velhos pensamentos.
Não sei o quanto de mim está aqui aprisionado.

Molho o corpo nas águas mornas do chuveiro
Numa pergunta líquida: onde posso mergulhar?
Gosto da vida e de suas etapas descontroladas
Gosto de ser eu mesmo. Gosto de me amar.

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@Copyright by Rafael Rocha Neto - Recife, 17 de setembro de 2011

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