domingo, 30 de março de 2008

O DIA DA GRANDE MENTIRA MILITAR ESTÁ CHEGANDO

Neste 31 de Março para 1º de Abril
- há 44 anos –
o Brasil conhecia sua idade das trevas

Nas vésperas do Dia Mundial da Mentira, a população brasileira pode e deve recordar as atrocidades cometidas por seus militares no período que compreende os anos de 1964 a 1985. O nosso período de trevas. A mentira de utilizar artifícios para mudar a face do país, colocando a culpa de todos os erros no comunismo russo, tornou-se sofisticada durante todos esses anos, trazendo à tona assassinatos a sangue-frio, torturas, perseguições ideológicas e pressões psicológicas sobre pessoas e grupos. Não é à toa que no dia 1º de abril a mentira tem de ser lembrada como a realidade mais cruel jamais acontecida antes em nosso país.

O historiador Cid Teixeira teve razão ao afirmar que “nem o Imperador Pedro I e seu filho Pedro II, ninguém na história do mundo dispunha de tantos poderes como o presidente da República brasileira do AI-5. O AI-5 dava mais poderes à presidência da República do que a qualquer ditador, qualquer rei absoluto que a Idade Média teve”. O Ato Institucional promulgado em dezembro de 1968 no decorrer do governo ditatorial de Costa e Silva foi a ação mais repressiva contra a dignidade humana que se tem notícia no mundo civilizado. Ainda segundo o historiador Cid Teixeira, “os militares conseguiram assumir o poder porque estavam estruturalmente melhor organizados, diferentemente das forças progressistas, absolutamente desorganizadas. Tornou-se fácil para a ditadura militar assumir, pois o governo de João Goulart foi política e ideologicamente fraco”.

O Golpe de Estado que instituiu a Ditadura Militar no Brasil aconteceu no dia 31 de março de 1964. Desde a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, que o país se arrastava numa crise política sem precedentes, agravada com a posse de João Goulart na Presidência da República. Os três anos do governo Goulart foram marcados pelos movimentos de organizações sociais de esquerda, que ganharam cada vez mais espaço, e com a insatisfação dos conservadores da direita. Empresários, militares, Igreja Católica e classe média, temendo o domínio do socialismo com um golpe comunista (na época o mundo estava vivendo a Guerra Fria) e também temendo perder as benesses que o regime elitista criado desde Deodoro da Fonseca oferecia, começaram a se articular para derrubar João Goulart e suas Reformas de Base.

A crise política aumentava com as tropas do Exército saindo às ruas. Temendo uma guerra civil, Goulart fugiu para o Uruguai, deixando que os militares tomassem o poder no dia 1º de abril de 1964. Uma semana depois se instituía por decreto o Ato Institucional nº 1 (AI-1), que cassava os mandatos políticos dos opositores ao novo regime, acabava com a estabilidade dos funcionários públicos e a vitaliciedade dos magistrados. Eleito pelo Congresso Nacional, totalmente manipulado, em 11 de abril de 1964, o marechal Castelo Branco foi o primeiro dos militares a tomar o poder. Começou então 21 anos de ditadura militar. Depois de Castelo Branco mais quatro generais usurparam a faixa presidencial sem pedir licença ao povo: Arthur da Costa e Silva, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista de Oliveira Figueiredo.

O Serviço Nacional de Informações (SNI) foi criado no governo de Castelo Branco e era um organismo ligado diretamente ao presidente, dirigido pelo general Golbery do Couto e Silva. O SNI investigava pessoas em segredo, metendo-se na vida privada delas, bem como nas instituições e nos movimentos populares-sociais que pudessem trazer qualquer tipo de problema ou perigo para a ditadura. Em 1967 foi criada uma nova Constituição para o País, com o objetivo de manter o princípio constitucional da legalidade para o golpe, respaldado pelos militares através de suas idéias e ações. Tudo para oferecer legalidade a um regime totalitário e de exceção.

No governo Costa e Silva a ditadura militar mostrou todas as suas mais cruéis facetas. Não era preciso esconder mais nada. Os mais diversos e inimagináveis tipos de violência ocorriam de Norte a Sul do País. No Rio de Janeiro, em meados de 1968, aconteceu, sob a promoção da União Nacional dos Estudantes (UNE), a manifestação de luta pelas liberdades públicas chamada de Passeata dos Cem Mil. Esse evento, formado por jovens, artistas, padres, intelectuais e deputados da oposição partiu da Cinelândia, tomando as ruas da cidade do Rio de Janeiro e foi uma das grandes vitórias da oposição desde as eleições de 1965. Greves operárias explodiram nas cidades de Contagem (MG) e em Osasco (SP).

O ditador Costa e Silva, pressionado pelos títeres militares, decretou o Ato Institucional nº 5 (AI-5) em dezembro de 1968. Começou então no Brasil o mais longo período ditatorial e de terror de sua história republicana. Foram dez anos de violenta repressão. O presidente fechou o Congresso, cassou mandatos parlamentares, suspendeu o direito ao habeas-corpus em casos de crimes contra a segurança nacional e decretou o fim da liberdade de imprensa.

Quando Costa e Silva ficou impedido de governar devido a problemas de saúde, uma Junta Militar assumiu o poder durante dois meses, de 31 de agosto de 1969 a 30 de outubro do mesmo ano. A junta era composta pelos ministros Márcio de Sousa e Melo (Aeronáutica), Aurélio de Lira Tavares (Exército) e Augusto Rademaker (Marinha). No quinto dia de governo da junta militar um grupo de militantes da Aliança de Libertação Nacional (ALN) e o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) seqüestrou o embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, no Rio de Janeiro. Exigiram a troca do embaixador por 15 presos políticos. A ditadura aceitou e esses presos políticos foram enviados para o México e no dia 7 de setembro de 1969. O embaixador norte-americano foi solto.

A Lei de Segurança Nacional foi decretada onze dias após esse fato (em 18 de setembro de 1969). A ditadura endureceu ainda mais. Restringiu liberdades e instituiu a pena de morte (que não existia no Brasil) para os crimes considerados subversivos. No final do ano de 1969, o criador da ALN (Aliança de Libertação Nacional), Carlos Marighella, que desenvolveu ações armadas contra o regime militar era morto na Alameda Casa Branca, em São Paulo, por homens do DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social).

Depois de Arthur da Costa e Silva, assumiu o poder, dando continuidade ao regime de exceção, o general Emílio Garrastazu Médici. Com seu semblante sisudo o novo ditador buscou ser aceito entre a população, apresentando-se como um homem comum, freqüentando estádios de futebol com um rádio de pilha ao ouvido e um cigarro na boca. Garrastazu Médici também tinha alcançado o poder graças à Junta Militar. Seu rígido período ditatorial foi chamado de Anos de Chumbo. Teve início no segundo semestre de 1969 e se estendeu até o início de 1974. Nesse período a luta armada se fortaleceu cada vez mais, com guerrilhas rurais como a do Araguaia. Médici intensificou a repressão através do DOI-CCODI (Destacamento de Operações e Informações ao Centro de Operações de Defesa Interna) que utilizou a tortura como principal instrumento para combater os inimigos da ditadura. As liberdades individuais desapareceram do âmbito social do País. A Imprensa foi totalmente censurada, bem como livros, filmes, peças teatrais e músicas. Foi nessa época que ocorreu um êxodo maciço de artistas brasileiros para o Exterior, visando fugir da prisão, entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque. O historiador Cid Teixeira assinala com ênfase que “no governo Médici a ditadura militar agia sem enfeites e sem disfarces”.

O gradual processo de desmonte da ditadura militar começou entre os anos de 1974 e 1979, durante o governo ainda ditatorial do general Ernesto Geisel. Com a inflação aumentando progressivamente, seguindo-se a crise mundial do petróleo, a abertura política começou a ganhar espaço. No ano de 1974, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) conquistou 59% dos votos para o Senado e 48% na Câmara dos Deputados, vencendo nas cidades mais importantes do Brasil. A insatisfação do povo com a ditadura alcançava as urnas. Porém, os militares da linha dura não se mostravam satisfeitos com as atitudes do general Ernesto Geisel e deram para atacar duramente parlamentares e simpatizantes da esquerda. No ano de 1975 foi suspensa a censura à Imprensa e três anos depois Geisel acabou com o AI-5, restaurou o habeas-corpus e ofereceu condições para a redemocratização do País.

O último ditador militar a governar o Brasil foi o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, de 1979 até 1975. A ditadura já estava nos seus estertores e o povo não mais aceitava calado os atos obscuros e de exceção, saindo às ruas em maciças manifestações de apoio à luta contra o regime. Figueiredo decretou a lei da Anistia em 1979 e a partir daí os exilados políticos brasileiros – artistas, políticos de renome - começaram a retornar ao País. Porém, nos bastidores militares a linha dura mantinha seu manifesto desejo de se perpetuar no poder, reprimindo de forma clandestina todo e qualquer tipo de movimento simpatizante da democracia. Nesse período, restabeleceu-se o pluripartidarismo com o nascimento da Arena (Aliança Renovadora Nacional-pró governo), surgindo deste o Partido Democrático Social (PDS pró-governo), e o oposicionista Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Outras agremiações políticas vieram à tona como o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

No governo Figueiredo a linha dura dos militares que desejavam a perpetuação do regime de exceção promoveu um atentado à bomba que ficou famoso como Riocentro, no ano de 1981. A bomba deveria explodir para vitimar milhares de pessoas que assistiam a um show em comemoração ao Dia do Trabalho. Esse atentado se desse certo era para ser creditado aos esquerdistas radicais, mas o tiro terminou saindo pela culatra, pois a bomba explodiu antes do tempo em um automóvel ocupado por militares.

sexta-feira, 28 de março de 2008

SAUDADE TAMBÉM TEM DIA

O próximo dia 30 de março, é o Dia da Saudade. Hoje quero antecipar a lembrança para que a saudade seja apenas saudade no seu próprio dia. Quem jamais sentiu essa dorzinha dentro de si? Saudade de alguém. Saudade de um tempo bom que se foi. Saudade de um grande amor. Saudade de um amigo. Saudade do pai, da mãe ou de pessoas caríssimas ao coração e que já não estão mais neste mundo?

Todos nós sentimos saudades. Mas essa palavra não tem tradução explícita em nenhum idioma além do brasileiro. Apenas o brasileiro consegue definir este sentimento. Outras raças falam de nostalgias. Lembranças boas do passado, mas apenas o brasileiro poetou e colocou a saudade como o sentido geral da falta de...

Por que não lembrar aqui frases de escritores, poetas e autores famosos sobre o que vem a ser saudade?
Vamos lá!

Coelho Neto disse: A casa da saudade chama-se memória: é uma cabana pequenina a um canto do coração.

Pedro Bloch disse: A saudade precisa de distância para crescer.

Machado de Assis disse: Guarda estes versos que escrevi chorando como um alívio a minha saudade, como um dever do meu amor; e quando houver em ti um eco de saudade, beija estes versos que escrevi chorando.

Mário Quintana disse: Para sempre é muito tempo. O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...

Silva Lobato disse: Saudade é a dor da ausência.

J. G. de Araújo Jorge disse: A saudade me atormenta / e pesa como uma cruz / é como a sombra que aumenta / quanto mais se afasta da luz.

Bastos Tigre
disse: Saudade palavra doce / que traduz tanto amargor / saudade é como se fosse / espinho beijando a flor.

Menotti Del Pichia disse: Saudade... perfume triste / de uma flor que não se vê. / Culto que ainda persiste / num crente que já não crê.

E o que vocês, meus amigos, dizem da saudade?

sábado, 22 de março de 2008

ÁGUA - UM BEM QUE ESTÁ SUMINDO DA TERRA


Neste dia mundial da água, 22 de março, vim aqui para lembrar que o problema da sua escassez no mundo começa a trazer preocupações para os principais governos A demanda pelo líquido está crescendo em um ritmo vertiginoso e insustentável. Nos últimos quarenta anos o consumo de água quase que quadruplicou. Isso também está ligado ao crescimento da população do planeta bem como à criação de novas técnicas de irrigação, inclusive com o aprimoramento dos processos industriais.

Pesquisas recentes da ONU assinalam que mais de 70% da água consumida no mundo vai para a agricultura, 20% para a área industrial e o restante 10% o homem utiliza em seu próprio benefício. A ONU também mostra em seu "Informe Mundial sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos" que o uso indiscriminado da água potável do mundo vai fazer com o líquido diminua mais do que gradativamente. Tanto isso é verdade, que muitos países árabes, localizados nas áreas mais secas do planeta, já estão importando água potável a preços maiores do que os do petróleo que exportam.

A escassez de abastecimento, hoje, já alcança um total de 26 nações em todo o planeta. Segundo o informe, nos próximos vinte anos a média mundial de abastecimento de água por habitante diminuirá em um terço. Por conta disso, as previsões para o futuro são sombrias. Nenhuma região do planeta poderá evitar as repercussões da crise que atingirá todos os aspectos da vida, desde a saúde até a capacidade das nações de alimentar seus cidadãos.

A continuar do jeito que está o consumo indiscriminado, as previsões para o futuro são de fome, doenças e guerras. Nas décadas de 60 e 70, os especialistas, historiadores, economistas etc previam que o principal causador de um conflito armado internacional de proporções mundiais no Século XXI seria o petróleo, porém, a ameaça vem de outro plano. A água potável do planeta pode se tornar tão escassa ao ponto de causar guerras.

O interessante é que muita gente pensa que o planeta Terra é autosuficiente em água. Aí é que se concentra a falácia e se origina o perigo. Realmente, todos os livros de geografia dizem que nosso planeta em dois terços é formado só de água. Mas então aparece a verdadeira face. Nem todas as águas da Terra são próprias para o consumo da população.

A água dos oceanos soma 97% em todo o planeta, mas é imprópria para ser bebida ou aproveitada em processos industriais. O gelo recobre cerca de 1,75% da Terra e cerca de 1,24% das águas estão em rios subterrâneos, no interior do planeta. Assim, a população de mais de seis bilhões de pessoas tem apenas ao seu dispor 0,007% de água própria para consumo humano.

Juntemos a isso a falta de conscientização humana que leva a despejar lixo e esgoto sanitário nos rios. As indústrias também jogam todo tipo de detritos e materiais venenosos, comprometendo a pouca água que existe para o consumo humano. Tem que haver mais conscientização. O desperdício e a poluição têm de ser evitados.

segunda-feira, 17 de março de 2008

CHORA BARBIZINHA, CHORA!

Texto: http://www.sportnet.com.br/
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Vamos parar de falso moralismo! O chororô artístico de Carlinhos Bala foi hilário. Pode ficar revoltada a torcida do Time da Rosa (e Silva), mas a verdade é que o futebol é diversão e esse tipo de brincadeira é salutar. Isso porque respeitou duas premissas: a) Carlinhos Bala comemorou com sua torcida; b) Não utilizada a obscenidade, imoralidade ou incitação à violência.

O futebol é marcado por esse tipo de brincadeira e é isso que faz o espetáculo ficar mais agradável e mais alegre. O próprio Carlinhos Bala, no passado, usou de gesto obsceno para afrontar diretamente a torcida do SPORT. E eu não vi e nem ouvi nenhum torcedor do finado Santa Cruz ou do “équiça” Náutico reclamando disto, quando deveriam.

Agora, foi diferente. Jogar num time grande, de reputação nacional, como o SPORT, fez Carlinhos Bala crescer, inclusive no aspecto educacional.Ele comemorou COM SUA TORCIDA e com um GESTO NÃO OFENSIVO AOS BONS COSTUMES E À MORAL.

O resto é chororô de torcedor de meia tigela e de cantor de frevo (quem é esse Nonozinho Germano?) que não faz sucesso nem em rádio comunitária. Para eles, minha frase final: BUÁ, BUÁ, BUÁ... ESSE TIMBA É DE LASCAR!

É isso aí, companheiros. MENSAGEM ENDOSSADA!
PELO SPORT TUDO!

domingo, 16 de março de 2008

EU JÁ SABIA

SAUDAÇÕES RUBRO-NEGRAS PARA TODOS OS FILHOTES DA BARBIE
36 VEZES CAMPEÃO É QUE É LUXO
E VEM MAIS POR AÍ!

FÉ ATRAVÉS DO MEDO

A religião é um insulto à dignidade humana.
Sem ela haveria gente boa fazendo o bem e gente má fazendo o mal.
Com a religião o que nós vemos é gente boa praticando o mal.
Steven Weinberger, Prêmio Nobel de Física.

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A fé em um Deus que nada prova ser real e em seu pretenso filho Jesus Cristo foi perpetuada através do medo. Posso citar muitas declarações impostas pelo pretenso Deus através desse livro santo denominado de Bíblia, para serem seguidas pelos homens. Declarações que nada têm de divinais e angelicais, pois são palavras de ódio e de vingança, palavras que induzem o homem a matar e a chacinar outros homens em nome da divindade, para a manutenção perpétua dessa divindade. Palavras escritas por homens cujas personalidades refletiam a avareza, a crueldade, a ganância, a intolerância, o ódio. Palavras que apenas servem para assustar e oprimir. Palavras para que os padres, bispos, papas, pastores, aiatolás, patriarcas ortodoxos se mantenham na crista da onda e ganhem cada vez mais dinheiro e poder, tudo no sentido de destruir a razão e fazer da mente humana uma escrava das suas idéias. Tudo em conluio com os governantes do Planeta.

Cito Emmett Fields: “No Novo Testamento se evoluiu um Deus muito pior que o do Velho Testamento. Muito pior de fato, já que a tortura infinita é pior que sono infinito, queimar no fogo eterno é pior que a simples morte. Ao contrário do deus do Velho Testamento, o deus do Novo Testamento não fica contente apenas quando suas vítimas jazem mortas e quebradas em sua frente. O filho de Deus não só continuou a tradição familiar, mas excedeu as expectativas mais selvagens do pai. Se somos insensíveis bastante para acreditar na Bíblia, temos de acreditar que o deus do Novo Testamento persegue o morto depois da morte. Nos dizem que este deus achou um modo para torturar mesmo aqueles que pagaram "a pena final".

A religião nasceu das idéias de homens comuns que se consideravam acima da casta popular e cuja pretensão era a de se tornarem senhores do mundo. A grande ilusão de que a Bíblia é a palavra de Deus trouxe aos corações dos povos grandes ódios, provocou perseguições e assassinatos, por obrigar a raça humana católica, protestante, ou de qualquer outra seita, a acreditar que estamos no mundo para fazer o trabalho desse Deus. A crer que estamos no mundo porque temos a palavra de um poderoso Deus para nos guiar e que nossa principal tarefa é destruir o mal existente no mundo, convertendo pessoas a essa seita absurda e incoerente. Assim, utiliza-se o mal para combater o mal. Surgiram desses pensamentos guerras terríveis. Atrocidades terríveis. Essa grande ilusão pode causar danos imensos. Até mesmo tornar realidade o fim do mundo.

Dessa grande ilusão também nasceu o imponderável: a esperança de que estamos protegidos por Deus. Mas como Deus não existe, o homem terá de pouco a pouco começar a se conscientizar dessa verdade. A de que a esperança falhou. Depois da Idade Média - após as fogueiras e os instrumentos de tortura da Inquisição matar e torturar em nome de Deus - surgiu o Renascentismo. Foi uma reviravolta total no âmbito da história humana. Os renascentistas sabiam muito bem que a Bíblia era uma grande ilusão. Eles salvaram a humanidade de continuar vivendo aquela idade de loucura, discriminação e preconceito às idéias humanistas do homem. Em conseqüência, poderíamos dizer que a partir daí a Idade da Razão e a Idade da Ciência deram seus primeiros passos.

O homem quando souber que a Bíblia não é "a palavra de Deus", poderá conduzir a humanidade à paz e à sobrevivência. Essa pretensa palavra divina que conhecemos, escrita na verdade pelos sacerdotes hebreus e pelos homens dominados por Constantino, imperador romano, oblitera o homem ao levá-lo a acreditar em obscenidades, selvagerias e ódios. Não só a Bíblia. Todos os outros livros que diversas nações dizem ser santos, que pregam a fé em um deus único e em um paraíso para seus escolhidos são vergonhosas mentiras criadas pelos mercadores da fé.

CANTE LÁ QUE EU CANTO CÁ

E como sou um nordestino da gota serena
Neste fim de semana da poesia nacional
Lembro também Patativa do Assaré.
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Poeta, cantô de rua, / Que na cidade nasceu, / Cante a cidade que é sua, / Que eu canto o sertão que é meu. / Se aí você teve estudo, / Aqui Deus me ensinou tudo, / Sem de livro precisá / Por favô, não mêxa aqui, / Que eu também não mexo aí, / Cante lá, que eu canto cá.

Você teve inducação, / Aprendeu munta ciença, / Mas das coisa do sertão / Não tem boa esperiença. / Nunca fez uma paioça, / Nunca trabaiou na roça, / Não pode conhecê bem, / Pois nesta penosa vida, / Só quem provou da comida / Sabe o gosto que ela tem.

Pra gente cantá o sertão, / Precisa nele morá, / Tê armoço de fejão / E a janta de mugunzá, / Vivê pobre, sem dinhêro, / Socado dentro do mato, / De apragata currelepe, / Pisando inriba do estrepe, / Brocando a unha-de-gato.

Você é muito ditoso, / Sabe lê, sabe escrevê, / Pois vá cantando o seu gozo, / Que eu canto meu padecê. / Inquanto a felicidade / Você canta na cidade, / Cá no sertão eu infrento / A fome, a dô e a misera. / Pra sê poeta divera, / Precisa tê sofrimento.

Sua rima, inda que seja / Bordada de prata e de ôro, / Para a gente sertaneja / É perdido este tesôro. / Com o seu verso bem feito, / Não canta o sertão dereito, / Porque você não conhece / Nossa vida aperreada. / E a dô só é bem cantada, / Cantada por quem padece.

Só canta o sertão dereito, / Com tudo quanto ele tem, / Quem sempre correu estreito, / Sem proteção de ninguém, / Coberto de precisão / Suportando a privação / Com paciença de Jó, / Puxando o cabo da inxada, / Na quebrada e na chapada, / Moiadinho de suó.

Amigo, não tenha quêxa, / Veja que eu tenho razão / Em lhe dizê que não mêxa / Nas coisa do meu sertão. / Pois, se não sabe o colega / De quá manêra se pega / Num ferro pra trabaiá, / Por favô, não mêxa aqui, / Que eu também não mêxo aí, / Cante lá que eu canto cá. /

Repare que a minha vida / É deferente da sua. / A sua rima pulida / Nasceu no salão da rua. / Já eu sou bem deferente, / Meu verso é como a simente / Que nasce inriba do chão; / Não tenho estudo nem arte, / A minha rima faz parte / Das obra da criação.

Mas porém, eu não invejo / O grande tesôro seu, / Os livro do seu colejo, / Onde você aprendeu. / Pra gente aqui sê poeta / E fazê rima compreta, / Não precisa professô; / Basta vê no mês de maio, / Um poema em cada gaio / E um verso em cada fulô.

Seu verso é uma mistura, / É um tá sarapaté, / Que quem tem pôca leitura / Lê, mas não sabe o que é. / Tem tanta coisa incantada, / Tanta deusa, tanta fada, / Tanto mistéro e condão / E ôtros negoço impossive. / Eu canto as coisa visive / Do meu querido sertão.

Canto as fulô e os abróio / Com todas coisa daqui: / Pra toda parte que eu óio / Vejo um verso se bulí. / Se as vêz andando no vale / Atrás de curá meus male / Quero repará pra serra / Assim que eu óio pra cima, / Vejo um divule de rima / Caindo inriba da terra.

Mas tudo é rima rastêra / De fruta de jatobá, / De fôia de gamelêra / E fulô de trapiá, / De canto de passarinho / E da poêra do caminho, / Quando a ventania vem, / Pois você já tá ciente: / Nossa vida é deferente / E nosso verso também.

Repare que deferença / Iziste na vida nossa: / Inquanto eu tô na sentença, / Trabaiando em minha roça, / Você lá no seu descanso, / Fuma o seu cigarro mando, / Bem perfumado e sadio; / Já eu, aqui tive a sorte / De fumá cigarro forte / Feito de paia de mio.

Você, vaidoso e facêro, / Toda vez que qué fumá, / Tira do bôrso um isquêro / Do mais bonito metá. / Eu que não posso com isso, / Puxo por meu artifiço / Arranjado por aqui, / Feito de chifre de gado, / Cheio de argodão queimado, / Boa pedra e bom fuzí.

Sua vida é divirtida / E a minha é grande pená. / Só numa parte de vida / Nóis dois samo bem iguá: / É no dereito sagrado, / Por Jesus abençoado / Pra consolá nosso pranto, / Conheço e não me confundo / Da coisa mió do mundo / Nóis goza do mesmo tanto.

Eu não posso lhe invejá / Nem você invejá eu, / O que Deus lhe deu por lá, / Aqui Deus também me deu. / Pois minha boa muié, / Me estima com munta fé, / Me abraça, beja e qué bem / E ninguém pode negá / Que das coisa naturá / Tem ela o que a sua tem.

Aqui findo esta verdade / Toda cheia de razão: / Fique na sua cidade / Que eu fico no meu sertão. / Já lhe mostrei um ispeio, / Já lhe dei grande conseio / Que você deve tomá. / Por favô, não mexa aqui, / Que eu também não mêxo aí, / Cante lá que eu canto cá.

sábado, 15 de março de 2008

AUSÊNCIA – Lembrando Vinicius de Morais

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado.
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado.


Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.


Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir.
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas.
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

FAÇA A SUA PARTE

Não é uma poesia, mas é esta a minha
homenagem ao DIA NACIONAL DA POESIA
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Um homem morava numa cidade grande e trabalhava numa fábrica. Todos os dias ele pegava o ônibus das 6 horas e viajava cinqüenta minutos até o trabalho. À tardinha, fazia a mesma coisa, voltando para casa. No ponto seguinte ao que ele subia, entrava uma velhinha, que procurava sempre sentar na janela. Ela abria a bolsa, tirava um pacotinho e passava a viagem toda jogando alguma coisa para fora do ônibus. Um dia, o homem reparou na cena. Ficou curioso. No dia seguinte, a mesma coisa, e nos outros dias também. Certa vez, o homem sentou-se ao lado da velhinha e não resistiu:
— Bom dia, desculpe a curiosidade, mas o que a senhora está jogando pela janela?
— Bom dia - respondeu a velhinha - Jogo sementes...
— Sementes?... Sementes de quê?
— De flores. É que eu viajo neste ônibus todos os dias. Olho para fora e a estrada é tão vazia... Gostaria de poder viajar vendo flores coloridas por todo o caminho... Imagine como seria bom.
— Mas a senhora não vê que as sementes caem no asfalto, são esmagadas pelos pneus dos carros, devoradas pelos passarinhos... A senhora acha que essas flores vão nascer aí, na beira da estrada?
— Acho, meu filho. Mesmo que muitas sejam perdidas, algumas certamente acabam caindo na terra e com o tempo vão brotar.
— Mesmo assim, demoram muito para crescer, precisam de água...
— Ah, meu filho, eu faço a minha parte. Sempre há dias de chuva. Além disso, apesar da demora, se alguém não jogar as sementes, as flores nunca vão nascer.
Dizendo isso, a velhinha virou-se para a janela aberta e recomeçou o seu "trabalho". O homem desceu logo adiante, achando que a velhinha já estava meio "caduca".
O tempo passou. Dois, quatro, cinco anos. Um dia, no mesmo ônibus, sentado à janela, o homem levou um susto... Olhou para fora e viu, na beira da estrada, margaridas, hortênsias azuis, rosas, cravos, dálias... A paisagem estava colorida, perfumada, linda. O homem lembrou-se da velhinha, procurou-a no ônibus e... nada! Acabou perguntando por ela para o cobrador, que conhecia todo mundo.
— A velhinha das sementes? Pois é, morreu de penumonia no mês passado...
O homem voltou para o seu lugar e continuou olhando a paisagem florida pela janela e sentiu uma lágrima correr pelo rosto e um sorriso desabrochar em sua face. "Quem diria, as flores brotaram mesmo... Mas, pensando bem, de que adiantou o trabalho da velhinha? A coitada morreu e não pôde ver esta beleza pela qual ela foi responsável..." - pensou o homem. Nesse instante, ele escutou atrás de si uma gostosa risada de criança. Num banco logo atrás, uma garotinha apontava pela janela e gritava entusiasmada:
— Olha, mamãe... que lindo! Quanta flor pela estrada... Como se chamam aquelas azuis? E as branquinhas?
Então o homem entendeu o que a velhinha tinha feito... Mesmo não estando ali para contemplar as flores que tinha plantado, ela devia estar feliz, afinal, tinha dado um presente maravilhoso para as pessoas. No dia seguinte, o homem entrou no ônibus, sentou-se numa janela e, com um sorriso maroto nos lábios, tirou um pacotinho do bolso...

***Estou jogando sementes aqui neste blog. Um dia elas vão brotar. Tenho certeza.
Já joguei muitas sementes vida afora no ônibus da minha vida e fiz amigos inesquecíveis. Quero fazer mais! ***

sexta-feira, 14 de março de 2008

O DIVINO UNIVERSAL

Com bêbados, loucos, religiosos, políticos, cientistas sociais
e decorebas não se pode dialogar sobre o assunto abaixo transcrito.
Eles se julgam os únicos donos da verdade.
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Foi numa conversa informal (há algum tempo) com um padre católico e um pastor presbiteriano – não citarei aqui os nomes deles, respeitando o pedido de sigilo de ambas as fontes -, que descobri o drama dos que tentam acreditar na “verdade” divina. O sacerdote e o pastor inúmeras vezes se referiram à palavra dogma. Disseram que suas igrejas tinham a base solidificada pelos dogmas. Se o que estava escrito, foi por obra e graça de um ser divino, não será um ser humano que irá desdizer esses dogmas, apenas por possuir dúvidas e não ter uma fé enraizada dentro de si. O padre católico salientou que o mito da Virgem Maria é um dogma e a fé dos cristãos nesse mito irá ajudar sempre na sua propagação. O pastor presbiteriano foi mais além e disse que fugir de um dogma é negar a existência de tudo. Se esse tudo foi escrito sob inspiração divina, como dizem os antigos, não podem existir argumentos contrários. Deus não erra, salientou. E a Bíblia é a palavra sagrada de Deus.

Porém, ambos observaram que, fugindo dos dogmas, podiam conversar como simples seres humanos pecadores e debater as incoerências existentes nos escritos religiosos. Mas antes iriam pedir perdão a Deus por esse tipo de comportamento, e que não mais estavam agindo como representantes Dele, e sim como homens comuns. Por serem os representantes da palavra de Deus na terra não podiam agir de outra maneira, explicaram. Assim, retornamos aos tempos mais primitivos da religião e discutimos assuntos que muito tinham a ver com a criação de Deus pelos homens. E a conclusão a que nós três chegamos foi unânime: não há uma certeza histórica sobre a existência de Deus e de Jesus Cristo.

No entanto, os dois - padre e pastor - mostraram preocupação. Temem que esse fato seja e possa um dia se tornar a verdade absoluta. Denotaram o temor de que o homem realmente tenha criado os deuses e que o Deus existente hoje seja apenas um milagroso remédio para aplacar suas dores de cabeça e o medo do imponderável. Ambos argumentaram que a fé em Deus é necessária para que o homem possa viver no planeta. A certeza de um lugar no paraíso celestial, do perdão de Deus para seus atos pecaminosos ajuda a melhorar o padrão de vida e a educar os seres humanos dentro de uma moral correta. Quando perguntei a eles que moral seria essa, fugiram pela tangente. A moral, disse eu, é algo que cada homem apreende vivendo em sociedade. E diverge de lugar a lugar, de país a país. Não é preciso acreditar em um deus para possuir uma moral. Mas acreditar numa mentira religiosa prova a falta de moral, ou até mesmo que o homem vive dentro de uma visão imoral de mundo. Além disso, debatemos a visão de estar no mundo sem um objetivo concreto. Eles disseram que se nascemos, vivemos e morremos sem um objetivo, para que servirá viver? Assim, preferiam ficar com as suas crenças e manter viva a chama da fé antiga, mesmo que Deus tenha sido criado pelos homens e tenha sua manutenção de divindade nas mãos das altas cortes sacerdotais de suas religiões.

Não cheguei a detalhar para ambos o meu argumento acerca da mentira criada por essas altas cortes sacerdotais com o objetivo de manipular o mundo de acordo com seus interesses. Discutir com pessoas cujos comportamentos são repletos de dogmatismos e que não podem fugir desse rumo, não vale a pena. No meu caso, dirão alguns, também existe um comportamento dogmático. Rechaço esse desvio de caminho. Sou um livre pensador e estou aberto às idéias e jamais preso a coisas preconcebidas e inseridas na mente humana como as únicas certezas da vida. Exatamente porque a vida não possui muitas certezas. Se conseguirem provar para mim que Cristo realmente existiu não como deus e filho de deus, mas como um ser histórico, eu talvez (digo talvez), possa oferecer minha mão à palmatória. “Você é igual a Tomé”, dirão católicos e protestantes. E eu digo: Tomé também foi um mito inserido nos evangelhos para rebater as idéias dos incrédulos. E, além do mais, eu detesto a idéia única, o pensamento único, o comportamento prefixado e politicamente correto. Prefiro inúmeras verdades a uma só mentira.

Um ser divino (caso exista um) não erra. Jamais vai errar. Mas um ser divino criado pelo homem com a imagem e semelhança do homem erra, e seus erros se propagam em turbilhões. Principalmente, porque não são os pobres e os humildes a se beneficiar com a fé que põem nessa divindade. Os pobres, os mais humildes buscam algo melhor. Colocam suas vidas nas mãos do divino e com a fé seguem suas regras sem perguntar de onde se originaram, apenas porque não têm outro rumo a seguir para ver seus filhos crescendo e vivendo em ambientes livres do arbítrio, da fome, da ignorância e da maldade inerentes ao homem. Grande ilusão!

Mas existe um divino bastante real. Nele os seres humanos ainda não começaram a acreditar. A vida eterna existe e não será com a morte que irá se acabar. O Universo está em constante renascimento e em eterna mutação e é nele que vivemos e dele viemos. Todo o Universo é feito de átomos, prótons, elétrons, seja lá que nome a ciência forneça, tal como nós seres humanos, animais e plantas somos feitos. Quando morremos, a energia que move nossos pensamentos se incorpora à energia universal e os átomos do nosso corpo se fundem aos átomos da terra. Somos eternos sim. Morremos e ficamos na terra com nossos átomos, que se espalham em todo o planeta como poeira. E a energia que movia nossas ações, nossa voz, nossos pensamentos também se incorpora à energia universal. O Universo é o divino que existe, e é eterno. Está sempre em contínua criação. E por criação devemos entender vida e morte em estreita comunhão. O que foi conceituado como alma e como espírito tem ligação íntima com o infinito do homem, ser que foi criado em uma área específica do Universo junto a tantos animais e tantos vegetais.

Algum dia o nosso sol irá se apagar e a vida na Terra, como a conhecemos, ganhará novo rumo. Pode ser que antes disso o planeta não agüente a ação predatória do homem e se destrua em uma explosão. Mas nem assim a eternidade irá se acabar. Os átomos remanescentes do Planeta irão, a partir daí, participar de uma área muito mais ampla: todo o espaço sideral. A aglomeração ocorrerá no centro mais desconhecido do Universo e nele os átomos irão viver indefinidamente, seguindo as leis químicas e físicas, e sejam lá quais forem elas e outras. A energia que move os corpos e que se apaga após a morte será reavivada em outros espaços do cosmo, em corpos de outros seres diferenciados da raça humana, mas nem assim menos universais. Estrelas também nascem e morrem, buracos negros deglutem sistemas estelares inteiros como a ciência de hoje está provando, planetas explodem e cometas viajam pela amplidão do cosmos até que possam encontrar um sol ou qualquer espaço novo dentro do infinito para um outro renascer.

CINZAS DOS SONHOS

Eles estão reduzindo nossas idéias a cinzas...

São os homens sem compromisso.
Por causa deles ficamos incapazes de defender
Até mesmo um mísero grão de areia.
Eles sobem ao púlpito e se fazem governo.
Reduzem até os nossos sonhos a pó

E nós ficamos na ignorância
A aceitar as letras hipócritas
Dos hinos dos partidos políticos
Extraídos de um cancioneiro caduco.


Eles são ladrões dos nossos caminhos e da nossa vida.
E provocam dor e incêndio e lágrimas
Nos lugares onde seus pés pisam.
Hoje estamos envolvidos pelas promessas vãs
De momentos melhores e proteções “eternas e reais”
E nem mais nisso acreditamos,
E nem mais a isso olhamos.

Prefiro a solidão de um boteco em um dos becos do meu bairro
Cigarro numa mão, copo de cerveja em outra.
Escutando a canção mais antiga do mundo:
Aquela que traz lágrimas aos ouvidos.
Observando o povaréu de santa ignorância a rir de mim
Como se eu fosse um bêbado diferente.

LOUCO

Já me disseram louco
Por sentir beijos aéreos
Saídos das capas dos romances medievais

Já me disseram louco
Por falar na voz dos cisnes
Nadadores elegantes dos lagos azuis

Já me disseram louco
Por amar o não amor
Segredo de poetas errantes
nas alamedas dos sonhos

Já me disseram louco
Por ver silêncio nos ruídos
No caminhar das pequenas formigas no açúcar

Durmo/acordo com a certeza
Dessa loucura que dizem
Existir em mim tal o pêndulo lírico da vida.

quinta-feira, 13 de março de 2008

MORTE, ALMA, ESPÍRITO E VIDA ETERNA

Com bêbados, loucos, religiosos, políticos, cientistas sociais
e decorebas não se pode dialogar sobre o assunto abaixo transcrito.
Eles se julgam os únicos donos da verdade.
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De todas as lacunas que o homem preencheu para fugir do terror da morte, os deuses ou o deus que conhecemos e que o ser humano inventou, a esperança da vida eterna é uma delas. Essa esperança veio encaixotada na invenção dos deuses e de deus pelo homem. E é nessa necessidade e nesse sonho que o homem vive. Esperando ser eterno. Viver uma vida melhor. Reencontrar seus parentes mortos do outro lado, naquele espaço desconhecido de sua razão. Todas as religiões prometem uma vida eterna para o ser humano que seguir as regras de suas divindades. Isso vem de tempos remotíssimos. Com a evolução e com o canibalismo das divindades antigas por outras mais recentes, o medo de morrer tornou-se ainda mais feroz. O homem, na esperança de uma outra vida, sonha e cria posteridades para alma e espírito em um espaço benfazejo e puro.

Eis aí que o Nirvana budista, o paraíso das 72 belas virgens dos muçulmanos, o maravilhoso céu dos católicos, o reencontro com o Cristo dos protestantes, a reencarnação dos espíritas formam um lugar comum e reinos encantados para acabar com a miséria humana e manter a vida no além-túmulo. É impressionante como o homem possui o dom de inventar contos de fadas para salvar-se ele mesmo das dores que causa a si próprio. É impressionante como o homem de hoje, um ser que se diz vivendo na idade da Razão, imbuído de conhecimentos mais profundos do que seus antecessores, continua a acreditar que após a morte uma vida de glória estará a esperá-lo em outro espaço universal ao lado do seu deus.

O ser humano e a vida humana são algumas das verdades mais completas. A morte é o elo que liga os átomos corpóreos aos átomos universais. Sim, e é bom que a raça humana procure se acostumar com essa verdade. Nada mais existe depois da morte a não ser a transformação do corpo em poeira e da energia pensante do cérebro em um vácuo infinito. Sei que será péssimo para o homem descobrir e enfrentar essa realidade. O homem ama e adora viver. Ele deseja se manter na eternidade de outra vida, ainda que essa eternidade seja a de queimar no inferno ou apodrecer no purgatório dos católicos. Tantos mitos sobre alma e espírito foram criados pelo homem que para assinalar aqui todos eles, precisaríamos de quilômetros e mais quilômetros de espaço. O homem deseja tanto continuar sua vida além da morte, que criou e inventou diversos termos de eternidades.

Por que o homem acredita que após a morte existe outra vida nem que seja para pagar pelos pecados da vida anterior? Nem que seja para habitar no inferno junto do mito que também é Satanás? Por que tantas pessoas acreditam nisso? Quando alguém morre, as lágrimas deslizam dos olhos humanos. Se for alguém de nossa intimidade, a dor é ainda mais forte e lancinante. Todo mundo diz que esse lamento, essa dor, esse chorar diz respeito à saudade que estamos a sentir da pessoa que parte deste mundo. Tenho uma teoria pessoal: o homem sabe tão bem, dentro dos seus chips programados desde a aurora dos tempos, que nada mais existe além dessa vida, que esse lamentar é a antecipação do seu próprio lamento. Ele não chora o amigo, o irmão, o pai, a esposa, o filho que se vai. Ele chora por si mesmo. Ele chora por saber que a morte também irá alcançá-lo um dia e retirá-lo deste planeta para sempre. E dentro dos seus chips atômicos e cerebrais, ele também sabe que nada existe além.

Por pior que seja a vida que vive neste planeta, o homem deseja que ela perdure. A morte é sua inimiga mais cruel. Assim, ele busca apoio no beneplácito dos deuses criados por ele, cria uma certeza de que deve e tem de existir algo fora desta vida. Ele observa a complexidade do universo, a beleza do planeta, os mares, os rios, os animais da terra, as belas flores, olha para o céu e vê o tremeluzir das estrelas e se pergunta: Quem sou? De onde vim? Para onde vou? Ele tem as respostas. Porém, não grita que é uma mísera parte do universo atômico. Não afirma ao outro e a seu próprio ego que veio de uma evolução gradativa e natural, ainda muito difícil de entender, nascida do hidrogênio puro e de uma grande quantidade de energia. Tem medo de acreditar que vai retornar ao mesmo pó atômico de onde nasceu e nele ficará para toda a eternidade até que o universo se destrua.

O homem faz o contrário: “Eu sou filho de um Deus bom e magnânimo. Um Deus que me receberá após a morte e perdoará os meus pecados desde que eu o aceite como meu Pai e Senhor”. “Eu vim de Adão e de Eva, aqueles que Deus colocou na Terra, mas que desobedeceram ao Pai e criaram essa tragédia suprema da morte”. “Eu vou para junto do meu Pai Eterno um dia, mas antes terei que expiar pelos meus pecados para merecer o céu ou o paraíso ou o Nirvana”. Ou então, “eu pago pelos pecados cometidos em vidas passadas, e retornarei à vida em outro corpo para cumprir o que está determinado e evoluir até me tornar puro e casto aos olhos de Deus e viver para sempre junto Dele”.

Tantas ilusões foram criadas pelo homem para ser eterno! Em sua majestade ele esquece de viver o presente de sua vida para adorar deuses, santos, imagens de barro e de pedra, livros ditos sagrados e imaginar um futuro radioso em outro mundo. O que essa ilusão traz de bom para a raça humana? Nada! Tal como os deuses criados pelo homem, a manutenção da ignorância traz a morte mais depressa. Ele esquece de manter a vida como ela é para entregá-la de graça à mentira dos deuses e aos cofres das igrejas. Na realidade, o homem devia ter uma visão mais realista de si mesmo. Acreditar que é uma vida planetária e que a morte faz parte da igualdade dele com o cosmo. A única vida eterna em que o ser humano deve acreditar é de que vive em um imenso e eterno espaço sideral. De que é composto de partículas atômicas em meio a milhões de outras partículas atômicas. E que, ao morrer, os átomos de sua carne se transformam em poeira, se fundem em pó, e voltam a fazer parte da realidade cósmica. Fora isso, nada mais existe.

MARCOS

Em um marco da praça
– sempre um sol –
Verde é a cor da luz
Lindos são os risos das putas
Oferecendo corpos
À voracidade financiada do sexo

Em um marco zero

– sempre uma estrela –
Branca é a cor do oceano
Beleza é o vigor dos estivadores
Carregando tralhas
À ferocidade poliglota do consumo

Em um marco de torre

– sempre uma cruz –
Cinzento é o estupor dos séculos
Tristes são os olhares das beatas
Rezando nas igrejas
À memória dos deuses inexistentes

Em um marco de campo

– sempre lápides sós –
Amarela é a lágrima da dor
Mágoa é a perdição do corpo
Que enterramos no chão
Por uma lei inerente ao universo

Em marcos de cimento e pedra

– sempre muitos lares –
Vermelha é a cor das almas dos homens
Martelo e foice centenários
Na espera dos ressuscitados
Pela sangrenta bandeira da ilusão

Em um marco de carne

– sempre homem e mulher –
Azul é a cor da liberdade
Força para todos os marcos
Marcados no tempo
No caderno infinito da vida.

CRUZ, ESPADA, BÍBLIA, CANHÕES

Com bêbados, loucos, religiosos, políticos, cientistas sociais e
decorebas não se pode dialogar sobre o assunto abaixo transcrito.
Eles se julgam os únicos donos da verdade.
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Deuses. Deusas. Semi-deuses. Deus único. Para quem foi útil a criação deles? O caminho para dissertar sobre isso é longo. Vamos encurtá-lo. Sempre e sempre, em tempos antigos e caminhando para os tempos mais recentes, os conquistadores agradeciam a seu deus ou aos seus deuses por terem conquistado terras e bens temporais de outras raças. “Por Amon!”, gritavam os egípcios de Ramsés II, enquanto invadiam aldeias hititas, decapitavam crianças, estupravam mulheres e faziam escravos dos sobreviventes. “Alá é grande e Maomé é seu profeta!”, clamavam os maometanos, turcos e muçulmanos, enquanto passavam populações inteiras ao fio de suas cimitarras. “Jesus está conosco!”, gritaram os espanhóis, portugueses, franceses, ingleses, ao invadirem a América Latina, a África, e subjugarem e chacinarem seus povos.

A ligação direta da religião com o poder econômico, a mercantilização da fé vêm das lonjuras dos tempos conhecidos. O homem criou deus e os deuses com o propósito de possuir um gratificante espaço intemporal, onde pudesse depositar suas dores e seus problemas e depois esquecê-los, pois, já que estavam nas mãos dos deuses ou de deus, em boas mãos se encontravam. As divindades resolveriam tudo. Aos poucos, a complexidade dessa criação humana foi vindo à tona. Quando o homem começou a sair do seu primitivismo, começando a liderar nações e gentes, alguns descobriram ser bastante (e coloque bastante nisso) lucrativo colocar os deuses ou deus ao seu lado, com vestes e ideologias apropriadas, com seus respectivos sumo-sacerdotes, papas, pastores, bispos, patriarcas ortodoxos, aiatolás etc. Usando o nome dos deuses e de deus, o poder emanado dessas divindades se convertia em ouro, prata e em todas as espécies de riquezas conhecidas.

Aparecem então os ungidos dos deuses ou de deus. Os donos do poder! A divindade terrestre que representava a divindade maior. Pela divindade terrestre os deuses ou deus falavam e diziam o que era melhor para o mundo e para os homens. O poder temporal simbolizado pela espada, e o poder intemporal, simbolizado pelas estátuas, pelos símbolos religiosos (tal como a cruz e a Bíblia), enriqueceram monarcas, papas, Igreja e Estados, grupos específicos, famílias e muitos clãs.

Vejamos o caso dos países da Europa, cujos reinos foram os mais variados, mas que hoje se unem em um só mercado comum. O poder da cruz junto ao poder do Estado enriqueceu a Europa. Sem nenhum pudor e em nome de Deus e de Jesus Cristo, os europeus roubaram, mataram, chacinaram civilizações inteiras. O fausto da Europa, a beleza dos seus monumentos, a sua dita grandiosa civilização, sua enorme riqueza material de hoje são resultados de tudo isso. Roubo e matança em nome da cruz. Sempre, sempre, sempre em nome de Deus, a África, a Ásia, a América do Sul, a América Central foram totalmente saqueadas em suas riquezas naturais pelos europeus de Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Holanda.

A cruz em que Cristo foi martirizado, para salvar os homens do pecado, foi o primeiro instrumento escolhido, ao lado da espada e dos canhões, visando roubar, matar, chacinar e dominar civilizações que não professassem o cristianismo. Ainda hoje, neste Terceiro Milênio, essa exploração continua. Agora mais planejada. Hoje, são os protestantes e suas bíblias vinculadas à bandeira norte-americana. Em nome de Deus, missões protestantes invadiram a Amazônia brasileira, tomaram espaço em terras das florestas equatoriais da América Central, para, como eles mesmos dizem, levar ao conhecimento dos gentios a história de amor(?) de Jesus Cristo, filho do Deus onisciente e onipotente.

Como não poderia deixar de ser, essas missões de conversão comandadas pelas igrejas protestantes dos Estados Unidos estão concentradas nos locais mais ricos em minerais estratégicos do planeta. Sob a desculpa de levar a palavra de Deus aos habitantes de rincões desconhecidos, os missionários, muitos deles nascidos naquelas regiões, após uma boa lavagem cerebral, ficam apalavrados com o lucro. Outros, acreditando que estão a fazer o certo para o bem da religião e para a difusão da palavra divina, catequizam o indígena, o analfabeto e o ignorante, sem nenhum proveito próprio, e não notam que estão sendo usados pelos ianques. São como peões no jogo de xadrez. Essa catequese é feita de tal forma que as riquezas da terra possam ser facilmente subtraídas para o gozo e o orgasmo da bandeira alvirrubra de estrelas. Eis o paradoxo: a religião que devia servir de consolo para os humanos, pois era esse o intento dos homens primitivos ao criarem deus à sua imagem e semelhança, serve apenas para trazer lucro a determinados países e escolhidos extratos sociais.

Depois de toda essa digressão terminamos por descobrir que religião representa uma gigantesca despesa para a humanidade. Tem necessidade de lucrar com algo, além da fé e crença na palavra divina. Uma coisa a incomodar é saber que os homens são explorados em seus bolsos e em suas consciências por bandos de mentirosos que se dizem donos da verdade, que fundam igrejas e desperdiçam dinheiro na construção de templos. Mas não deixam de possuir automóveis luxuosos, casas em locais paradisíacos, mesa farta. Ainda recebem as bênçãos dos donos do poder, e não poderia ser de outra maneira, porque a mercantilização da fé gera riqueza e capitaliza lucro para os governos.

“A invenção de deus foi um degrau na vida do homem para alcançar a felicidade. Porém, essa criação limitou o pensamento abstrato do homem, sua criatividade e sua consciência em relação à lógica. Todo ser humano que se apega ao que não vê é, na verdade, um desesperado por respostas às suas inquietações. Crendo no improvável, o ser humano limitou sua lógica e se alienou". (Emílio Bossi, in Christo Nunca Existiu)”. Vendo por esse ângulo eu vou mais além: a fé no imaginário leva o homem a sentir-se seguro e convicto de um futuro mais próspero. Essa fé leva o ser humano a acreditar que, após a morte, terá uma vida eterna noutro espaço de tempo, dependendo apenas do seu modo de agir para agradar na Terra ao deus que ele mesmo criou. Quer tornar realidade a grande ilusão.

(Tenho mais, porém basta por hoje. A continuação desse assunto fica para outro dia)

quarta-feira, 12 de março de 2008

DUAS CIDADES GUERREIRAS - RECIFE E OLINDA

Neste 12 de março, Recife e Olinda comemoram, respectivamente, 471 e 473 anos de existência. A data foi escolhida aleatoriamente, porque, na realidade, as duas cidades já existiam. O ano para Olinda foi tomado levando-se em conta a chegada do primeiro donatário da Capitania, Duarte Coelho Pereira.

De acordo com o historiador Leonardo Dantas não existe nada que comprove que as duas cidades foram fundadas nesta data, mas foi criada uma convenção aceitando o 12 de março para o Recife e para Olinda. A prova mais antiga da fundação de ambas as cidades tem a data de 1537. É a chamada Carta Foral enviada pelo donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho, ao rei de Portugal, Dom João III. Esse documento foi enviado ao rei em 12 de março de 1537 e por tal fato os historiadores escolheram fixar a data de aniversário de ambas as cidades nesse dia.

A fixação da data comemorativa aconteceu no ano de 1966 e provocou grande polêmica. Em Olinda, principalmente, pois esta cidade não aceitava de maneira alguma ter a mesma idade que o Recife. Assim, para conciliar ambos os lados, ficou assinalado que a Marim dos Caetés era mais velha dois anos do que a capital pernambucana.

Na realidade, estes são apenas números criados pelos historiadores, porque o Recife e Olinda já existiam há mais tempo. Como bem disse Leonardo Dantas “seria impossível Olinda ter tantos prédios apenas dois anos antes de Duarte Coelho mencionar a cidade na Carta Foral. E no Recife já se falava do porto, e era impossível não existir uma população na cidade que justificasse a existência de tal porto”.

Depois da invasão e do período de dominação holandês (1630-1654) a história das duas cidades se transformou. A prosperidade de Olinda estacionou no tempo, logo após ser incendiada pelos batavos, enquanto o Recife, governado pelo conde holandês Maurício de Nassau começou a crescer, terminando como a capital do Estado de Pernambuco.

As duas cidades, apesar de terem sido rivais no passado, hoje estão coladas uma a outra e perpetuam a história gloriosa do povo pernambucano. Olindenses e recifenses, neste ano de 2008, têm orgulho de terem deixado marcas na história do Brasil, onde sempre estarão presentes na diversidade de valores humanos, que pontificam a alma guerreira e altiva do homem nordestino.

RETRATO DE UMA REALIDADE CRUEL







sábado, 8 de março de 2008

OMBROS DO PAI

(Homenagem ao meu pai Ivanildo Lins Rocha falecido em 9 de março de 1991)

Muitas vezes meu pai ofereceu seu ombro
Para que eu pudesse dizer as minhas mágoas.
E dezenas de vezes (ah, essas lembranças!)
Deslizou seus dedos pelos meus cabelos
As mãos pela minha pele
Com o orgulho de um vigilante do meu tempo.
Pelas mãos de meu pai conheci caminhos
Ermos e perigosos e abismais
E escutei seus conselhos para caminhar
Naqueles onde meus pés pudessem sentir a planície.

Ele conhecia quase a fundo meus defeitos
Tanto os físicos como os do espírito
E muitas vezes pediu sem arrogância
Que eu construísse a vida afavelmente
Buscando entender a besta a viver nos outros
Mas nunca, nunca mesmo, baixasse a cabeça
Para os opressores e os arrogantes.
“Faça o que eu digo. Nunca o que faço”.

Muitas vezes meu pai fechou seus ouvidos para mim.
Fechou seus olhos e não quis enxergar minha vida.
E em quantos momentos (ah, essas lembranças!)
Aplainou carinhosamente os músculos do meu cérebro
Em silêncio, em seu constante silêncio,
Como um marceneiro a trabalhar na madeira bruta.
E era nesses instantes que eu o conhecia
Mais detidamente como o homem mais difícil
Que jamais tinha passado por minha vida.

Conheci os defeitos físicos e os do espírito do meu pai
Quando meus primeiros cabelos brancos nasceram
Ao ver que os olhos dele não tinham mais o brilho da vaidade.
E entendi que para se lapidar a vida
O homem tem de lapidar primeiro a si mesmo
E depois aceitar como uma dádiva o tempo em que viveu.
Dádiva entregue por algum espírito errante.

Hoje não mais tenho comigo os ombros do meu pai
Minhas mágoas preferem dormir na solidão eterna.


sexta-feira, 7 de março de 2008

DIA INTERNACIONAL DA MULHER-8 DE MARÇO

Mulher! Não te deixes corromper pela futilidade
e mediocridade do mundo.
Aumenta ainda mais tua força, apreendendo
as virtudes dos homens, mas
nunca os vícios. A regeneração do mundo
depende de ti, pois tens o poder de moldar
o caráter de um ser, desde o teu ventre
e por toda a sua vida.

O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher. Neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, para reivindicar a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas.

Essas operárias, que recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde aconteceu um incêndio, e cerca de 130 delas morreram queimadas.

Em 1903, profissionais liberais norte-americanas criaram a Women's Trade Union League. Esta associação tinha como principal objetivo ajudar todas as trabalhadoras a exigirem melhores condições de trabalho.

Em 1908, mais de 14 mil mulheres marcharam nas ruas de Nova Iorque: reivindicaram o mesmo que as operárias no ano de 1857, bem como o direito de voto. Caminhavam com o slogan "Pão e Rosas", em que o pão simbolizava a estabilidade econômica e as rosas uma melhor qualidade de vida.

Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres mártires de 1857, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher".

quarta-feira, 5 de março de 2008

REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817 (1º)

Data Magna de Pernambuco - 6 de março
A permanência da família real no Brasil, de interesse dos proprietários de escravos e de terras, comerciantes e burocratas da região centro - sul, não satisfez aos habitantes das demais regiões do país, fossem eles proprietários rurais, governadores ou funcionários. O primeiro grupo tinha consciência de que os favores e privilégios concedidos pelo monarca português eram os responsáveis pelo seu enriquecimento; o segundo vivia, desde a instalação da Corte no Rio de Janeiro, uma situação paradoxal: afastado do poder, tinha, ao mesmo tempo, o ônus de sustentá-lo.

Outro grupo extremamente descontente com a política de favorecimento de D. João era composto pelos militares de origem brasileira. Para guarnecer as cidades e, também, ajudá-lo em suas ações contra Caiena e a região do Prata, D. João trouxe tropas de Portugal e com elas organizou as forças militares, reservando os melhores postos para a nobreza portuguesa. Com isso, o peso dos impostos aumentou ainda mais, pois agora a Colônia tinha que manter as despesas da Corte e os gastos das campanhas militares.

Como analisa a historiadora Maria Odila Silva Dias "a fim de custear as despesas de instalação de obras públicas e do funcionalismo, aumentaram os impostos sobre a exportação do açúcar, tabaco e couros, criando-se ainda uma série de outras tributações que afetavam diretamente as capitanias do Norte, que a Corte não hesitava em sobrecarregar com a violência dos recrutamentos e com as contribuições para cobrir as despesas da guerra no reino, na Guiana e no Prata. Para governadores e funcionários das várias capitanias parecia a mesma coisa dirigirem-se para Lisboa ou para o Rio."

Esse sentimento de insatisfação era particularmente forte na região nordestina, a mais antiga área de colonização do Brasil, afetada pela crise da produção açucareira e algodoeira e pela seca de 1816. Aí, o desejo de independência definitiva de Portugal era profundo. Em Recife, capital da província de Pernambuco e um dos principais portos da região, o descontentamento era enorme. O sentimento generalizado era de que os "portugueses da nova Lisboa" exploravam e oprimiam os "patriotas pernambucanos". Esses homens, descendentes da "nobreza da terra" do período colonial, formada pela elite canavieira de Olinda, que tinha participado da Guerra dos Mascates, consideravam justificado o crescente anti-lusitanismo na Província. Francisco Muniz Tavares, uma destacada figura da sociedade pernambucana, assim se referia a D. João: "(...) Porquanto, que culpa tiveram estes (habitantes de Pernambuco) de que o Príncipe de Portugal sacudido de sua capital pelos ventos impetuosos de uma invasão inimiga, saindo faminto de entre os seus lusitanos, viesse achar abrigo no franco e generoso continente do Brasil, e matar a fome e a sede na altura de Pernambuco?"

As idéias liberais que entravam no Brasil junto com os viajantes estrangeiros e, também, por meio de livros e de outras publicações que chegavam, incentivavam o sentimento de revolta entre os pernambucanos. Também já haviam chegado, desde o fim do século XVIII, as sociedades secretas, como as lojas maçônicas. Em Pernambuco existiam muitas delas, como Patriotismo, Restauração, e Pernambuco do Oriente, que serviam como locais de discussão e difusão das "infames idéias francesas".

À medida que o calor das discussões e da revolta contra a opressão portuguesa aumentava, crescia, também, o sentimento de patriotismo dos pernambucanos, ao ponto de passarem a usar nas missas a aguardente no lugar do vinho e a hóstia feita de trigo, como forma de marcar sua identidade. Pelas ruas de Recife se ouvia, aqui e ali, o seguinte verso:


"Quando a voz da pátria chama
tudo deve obedecer;
Por ela a morte é suave
Por ela cumpre morrer "
(continua)

REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817 (2º)

O governador da Província, temendo o agravamento da situação, mandou prender pessoas suspeitas de envolvimento com as lojas maçônicas, tentando, assim, controlar a situação. Entretanto, não foi bem sucedido, pois ocasionou a deflagração do movimento, em 6 de março de 1817. Os líderes da revolta prenderam o governador e instauraram um Governo Provisório, baseado em uma Lei Orgânica que proclamou a República, estabeleceu a igualdade de direitos, a tolerância religiosa, a liberdade de imprensa e de consciência, sem, no entanto, abordar a questão da escravidão. A Lei Orgânica determinava, ainda: que se os estrangeiros estabelecidos na região dessem provas de adesão seriam considerados "patriotas"; a abolição dos tributos que oneravam os gêneros de primeira necessidade; e que o Governo Provisório duraria até a elaboração da Constituição do Estado por uma Assembléia Constituinte, a ser convocada dentro de um ano.

O movimento, denominado Revolução Pernambucana, abrangeu amplas camadas da população, como: militares, proprietários rurais, juizes, artesãos, comerciantes e um grande número de sacerdotes, a ponto de ficar também conhecido como a "revolução dos padres." A participação dos padres deve-se, especialmente, ao fato de serem, também, grandes proprietários rurais e, portanto, quererem proteger seus interesses. As camadas mais humildes também aderiram, por sentirem-se atingidas pelas medidas do Governo português, que ocasionaram o encarecimento dos gêneros alimentícios. Os comerciantes portugueses de Recife, por sua vez, tentaram impedir o movimento, interessados na preservação do sistema colonial e de seus privilégios, oferecendo 500 mil francos aos membros do novo Governo para que desistissem da revolução.

O Governo Provisório, formado pela elite colonial, era composto pelo comerciante Domingos José Martins, o advogado José Luís de Mendonça, o capitão Domingos Teotônio Jorge, o padre João Ribeiro e o fazendeiro Manuel Correia de Araújo e pretendia ser o representante de todos os grupos. Mas essa abrangência não incluía os escravos, apesar de os líderes da revolução falarem o tempo todo sobre Liberdade. Para eles, Liberdade significava o fim do domínio português e a independência, senão da Colônia, pelo menos do Nordeste, isso porque o movimento se estendeu a outras províncias da região, atingindo Alagoas, Paraíba,Ceará e Rio Grande do Norte. Não pretendiam acabar com a escravidão, mas como essa idéia passou a ser ventilada e os proprietários rurais ameaçaram tirar seu apoio ao movimento, o Governo Provisório lançou um manifesto negando tal intenção, onde se lia:

"Patriotas Pernambucanos! A suspeita tem se insinuado nos proprietários rurais: eles crêem que a benéfica tendência da presente liberal revolução tem por fim a emancipação indistinta dos homens de cor e escravos. (...) Patriotas, vossas propriedades, ainda as mais opugnantes ao ideal de justiça, serão sagradas; o Governo porá meios de diminuir o mal, não o fará cessar pela força. Crede na palavra do Governo, ela é inviolável, ela é santa."

Buscando romper com o passado de exploração e opressão, os patriotas pernambucanos quiseram, também, fazer uma revolução nos modos e maneiras de se relacionarem com as pessoas, pretendendo nelas incutir o sentimento de igualdade, ainda que restrito aos homens brancos. O comerciante francês Tollenare, que entre 1816 e 1818 esteve em Pernambuco, fez as seguintes observações a respeito dessa questão em seu livro " Notas Dominicais":

"(...) Em lugar de "Vossa mercê", diz-se "Vós", simplesmente; em lugar de Senhor é-se interpelado pela palavra Patriota, o que equivale a cidadão e ao tratamento de tu (...) As cruzes de Cristo e outras condecorações reais abandonam as botoeiras; fez-se desaparecer as armas e os retratos do rei."

Esses novos modos vão ser absorvidos, também, pelas camadas mais humildes da população, o que vai causar indignação entre os mais ricos, como mostra o historiador Ilmar Rohloff de Mattos: "Um português que vivia na cidade, Cardoso Machado, comentava indignado: "(...) até os barbeiros não me quiseram mais fazer a barba, respondiam que estavam ocupados no serviço da pátria, via-me obrigado a fazer a mim mesmo a barba (...)". Havia, também, entre essa elite, o medo de uma possível repetição da revolução de escravos ocorrida no Haiti, por conta da repercussão entre a população mais pobre das idéias liberais da revolução, como se pode perceber em outra fala atribuída a Cardoso Machado: " (...) Cabras, mulatos e crioulos andavam tão atrevidos que diziam éramos iguais e que haviam de casar, senão com brancas das melhores. Domingos José Martins andava de braço dado com eles, armados de bacamartes, pistolas e espada nua (...)"

Procurando apoio ao seu movimento, os líderes revolucionários contataram, sem sucesso, os Estados Unidos, a Argentina e a Inglaterra. Junto a esta última tentaram obter, em vão, a adesão do jornalista Hipólito José da Costa, lá radicado. Quando a notícia sobre a revolução chegou ao Rio de Janeiro,
D. João promoveu uma violenta repressão, buscando evitar, de qualquer modo, a ameaça à união do Império. Os revoltosos entraram pelo Sertão nordestino, mas, logo em seguida, as tropas enviadas por D. João, acrescidas das forças organizadas pelos comerciantes portugueses e proprietários rurais, ocuparam Recife em maio de 1817. Os Governos da Bahia e do Ceará também reagiram à revolução, prendendo os revoltosos que para lá se dirigiram, buscando adesão ao movimento.

A luta durou mais de dois meses, até as forças governistas conseguirem derrotar os revoltosos. A repressão foi extremamente violenta. Muitos dos líderes receberam a pena de morte, como Domingos José Martins, José Luis de Mendonça, Domingos Teotônio Jorge e os padres Miguelinho e Pedro de Sousa Tenório. Para o Governo português a punição deveria ser exemplar, para desestimular movimentos similares. Depois de mortos, os réus tiveram suas mãos cortadas e as cabeças decepadas. Os restos dos cadáveres foram arrastados por cavalos até o cemitério.

Em 1818, por ocasião da aclamação do rei D. João VI, ocorreu o encerramento da devassa, a suspensão de novas prisões e a libertação dos prisioneiros sem culpa formada. Continuaram, entretanto, presos na Bahia os implicados que já se encontravam sob processo, e assim permaneceram até 1821, quando foram postos em liberdade. Entre eles estavam o ex-ouvidor de Olinda, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada Machado e Silva, os padres Frei Joaquim do Amor Divino Rabelo o Frei Caneca e Francisco Muniz Tavares.

PRESENÇA NO CORAÇÃO

Ao reencontrar você parei tudo
que estava fazendo para pensar em você.
Lembrei momentos em que fiz
você gargalhar com minhas piadas.
Fiquei satisfeito por ver você feliz.
Isso aconteceu há tanto, tanto tempo,
mas parece que foi ontem...
Puxa vida, Ana,
você nunca soube como eu gostava de sua risada.
Em qualquer espaço daqueles momentos de antanho.
Na sala de aula, nos bares da vida.
Pois é, querida amiga rubro-negra...
Lembro até de um poema que fiz
repleto de palavras típicas daqueles anos dourados.
Dedicado a você.
É isso... O tempo passou.
Hoje estou com meus cabelos grisalhos.
O corpo mais cheio de carne.
A memória repleta de saudades.
Mas nunca esqueci os velhos companheiros.
Principalmente você, amiga, cujo abraço
nas arquibancadas da Ilha do Retiro
quase tira minha cabeça do pescoço
na comemoração de um gol.
Nem sei se você lembra...
Mas guardei esse aperto na memória
por ser mais inesquecível do que a vitória do meu Sport.
Anteontem, reencontrei você por aqui.
As lágrimas deslizaram de alegria em minha face.
Mas não fique incomodada com isso.
Sou um simples homem do mundo e um poeta
A buscar nesta terra as presenças
dos moradores do meu coração.

Beijos meus para você.

terça-feira, 4 de março de 2008

JUSTIFICANDO A INCOMPETÊNCIA

Os piadistas de plantão entraram em campo depois da conquista do primeiro turno pelo Sport Club do Recife. Eles são os mais novos candidatos a humoristas brasileiros e vão tomar parte em um novo Casseta & Planeta da famigerada Rede Globo. Seus nomes: Robertinho Fernandes, um tal Mauricinho não sei de quê galáxia apareceu, e um Geraldinho que gosta de fazer igual a gato velho, esfregar a bunda no chão quando faz gol. O que será que ele está limpando mesmo? É uma choradeira só pra fazer Pernambuco e o Brasil morrer de rir.

Eles disseram em entrevistas às rádios, aos jornais e às emissoras de TV que o Glorioso da Praça da Bandeira só foi campeão porque não jogou contra o timeco rosinha. Há, há, há! Dá para acreditar na justificativa encontrada por essas figuras para desfazer a incompetência deles? Patético!

E por falar no tal Roberto não sei de quê, esse tal piadista de segunda mão, meus queridos leitores, só fala do Sport, só faz comparações futebolísticas com o Sport no meio e até chegou a dizer que os diretores do Glorioso o procuraram para treinar nosso timão. Todo mundo sabe que foi ele quem mandou recadinhos para diretores do Sport Club do Recife, implorando para ser técnico do Leão. Já viram uma boca cheia de estupidez igual a essa?


Ei, seu Roberto alguma coisa, pergunta ao Mauricinho por que o seu timeco não ganhou todos os jogos da sua chave? Além de ter como adversários uns times bem fraquinhos (o Serrano foi o único mais forte) achou de bom tom perder pontos para eles? Façam um ato de contrição, caros senhores. Como vocês podem garantir que o timeco dos rosadinhos ganharia de qualquer jeito do Leão da Ilha? Podem garantir? Futebol se ganha é no campo e não com papo furado! Além disso, esqueceram do costume rosinha de nadar, nadar e morrer na praia? Esqueceram? Estão simplesmente com dor de cotovelo, eita ferro!

Que grande amnésia! Nem lembram também que há 40 anos (isso mesmo: 40 anos) não vencem uma final quando o adversário é o Papai da Cidade! Bom, a famigerada Rede Globo ou qualquer outro canal de TV vai ganhar muito com as futuras piadas desses três patetas, inclusive com as besteiras que saem da boca do Geraldinho. O pobre coitado esqueceu que foi o Sport que deu nome a ele. Também esqueceu que marcou sete gols de pênalti. E que a maioria dos pênaltis foram inventados ou o juiz estava atuando de tapa-olho. De bola parada qualquer um faz, não é, Geraldinho?

Como bem disse o grande rubro-negro Rodrigo de Moraes Passos “fizemos oito dos 12 jogos contra equipes que se classificaram para o hexagonal decisivo (Salgueiro, Central e Serrano), ou seja, 67% dos jogos. Nestes oito jogos, conquistamos 19 pontos em 24 possíveis, ou seja, 80% de aproveitamento. Nos seus 12 jogos, as rosadinhas choronas jogaram míseras duas vezes com uma única equipe entre as classificadas para o hexagonal decisivo, ou seja, apenas 17% dos jogos, nos quais, dos seis pontos disputados, conquistaram apenas três, que significa 50% de aproveitamento. Estes números comprovam que tivemos um caminho muito mais difícil do que as rosadinhas e mesmo assim fomos muito mais eficientes”. E o jornalista da Folha de Pernambuco, Claudemir Gomes, também foi taxativo ao afirmar que “não precisa ser nenhum expert para se chegar à conclusão de que os dois candidatos ao título trilharam caminhos bem diferentes, até o momento, dentro da mesma competição. Se por um lado o Sport enfrentou alguns dos melhores times do torneio, do outro, o Náutico se deparou com os mais fracos”.

Está dito! Não adianta ir contra os fatos. Contra eles não existem argumentos. Porém, os novos piadistas da famigerada Rede Globo, que também é uma grande piada, com seus Rembrandts e Geórgias da vida, não vão deixar de ter lugar para trabalhar quando a derrota alcançá-los. E nós poderemos rir bastante com as justificativas que eles irão trazer em futuro próximo.

Saudações rubro-negras, pessoal!

segunda-feira, 3 de março de 2008

É ALEGRIA! É A FESTA DO CAMPEÃO!

“Chegando lá na Ilha do Retiro / Ó abre alas, o Sport vai jogar / Rubro-negro é cor de guerra / É o super-Sport que estremece a terra”. Não adianta que existam dezenas de torcidas contra. Em Pernambuco e no Recife, quem manda é o Sport! “Vivendo do Sport essa emoção / A galera se engrandece muito mais / Quem não falar do Sport é mudo / Cazá, cazá, cazá, / Pelo Sport tudo”. O primeiro turno de 2008 é nosso! A terra estremece em toda a cidade do Recife. O rio Capibaribe cria mais vida! O grito de guerra da torcida voa por todo Pernambuco, levando a alegria aos corações dos torcedores rubro-negros. O poderio do Sport Club do Recife fala cada vez mais alto.

Neste dia 2 de março de 2008, mais uma vez o Leão da Ilha conquista uma vitória. Uma vitória importante, pois nela ficou alicerçado meio caminho para a conquista de outro título de campeão pernambucano. Os adversários são ridículos. Não conseguem espantar a força rubro-negra. Um nome indigno de ser mencionado aqui disse, um dia, que a Ilha do Retiro era uma casa de festejos. Agradecemos! A Ilha do Retiro é a casa onde fazemos as festas de nossas vitórias, onde gozamos com a cara dos perdedores que vão continuar sendo perdedores enquanto o Leão estiver vivo e solto na raia. E para aqueles rivais que vivem do passado eu grito bem alto: LUXO É SER 36 VEZES CAMPEÃO PERNAMBUCANO! E VEM MAIS POR AÍ!

Mas não pretendo aqui falar dos perdedores. Eles não merecem. Sou um vencedor! Somos vencedores! A nossa alegria tem de contagiar o mundo. Na verdade, torcer pelo Sport é possuir uma religião. O Leão da Ilha é o vencedor maior do futebol pernambucano. E pode e deve ser muito mais do que isso. Com o carisma de suas cores envolvendo a massa, abrigando todas as classes sociais, não deve ter apenas a mania de ser vencedor em muitos e alguns momentos. Dentro do coração da fiel torcida é o vencedor eterno. E vai continuar trilhando esse caminho de glória.

Já foi dito pelo confrade Fausto Neto, nas páginas do Jornal do Brasil, logo após a conquista do Campeonato Brasileiro de 1987 que “o vermelho daquela camisa irresistível é uma homenagem aos heróis que derramaram sangue em defesa da unidade nacional contra os invasores holandeses. O Sport é a essência da alma libertadora do notável Frei Caneca e a imagem sagrada da força e bravura de Felipe Camarão e Henrique Dias”. Eu vou além e digo que a maior riqueza do Sport está no coração de cada torcedor, Torcer pelo Sport é, antes de tudo, amar. Temos a alma da terra. Somos negros, somos brancos, somos cafuzos, somos mamelucos, somos caboclos, mas principalmente somos Sport Club do Recife e estamos hoje comemorando uma conquista que profetiza uma conquista maior a vir: a de Campeão Pernambucano pela 37ª vez. Isso é que é luxo!

Saudações rubro-negras, pessoal!

domingo, 2 de março de 2008

O BOM SEBASTIÃO

O título parece nome de um frevo de bloco do Getúlio Cavalcanti. Mas fica nisso. Está aqui para lembrar um cara especial. Um cara bastante procurado durante mais de 17 anos. Não, não, não. Não era procurado pela polícia não. Era eu quem procurava ele. E estava bem pertinho! Há sete anos na Rua do Hospício! Um bom bebedor de cerveja e contador de causos. Um bom ouvinte também. E pernambucano da gota serena. O resto do mundo não se preocupe, nem meus poucos cinco leitores, mas o Sebastião é foda! E é meu amigo. Um dos poucos amigos de verdade que posso contar nos dedos.

No sábado, 2 de março de 2008 nos reencontramos e como não poderia deixar de ser fomos contar nossos causos de vida numa mesa de bar. Mesa de bar, sim. Pois não existe lugar melhor para entender essas coisas de homens, de poetas, de reencontros, para falar safadezas, lembrar mulheres gostosas etc e tal. Na mesa de bar do Empório Sertanejo, na Rua da Hora, colocamos em dia nossa amizade.

Meu bom Sebastião sabe que foram uns 17 anos sem contato. Mas eu não tenho culpa não. E também não coloco a culpa nele. A culpa é da vida e dos seus segredos. Quem sabe, aquilo que podemos chamar de destino? Nossa amizade começou durante o curso de Jornalismo na Unicap e foi passando daí e indo, e indo sempre mais longe. Nós fomos e estamos indo também. De solteiros passamos a casados. De filhos passamos a pais. E agora ele perto dos 50 e eu já nos 58 descobrimos que ainda olhamos para o mundo como aventureiros.

O bom Sebastião disse neste sábado que o tempo passa, mas nunca dentro da gente. Só quem vê que estamos a envelhecer são os outros. Beleza de filosofia! Concordo com ele. Podemos tá mole, mas trisca pra ver o que acontece! Ainda não estou carregando o peso de meus molambos corporais. Ele também não.

E recordamos. Recordamos muita coisa. Amigos que sumiram do nosso convívio. Não pela mão da indesejável, mas simplesmente deixaram de nos contatar. Até que nós demos desculpas a eles, pois até nós temos nossas desculpas. Mas o bom Sebastião entre um gole e outro deu uma de filósofo e observou que quanto mais a gente vive, mas a gente deseja rever essas amizades, pois só assim estaremos sendo aquilo que somos.

Rapaz, eu vou ser sincero. Não fique incomodado, mas você virou assunto para o meu blog hoje. Não reclame, será um dos poucos, além do Valdecir a ter presença aqui. Depois da tarde de cerveja e de cigarros proibidos, espero que tenhamos outros momentos, mas em um lugar onde eu possa dar meus tragos à vontade sem medo de ser chamado a atenção. Certo?

Claro, meu bom Sebastião, a gente não pode deixar de querer ver os antigos amigos. Vamos tentar, né? Os mais difíceis é que vão ser foda! O Marcus está em Brasília, e só vem se a passagem de avião for paga e a volta também. O Evaldo Costa hoje é secretário de Estado, e até ganhou como desejava a láurea de Cidadão Pernambucano, e não pode mais beber em botecos populares, pois é um homem público e não do público. O José Carlos, que era da Sudene, sumiu do mapa, o apelido dele era Guran Charles, lembra? Acho que ele agora deve estar assessorando o novo Fantasma e os pigmeus deste século, na floresta de Bengala. O cabeludo Márcio, está por aí, mas deve ser o tal homem invisível. A Ana Maria, aquela gordinha gostosona e rubro-negrona, eu não sabia por onde andava, mas como sou teimoso, consegui achar o orkut dela e só espero que ela não esteja com amnésia. Que ela se lembre deste modesto poeta e escritor recifense, e entre em contato. Mas se ficarmos com os mais fáceis de serem encontrados, olhe que este seu amigo Rafa está bem pertinho. O Gilson, Valdecir, Marise e a Maria Isabel estão por aqui. E o Henrique (vade retro) não podemos de pensar nele, né? Sem contar com a tua "ex-namorada" a Nina (aquela dos beijos molhados no clube do Banco Econômico, lembra?), que mora aqui pertinho de mim.

Claro meu bom Sebastião, fiz neste espaço uma coisa diferente. Mas sabe o que eu queria mesmo? Era matar a saudade. Afinal de contas, não é todo dia que a gente se emociona ao abraçar bem apertado um amigo que não vê há mais de 17 anos. E não é todo dia que a gente pode matar essa saudade como se estivesse naquele mesmo tempo de universitários da Unicap. Vamos continuar a manter contato, meu bom Sebastião. Principalmente, porque falta relembrar muita coisa. A vida é curta. E bota curta nisso. E precisamos fazer com que ela valha a pena. Precisamos esticá-la. Esticá-la bem.