segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O ESPELHO DA ALMA JANELA


No mês de dezembro de 2009 estarei lançando meu livro O ESPELHO DA ALMA JANELA E OUTROS CONTOS. A data ainda está para ser confirmada. Espero a presença de todos os meus amigos e simpatizantes.

terça-feira, 21 de julho de 2009

NOSFERATU EM CINCO



Busco o segredo desenhado sob o solo
De fantástico desejo recorrente
Asas negras escurecem o sol do pólo
Terremotos nas terras do Ocidente

Fera negra meu corpo anda a voejar
No olho de furacões desabridos
Ser notívago de costume tumular
Espaços frios e ainda não sabidos.

Sou anti-herói desse ar medonho
Onde a dor é mais que simples sonho
Onde moram os vampiros e zumbis

E durmo louco no escuro sarcófago
A mastigar um verso antropófago
Querendo sangue como jamais eu quis.

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E pela parca amplidão da noite escura
Nas velhas esquinas sujas da província
Uma carne feminina faz-se pura
E seu cheiro me enlaça em serpentina

Veias azuis a pedir os meus caninos
A enterrarem-se no macio pescoço
Desatinadas animam meu destino
Acordo de minha tumba em alvoroço

O manto negro se abre em longas asas
E vôo célere adejando sobre as casas
Sôfrega sede a pelejar como um tormento

Até descobri-la nua e esplêndida e bela
Oferecendo-me no parapeito da janela
O sangue rubro pra aplacar meu sofrimento.

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E faço-a minha! A minha vamp eternizada!
Guardo-a bela na tumba e no negrume
Levo-a em vôos noturnos transformada
Em Nosferatu companheira do meu lume

Nas vielas busco sangue para sua fome
Apartar e tê-la sempre minha escrava
Sussurrando aos seus ouvidos o meu nome
E sugando em todo dia a sua veia cava

Em vôos noturnos somos negras feras
Escondidas pelas deusas das quimeras
E ninguém sabe nosso lugar medonho

E os humanos são alimentos finos
Sangue puro a escorrer pelos caninos
E a nos trazer paixão a outro sonho.

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Sangue é a vida para a nossa eternidade
Fonte deliciosa nosso vício a alimentar
Sangue é o vinho a embebedar a liberdade
E a sede e o suplício da morte assassinar.

Voa pela cidade, amada de vida noturna!
Suga dos corpos puros este anseio de razão
Retorna para mim antes do vir a luz diurna
E dá-me a conta-gotas o líquido da paixão.

Depois, cubro sua carne com o negro manto
E no sibilar de rasgar a epiderme eu canto
Melodias funéreas a ressoar na pele imortal

E na lúgubre laje do nosso tumular sarcófago
Eu e você faremos nosso amor xifópago
A usufruir de cada um o sangue seminal.

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E se tivermos de reinar na imortalidade escura
No deserto fúnebre das trevas e das fossas
Não esqueça que poderei aglutinar a loucura
Ser vampiro e amante mesmo que não possas

Fugir do destino de ser toda sangue e medo
E serpente a deslizar nas alfombras de mim
Cuidado com a cruz daquele homem tredo
Cantor da morte extrema como salvação e fim.

Estaremos unidos em nossa eterna juventude
E imortais seremos em afago e atitude
E de nossa negridão espalharemos esse amor.

Sugando o sangue das almas interesseiras
Reviveremos as transilvânias guerreiras
E reinaremos apesar do medo e do pavor.
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© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife

CRIANÇAS GLOBAIS


Nas esquinas e nos semáforos
Lá estão todos eles
Nos esgotos abertos das ruas
Estão vivendo todos eles
Correndo em bandos nas avenidas
Lá vão todos eles
Vendendo chicletes, chocolates,
A tentar limpar pára-brisas...

O mundo deles não é teu nem meu
Nós os vemos de dentro do carro
Ou no jornal nacional global
Ou escrevendo na internet
Ou aos domingos ou às quartas
Ou nos sábados e sextas-feiras
Em todas noites loucas dessas...

Eu os vejo fumando crack
Nos cantos escuros dos prédios
Ao sair hipnotizado do cinema
Ou de uma livraria com livros
Ligados às questões sociais
E quando em casa bebo uma cerveja
Escutando um rock ou Maria Betânia...

Eu os vejo todos em retratos
E lá vão eles em bandos na busca
De uma vida por um trocado
De um sonho por um espaço
De jornais para serem lençóis
E mais ninguém olha para eles
Parecem viver noutra dimensão...

Nem a mulher saindo da igreja
Rindo pelos pecados apagados
Livro negro no sovaco os olha
Tem medo de ter pena e sentir
Que seu deus é um merda
Seus evangelhos são vômitos
Para encher cofres de ouro...

Lá estão eles e todos vivem
Catando o lixo na busca faminta
De um pão duro ou um osso
De chupeta nos lábios e ainda
Conseguem sorrir e ter alegria
Para brincar nas calçadas sujas
E continuar sendo sempre
Meninos e meninas globais.
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© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife

NOVOS RUMOS


Tempo de chumbo e quartelada
Homens encapuzados de vigia.
Mestres ensinando a lição errada:
“Fardados são a nossa salvação”.
Passei gritando todo esse tempo
E eles permanecem roubando
Ainda hoje todo o possível futuro.
As fardas ainda fazem procissão
E profissão de fé nos morticínios.

Passei raspando e por um triz...
Mãe, quase morro! E perdi o trem!
Na estação dos anos de chumbo
Permanecem resquícios fumarentos
Das fardas torturantes e esquivas
A matar os verões e as primaveras.
O trem ligeiro passou na estação.
Eles se esconderam em sobretudos
De inocentes e salvadores da pátria.

Agora estão rindo em dosséis de ouro.
Eles que me fizeram ser o que sou hoje.
Eles que fizeram o trem correr demais.
E nem dizem os nomes dos mortos
Pela minha glória e salvação terrena.
E nem pedem os perdões precisos
Às viúvas e aos filhos chorosos das vidas
E de tantos trens perdidos
Pelas estações de nosso antanho.

Ah, meu pai! Espero por outro trem
Sem fumaça e sem ter os fardados.
Ah, minha mãe! Espero outro trem
Para visitar tua terra de flores
E dizer aos nossos pobres mortos
Como existem vivos lutando a vida.
Vivos a buscar a essência deles todos.
Vivos, meu pai! Vivos, minha mãe!
Prontos para novos rumos, novas lutas.
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© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife

O PENSAMENTO PRIMITIVO AINDA EXISTE NO SÉCULO 21


Apesar de dono de um cérebro superior ao dos outros animais, o ser humano tende a se manter apegado ao ideário primata, ao pensamento primitivo, sem perceber a peça que lhe prega o próprio intelecto. Temos habilidades que os outros seres não possuem, mas perdemos algumas que eles mantêm, e, por conta disso, somos impedidos de aproveitar melhor a nossa vida. O que chega a ser cômico é o nosso mundo civilizado achar que suas superstições são mais razoáveis do que as dos silvícolas.

Não temos um olfato que nos capacite a perseguir um inimigo como faz o cachorro; nem somos capazes de dar a volta ao mundo sem bons conhecimentos geográficos e bússolas como fazem algumas aves. Para vencer a resistência do ar, criamos máquinas adequadas, enquanto os pássaros voam com seus próprios membros. Todavia, donos de tantos inventos para superar as nossas deficiências perante os animais inferiores, ainda acreditamos que nossos instintos de sobrevivência sejam tentações de algum diabo. Acreditamos que anjos da guarda nos protegem. Cremos que se satisfizermos nossos desejos e instintos seremos enviados para um lago de fogo, o inferno, onde iremos arder eternamente. Tudo isso por obra de um deus onipotente, o qual, ainda que submeta suas criaturas a um castigo infinito e interminável, continua a ser considerado perfeito, justo e bom.

Lembro de uma reportagem apresentada pelo programa Globo Repórter em que os índios amazônicos praticavam rituais nos quais acreditavam ter poder de afugentar os maus espíritos das florestas. Aos olhos de um cristão deste século 21, essas práticas místicas dos indígenas não são mais do que fruto de seu primitivismo, pois espíritos das florestas não existem, são coisas imaginárias criadas pela fértil imaginação dos índios. Concordo com os cristãos crentes e católicos civilizados. Concordo! Espíritos das florestas são criações da imaginação inculta. Porém, agora eu pergunto: os cristãos deste século 21 e que se dizem cultos têm alguma prova da existência de outras entidades sobrenaturais? Se não há qualquer fundamento para se acreditar na existência dos espíritos da floresta, existe alguma base mais sólida do que a imaginação para crer na existência dos anjos da guarda? E no diabo? E no deus cristão? Alguém já viu o diabo? Jamais encontrei qualquer indício desses seres imaginados. Concluo, portanto, que nenhum cristão tem mais razão do que os índios.

Quando o homem criou, em épocas remotas, a crença de possuir uma alma imaterial e independente do corpo, buscava explicar o sonho. Só isso. Os nossos antepassados mais antigos não perceberam que se os sonhos fossem atos de supostos espíritos, cada vez que alguém sonhasse com uma pessoa essa pessoa teria inevitavelmente o mesmo sonho. Mas isso não acontece. Se os antigos habitantes da Terra interpretavam os trovões e os ecos das próprias vozes como as vozes dos deuses, mostravam apenas que não conheciam os fenômenos naturais. As pessoas com deficiência mental, os loucos melhor dizendo, eram consideradas endemoninhados (possuídos pelos demônios), porque faltava aos nossos antepassados uma melhor compreensão do complexo mecanismo cerebral.

Nos dias atuais, quando todos esses mistérios já deixaram de ser mistérios, ainda se fala, apoiando-se na tese de Santo Agostinho, que tais coisas complexas da natureza não podem ter nascido por acaso. E ainda se diz que isso é prova suficiente da existência de um criador supremo. Conheci esse argumento quando era criança. Mas o meu cérebro infantil conseguiu a capacidade de entender como essa premissa é inútil. Pensei assim: de onde não pode provir o simples pode surgir o complexo? Se do acaso não pode surgir a criatura, poderia dele surgir o criador supremo? Se todas essas coisas só podem ter sido feitas por um poderoso e sábio criador, esse criador deve ter sido criado por outro superior a ele. Consequentemente, o criador do criador também teria que ter seu criador, e este o seu, em uma corrente infinita, um círculo vicioso que jamais acabaria. E o mais interessante, se pode existir um “criador incriado”, por que coisas simples da natureza não podem existir sem um ente criador?

Convenhamos, a evolução dos seres vivos é inegável. Isso nós percebemos na modificação dos vírus e bactérias e no desenvolvimento de novos tipos de resistência, tal como ocorre nos insetos. Se os fósseis encontrados pelos arqueólogos apresentam organismos tão mais simples quanto mais distantes estiverem no tempo, não há como continuarmos apegados à idéia de que tudo foi criado por um deus onipotente há seis mil anos, cada um segundo a sua espécie.

Sabe-se que antigamente a chamada palavra de deus afirmava que o sol percorre o céu, “de uma a outra extremidade do céu vai o seu caminho”; que as estrelas cairão do firmamento "pela terra como a figueira, quando abalada pelo vento forte, lança seus figos verdes". Hoje percebemos e sabemos que o sol é apenas uma estrela com alguns planetas a circular em torno dele, entre eles a Terra. Sabemos que as estrelas são milhares e milhões de vezes maiores do que a Terra, sendo impossível que caiam sobre ela. Dessa forma só podemos concluir que essa palavra tão venerada que chama de deus, não passa de uma idéia humana nascida numa época muito antiga. Portanto, cristãos, muçulmanos, judeus ou quaisquer outros, não têm mais razão do que os selvagens que acreditam nos chamados espíritos das florestas. Infelizmente, o pensamento primitivo continua ditando as regras para as mentes da maioria das pessoas. E em pleno século 21.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

HOMO PRIMITIVUS


“Se encerrarmos a verdade, enterrando-a no solo, ela crescerá, e adquirirá tal poder explosivo, que no dia em que explodir arrastará tudo à sua passagem”. Emile Zola
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Não há como deixar de observar na evolução do Universo que existe certo equilíbrio entre as diversas dimensões que o compõem. Incluindo nisso a evolução que ocorre no planeta Terra, a qual se manifesta através de grandes e demorados processos. A natureza terrestre, através de suas manifestações físicas, apresenta ao homem processos com muitos e especiais graus matemáticos, físicos, biológicos e químicos, os quais vêm de priscas eras geológicas. Dentro desse procedimento, o animal homem continua a evoluir, ainda que sua evolução ataque e atinja erradamente os processos expansionais do planeta.

O universo não para de se expandir. Essa é a verdade única. Mas o homem prende-se à idéia de que a criação e a evolução de sua espécie são responsabilidades de um deus. É nesse ponto que as maravilhas apresentadas pela natureza aos olhos humanos são esquecidas como parte e reino naturais para serem admiradas como obra de um criador, o qual muito excêntrico me parece, pois ninguém sabe quem ele é, como é, e o que pretende daqui para a frente.

Isso é de se lamentar. Numa época onde a ciência devia estar tão evoluída que o homem pudesse fugir dos conceitos fantasiosos de deus, santos, diabos e trindades divinas, cada vez mais a raça regride e se entrega, comodamente, às superstições milenares. Fica fácil, dessa maneira, aceitar as incertezas e as crueldades e até mesmo as tragédias. Na sua ignorância tribal o homem diz que se um avião caiu no mar e todos seus ocupantes morreram, foi porque tal deus assim o quis e nada podemos fazer contra o poder de tal deus. Ou, ainda, se existe fome no mundo é uma provação para que o homem aceite o filho de tal deus como a divindade verdadeira e única e acredite que após a morte não mais haverá fome, nem guerras, nem desastres aéreos. Acredite, morra e salve-se.

O que significa mesmo tal pensamento? Primitivismo, claro! Nenhum deus que seja criador pode se dar ao luxo de destruir sua própria criação apenas para ser aceito por ela. Mas a mentalidade humana, insuflada pelos poderes da religião, não aceita a verdade cruel de que um deus desse tipo é que é a fatalidade mesma da crença. Portanto, o homem deixa de construir um mundo com uma dimensão de qualidade humanitária, porque existe um deus para ele acreditar. E deixa de construir um mundo onde todos possam viver, progredir e realizar tudo que desejar, porque um deus não aceita essa forma de ser e de viver libertos dele. Assim, o homem abandona suas prerrogativas de transformar para melhor o mundo que o cerca para não magoar seu deus, que nada mais é do que sua própria fantasia interior de vida eterna.

E dedica-se a destruir tudo que a natureza cria e recria por acreditar que tal deus é dono dessa criação, esquecendo que a natureza evolui de segundo em segundo, de minuto em minuto, de hora em hora, e que tal criador é a maior das falácias inventadas pelo próprio ser humano para usurpar a idéia de expansão das dimensões universais, que há mais de bilhões de anos vem acontecendo em todo o infinito tanto dentro e fora do planeta Terra, do sistema solar e dos milhares de galáxias.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A GUERRA CONTINUA PARA TODOS OS LEONINOS


Nosso muito admirado escritor e poeta Ariano Suassuna dá seu recado para todos os pernambucanos, em particular para aqueles que reverenciam o LEÃO DA ILHA DO RETIRO

A TODOS:
Chora e chora bastante.
Não o choro dos derrotados, não por isso!
Chora pelo urro dos vencidos, que até o último instante acreditava!
Chora aquela lágrima de ‘quero mais’ e a de vingança que não tarda,
com a certeza de que não mais vinte anos separará a glória!
Chora pela certeza de que a vitória irá se repetir e não parecerá tão
anacrônico, tão inesperado, tão louco.
Chora de pena pelos companheiros de supostos grandes times
pernambucanos, que mais se animam em nossa derrota que na vitória
deles, mas que riem para esconder a inveja de sentir o sabor do sonho
que vivemos.
Chora de alegria por uma bela campanha.
Chora pela certeza de volta.
Chora por ter colocado o nome do time nos noticiários internacionais,
no olho do furacão.
Por ter ido mais longe, contra árbitros, contra emissoras e contra
babacas que preferem torcer para times do sul.
Enfim, sorri, ao saber que em breve a bandeira rubro-negra voltará a
erguer taças, flamulando no alto de sua imponência, certa e
constante, como o orgulho dos que torcem…


(Ariano Suassuna, 13 de maio de 2009)

sábado, 16 de maio de 2009

Elas são belas. E nas telas dos cinemas quantos sonhos trouxeram à cabeça dos homens! Tanto os da geração passada, como os da geração atual, as belas da tela continuam a trazer fantasias aos sentidos masculinos. Os tipos de beleza são variados, mas todos abusam de colocar ansiedades e desejos nas mentes dos que vão ao cinema por amor à sétima arte e por paixão por elas. De qualquer forma elas merecem esse tipo de admiração.
Scarlet Johansonn
Nicolle Kidman
Michelle Pfeifer
Julia Roberts
Elizabeth Taylor
Charlize Theron
Catherine Zeta-Jones
Cameron Diaz
Angelina Jolie
Brigitte Bardot
Marylin Monroe

domingo, 10 de maio de 2009

TEMPO, LIVROS, CINEMA E SILÊNCIO (republicando)

A moça do tempo disse ontem na TV: chuva forte em todo o Recife neste final de semana. Porém, bastou ela dizer isso para que o sol resolvesse dar o ar de sua graça. E o fim de semana terminou sendo radioso e quente. Como eu digo aos meus cinco leitores: o tempo é instável como a sorte. Ninguém adivinha como ele vai ser no outro dia. Chuva mesmo só lá para as nove da noite quando o corpo já começava a pedir descanso, mesmo que a rua ainda chamasse convidativa para uma curtição diferente.

Na realidade começo a ficar cansado de me sentar numa das poltronas cá de casa para ver e assistir as imbecilidades que a TV brasileira coloca no ar. Parece que os donos das emissoras televisivas acham que todo brasileiro é um asno em potencial, principalmente aos sábados e domingos. Mas isso vem do tempo de quando cachorro falava. A única coisa que me prende à TV é um jogo de futebol que não tenha vitória planejada pelo juiz para um time carioca, paulista ou gaúcho como sempre é comum acontecer.

Muitas vezes sinto saudade do tempo em que a televisão não existia. Havia mais humanidade nas pessoas e nos jovens. Pegava um livro para ler e deixava a imaginação criar as imagens dos personagens. Navegava nas letras como quem navega em um barco em busca de aventuras. Hoje, além da TV, existe a internet e ninguém sabe mais o que é a aventura de sair viajando por lugares ignorados lendo um livro.

Mas também existiam os cinemas. O Recife possuía muitos cinemas. Na falta de outra diversão melhor no fim de semana, íamos ao cinema. E eu lembro que, nas noites dos domingos, todo mundo saía correndo para alcançar uma das duas sessões de cinema no meu bairro. Pai, mãe, filhos desde que o filme fosse com a censura livre. E muitas vezes as filas eram quilométricas nas bilheterias.

Ocorria então uma espécie de congraçamento entre as pessoas. A violência nas ruas nem de longe era igual à de hoje. Na realidade, sem contar os poucos ladrões de galinhas e os batedores de carteira daquela época, nunca vi violência alguma na minha frente. E o silêncio... Sim, agora quero falar da existência do silêncio. Hoje quando paro para recordar... Olhem bem caros cinco leitores, existia um silêncio silencioso antigamente. Não fiquem pasmos. Era realmente um silêncio silencioso. Nos dias atuais já aprendi a conviver com os milhares de ruídos do silêncio. Como meus ouvidos não são lá essas coisas eu até que estou salvo da barafunda. Mas antigamente... Antigamente a gente escutava o silêncio. Não só eu, mas a grande maioria das pessoas também escutava.

Não vim aqui para dizer como é esse tipo de silêncio. Que os mais jovens perguntem aos seus pais, tios, avós etc, pois eles lembram muito bem dele. E não acreditem muito nas lindas moças do tempo que aparecem na TV. Elas buscam programar nossa vida para um pensamento único: amanhã vai fazer sol e vai fazer sol mesmo, dirão. Quem achar o contrário será preso.

Fiquemos livre dessa comédia!

sábado, 9 de maio de 2009

MULHERES DE NOSSOS SONHOS

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental...”
Colírio para os olhos cansados. Miragens de sonhos para os andarilhos sedentos. Impossibilidade de tê-las nos braços e acarinhá-las como anjos e como demônios.
És tu bela mulher, anseios a brotar nas planícies das vidas dos homens.

QUERO-TE NO MEU DIVÃ DE SONHOS. QUERO-TE MUSA DE MEU PENSAR.O OLHAR SONHADOR DA BELA QUE NOS FAZ SONHAR SER PAISAGEM E CRIADOR
SE EXISTIR ALGUM DEUS NESTE LOUCO UNIVERSO ELE É DONO DESSA MARAVILHA
MAR, VENTO, CÉU, AREIA, E A BELEZA DA MUSA DE UMA GERAÇÃO
MEIGUICE NUM OLHAR TIMIDO E FATAL DE NINFETA
LINDOS ATRIBUTOS. AH, COMO DÁ VONTADE DE SER ÁGUA!
UMA OBRA DE ARTE PARA SER AMADA DEVAGAR E CARINHOSAMENTE
NA DIVISA DA RODOVIA UMA DIVISA DE CARNE NOS ESPERA UMA BELA ENFURECIDA, CARRANCUDA, É UM PERIGO, MAS É TAMBÉM LINDO DE VER!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

UMA PRAÇA CHAMADA INDEPENDÊNCIA


PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA EM 1910

PRAÇA DA INDEPENDÊNCIA NO INÍCIO DA DÉCADA DE 50

Situada no bairro de Santo Antônio, em pleno centro do Recife, a Praça da Independência já figurava na planta da Cidade Maurícia denominada como o Terreiro dos Coqueiros, local onde funcionava um grande mercado durante o domínio holandês. Neste período, o logradouro foi chamado ainda de Praça Grande, Praça do Comércio e Praça da Ribeira. Em 1788, continha 62 casinhas que vendiam gêneros de primeira necessidade, tendo o nome mudado para Praça da Polé.

A denominação de Polé advém do fato de naquela praça ter funcionado um bárbaro instrumento de tortura (com o mesmo nome) e que constava de um mastro levantado, uma roldana e uma corda, com a finalidade de supliciar indivíduos que tivessem cometido determinados crimes.

Em 1816, o logradouro passa por uma grande reforma: as pequenas casas são substituídas por lojas de maiores dimensões, e o local fica sendo chamado de praça da União. Finalmente, em 1833, a praça adquire o nome da Independência.

No começo do século XX, mais precisamente em 1905, com a finalidade de ampliá-la, quarteirões inteiros são demolidos, bem como uma série de lojinhas que funcionavam em pleno largo. Certas vias públicas, tais como a rua Sigismundo Gonçalves e a rua do Cabugá, deixam de existir. Quarenta anos depois, a praça duplica de tamanho, adquirindo mais ou menos as dimensões que possuem na atualidade e fica popularmente conhecida como praça do Diario ou Pracinha. Ao seu redor, destacam-se: a Matriz de Santo Antônio, o edifício do Diario de Pernambuco - o jornal mais antigo da América Latina -, e vários outros prédios modernos.

A praça da Independência é considerada, hoje, como aquela de maior movimento na cidade do Recife. Por ela, cruzam e iniciam avenidas e ruas de grande relevância, tais como a rua Duque de Caxias, a rua 1º de Março, a avenida Dantas Barreto, a rua Nova, a avenida Guararapes, o Largo do Rosário, a rua Matias de Albuquerque e a rua Engenheiro Ubaldo Gomes de Matos.

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Fontes consultadas:
ROCHA, Tadeu. Praças do Recife. Boletim da Cidade e do Porto do Recife, Recife, n. 63-70, jan./dez., 1957-1958.

A DITADURA DA PALAVRA

O domínio da consciência humana pelos poderosos de plantão nunca saiu da ordem do dia e muito menos da cabeça deles. Assim, pensando e agindo, os proprietários das empresas de comunicação (jornais, rádios, revistas, emissoras de TV etc) lutam nos bastidores e fora dele para serem favorecidos com mais poder de manipulação das mentes. Já não basta o poder de manipulação das consciências pelos governos, pelas religiões organizadas, pelos parlamentos e pelas ações arbitrárias dos judiciários? Agora, eles pretendem ser donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas. Conseguindo isso, conseguirão também mandar, impor e lavar cerebralmente as consciências dos cidadãos.

O argumento maior é ingênuo e despropositado. Os poderosos dizem que para ser jornalista não se precisa ter diploma, que a exigência do diploma é antidemocrática e provoca falta de liberdade de expressão na mídia. Eles querem retroceder no tempo e em pleno Século 21 retornar aos apadrinhamentos, favores, compadrios, sem nenhum compromisso social no que eles chamam de democracia.

Já se encontra no Supremo Tribunal Federal (STF) o Recurso Extraordinário RE 511961. Tal recurso está para ser julgado neste semestre. Foi ajuizado pela Procuradoria-Geral da República com o objetivo de acabar com o registro profissional para o exercício do jornalismo. De acordo com a Procuradoria, “a atividade jornalística, em sua essência, não exige do profissional uma capacidade técnica específica, mas, sim, uma formação intelectual que o torne apto a veicular a informação de forma segura e crítica”.

Isso é conversa para boi dormir. Os interesses são outros. Todos nós sabemos que qualquer pessoa pode se expressar em jornais, rádios, TVs, revistas. Não é o registro do diploma de jornalista e a regulamentação que impedem isso. Ora, a essência mesma do Jornalismo é ouvir infinitos setores sociais, de qualquer campo de conhecimento, pensamento e ação, mediante critérios como relevância social, interesse público e outros. Na realidade, os limites são criados e impostos muitas vezes devido ao volume das informações, ao horário, tamanho, edição, ou por interesses ideológicos, de mercado e outros parentes disso.

Qualquer pessoa pode apresentar seus conhecimentos em jornais e revistas sobre sua área de atuação. Para tal, jornais e revistas, emissoras de rádio e TV disponibilizam espaços. Em qualquer grande publicação que se preza nós vemos artigos assinados por médicos, advogados, juízes, engenheiros, sociólogos, historiadores e até mesmo poderíamos ter artigos escritos por sapateiros, jogadores de futebol, prostitutas, camelôs etc se eles tivessem um poder maior de acesso à linguagem escrita. Quem sabe, um artigo escrito pelo peru que vai ser morto na véspera de Natal, criticando ritual de sacrifício de sua espécie?

Por que será que se pretende favorecer o poder dos donos de jornais, revistas, rádios e emissoras de TV? Ora, o Jornalismo não se limita à prática profissional. O Jornalismo é um vasto campo científico, uma enorme área de ensino e aprendizado e um espaço amplo para práticas profissionais. As notícias para serem elaboradas necessitam de um especialista com formação prática e teórica, para garantir a verdade objetiva dentro de uma postura ética. O jornalista que foge a isso desrespeita o leitor, e todos os demais integrantes de sua notícia.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal não podem permitir que o exercício da profissão volte ao caos de antigamente para beneficiar os patrões e todo-poderosos da mídia. E todos os jornalistas devem ficar atentos para que tal não ocorra. Sabemos muito bem que a informação jornalística é um elemento estratégico das sociedades contemporâneas. Ter diploma de uma profissão significa que o detentor dele possui formação profissional e que recebeu tal formação em lugares chamados de escola, ou universidade, ou faculdade. Não nos deixemos cair no cinismo comprometedor de uma determinada parcela do poder constituído, o qual continua em sua luta insana de derrubar as conquistas sociais do homem e retornar à ditadura da palavra.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

UMA AVENIDA CHAMADA DE CAXANGÁ


AVENIDA CAXANGÁ EM 1940


AVENIDA CAXANGÁ HOJE

O nome Caxangá não tem uma origem muito clara. Alguns autores afirmam que se trata de uma corruptela da palavra tupi caa-çan-áb, que significa mata estendida ou caa-çang-guá, mato do vale dilatado ou ainda caa-ciangá, mato da madrasta ou da madrinha. A atual Avenida Caxangá, no século XIX, era denominada de Estrada de Paudalho. Segundo Pereira da Costa, o engenheiro Louis Léger Vauthier, em relatório de 1843, onde enumera as vantagens da construção de estradas no Recife, afirma que foi só em agosto de 1833 [...] que se principiou a primeira parte da estrada de Paudalho, que do largo da Madalena se dirige para Caxangá, e foi então somente que pela primeira vez apareceu nesta Província uma estrada regularmente construída [...]. Em 1842, foi concluído o primeiro trecho da então chamada Estrada do Paudalho, que antes era um caminho de onde saiam diversas ramificações para os engenhos de açúcar e as povoações. Anteriormente, no local, nunca tinham chegado carros, só cavalos. A via passou por várias mudanças na sua estrutura e na sua denominação. Foi também chamada de Estrada do Ambolê, mas sempre se constituiu numa artéria importante da cidade. Em 1845, foi construída a ponte pênsil de Caxangá, sobre o rio Capibaribe, a primeira desse tipo no Brasil, abrindo caminho para o interior de Pernambuco e muito contribuindo para o seu desenvolvimento sócioeconOmico. Considerada como uma das avenidas mais longas do mundo em linha reta, tem cerca de 6km de extensão e liga os bairros da Madalena ao de Caxangá, na divisa com o município de Camaragibe. Na época do Estado Novo, durante a gestão do prefeito Novaes Filho, a avenida foi pavimentada com paralelepípedos rejuntados com cimento sobre concreto, alargada por meio de aterros e protegida por obras-de-arte (estruturas como bueiros, pontes, viadutos, muros de arrimo, necessárias à construção de estradas). Na terceira gestão do prefeito Pelópidas Silveira, a Avenida Caxangá foi novamente ampliada. Em dezembro de 1966, houve a inauguração de uma segunda faixa de rolamento em cimento armado, evento que contou com a presença do então presidente da República Marechal Humberto Castelo Branco. Hoje, um dos corredores de tráfego de veículos e de transporte coletivo mais importantes da zona oeste da cidade, é o principal acesso para diversos bairros, entre os quais Bongi, San Martin, Cordeiro, Iputinga, Engenho do Meio, Cidade Universitária, Várzea, além de municípios da região metropolitana como São Lourenço e Camaragibe. Com uma pista exclusiva para ônibus na sua parte central, que permite a passagem de dois coletivos de cada vez, dispõe atualmente de retornos à direita e diversas paradas de ônibus no seu corredor central. Foi também modernizada a parte de semáforos, eliminando-se os sinais de três tempos, o que permite maior fluidez no trânsito, de cerca de 50 mil veículos diários. O comércio ao longo da via é bastante diversificado: farmácias, bancos, padarias, casas de peças de automóveis, armazéns de material de construção, postos de gasolina, havendo, no entanto, uma predominância de lojas para revenda de veículos e casas funerárias. Alguns acreditam que a quantidade de mortuárias se deve ao fato de haver vários hospitais nas proximidades, como o Barão de Lucena (na própria Avenida); o Getúlio Vargas, no Cordeiro e o Hospital das Clínicas, que pertence à Universidade Federal de Pernambuco e fica na Cidade Universitária. Além de igrejas e colégios, ficam localizados na Avenida Caxangá o Parque Antônio Coêlho Parque de Exposição do Cordeiro), da Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária, do Governo do Estado de Pernambuco, e o Caxangá Golf Country Club, fundado em 7 de outubro de 1928 e denominado originalmente de The Pernambuco Golf Club. Localizado onde existia antigamente a casa-grande do Engenho Poeta, o Clube fundado pelo inglês George A. D. Litle possui o único campo de golf da cidade e uma grande pista de hipismo denominada Maurício de Nassau.
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FONTES CONSULTADAS:

CAVALCANTI, Carlos Bezerra. O Recife e seus bairros. Recife: Câmara Municipal, 1998.

COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais pernambucanos. Recife: Arquivo Público Estadual, 1962.

FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO - http://www.fundaj.gov.br

O SOL NASCE NA AURORA DO RECIFE

RUA VISCONDE DO RIO BRANCO - HOJE RUA DA AURORA
RUA DA AURORA NO INCIO DO SÉCULO 20
VISTA AÉREA DA RUA DA AURORA NOS DIAS DE HOJE

RUA DA AURORA, Recife,PE - Situada na margem esquerda do rio Capibaribe, no bairro da Boa Vista, era antigamente um pântano de propriedade do comerciante Casimiro Antônio Medeiros, o primeiro a construir naquelas terras, vencendo os alagados à margem esquerda do Capibaribe. O local foi aterrado e, em 1806, nascia a rua da Aurora. Deram-lhe o nome de rua Visconde do Rio Branco, mas o nome que ficou mesmo foi o de cais da Aurora ou rua da Aurora. É assim chamada porque voltada para o leste é a primeira a receber os raios do sol. Começa na rua da Imperatriz e vai até a avenida Norte, já no bairro de Santo Amaro. No número 31, funcionou durante muitos anos a famosa sorveteria Gemba. Na esquina com a Av. Conde da Boa Vista, fica o Edifício Duarte Coelho, onde está localizado o cinema São Luiz, um dos mais tradicionais da cidade. Até 1936, o Clube Internacional do Recife funcionava no prédio número 265 da rua da Aurora, assim como lá funcionaram, também, a garagem de remo do Clube Náutico Capibaribe (n. 1.193) e o Clube Esportivo Almirante Barroso (n.1.225). A Fábrica Progresso, antigamente denominada Fábrica Aurora, que fabricava entre outras coisas pregos e lança-perfumes, fundada em 1879, também ficava localizada no final da rua, ao pé da ponte do Limoeiro. Nos seus sobrados moravam conhecidas famílias pernambucanas Há vários prédios de estilo neoclássico, com destaque para os da Secretaria de Segurança Pública, antiga residência do presidente da Província de Pernambuco, Francisco do Rego Barros, o Conde da Boa Vista, o da Assembléia Legislativa do Estado de Pernambuco, que desde 1948, por sugestão do deputado Tabosa de Almeida, tem o nome de Palácio Joaquim Nabuco e ainda, o Ginásio Pernambucano.
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FONTES CONSULTADAS:
FRANCA, Rubem. Monumentos do Recife. Recife: Governo de Pernambuco. SEC, 1977. p.137-147.

MONTENEGRO, Olívio. Memórias do Ginásio Pernambucano. Recife: Assembléia Legislativa de Pernambuco, 1979.

FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO - http://www.fundaj.gov.br

CIDADE LIBERTÁRIA



Não é por nada não, mas tem dias que a gente precisa falar de nossa casa, de nossa terra e de nossa gente. Por que não lembrar ao mundo que vivemos em um espaço mais amplo de terra sólida e molhada? Mas antes, achei de bom alvitre falar do Recife, a capital de Pernambuco, a metrópole do Nordeste.

Claro, que não vou tirar méritos de outros lugares de outras casas e de outras gentes. Antes de mais nada, considero Salvador, a capital da Bahia, o berço genético do Brasil, e antes, de o Recife dar início às suas contribuições culturais, já os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão e São Paulo estavam contribuindo com seus intelectos para a cultura nacional. O Recife, no entanto, representa o poder da criatividade e da aventura. Isso tanto no plano do desbravamento do espaço como no de produção intelectual. Essa produção intelectual chegou tardiamente, mas quando chegou foi potente, dinâmica, desde o surgimento do primeiro movimento criativo com a Escola de Direito.

A cidade de Olinda, cantada em prosa e verso por tanta gente, foi a primeira cidade pernambucana de grande relevo. Foi nesta cidade que Bento Teixeira lançou a sua Prosopopéia, no Século XVI, poema épico em homenagem ao capitão governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. Nesse poema, a cidade do Recife recebe sua primeira apresentação: “Um porto tão quieto e tão seguro / Que para as curvas naus serve de muro”.

Foi na capital pernambucana que nasceu o primeiro movimento republicano do Brasil, em 1817. E, após o regresso de D. João VI para Portugal, os pernambucanos não aceitaram Dom Pedro como soberano e deram início a outro movimento separatista com o nome de Confederação do Equador, isso em 1824. O mais antigo jornal em circulação na América Latina também nasceu no Recife, o Diário de Pernambuco, em 1825, fundado pelo tipógrafo Antonino José de Miranda Falcão. No ano de 1827 foi criada a Escola de Direito, em Olinda, que logo depois se transporta para o Recife.

O que se nos apresenta, a partir de então, é que o Recife tornou-se o berço de uma atividade intelectual de primeiro relevo para a história moderna brasileira. Desta cidade nasceu o primeiro grande movimento abolicionista. Nela aconteceu a volta das idéias germanistas de Tobias Barreto, Clóvis Bevilaqua e Sílvio Romero, inclusive da poesia do baiano Castro Alves, líder intelectual do movimento “condoreiro”.

Fora isso (poderia enumerar muitos outros aspectos ligados a esta dissertação), o modernismo brasileiro na cultura deve muito ao Recife e a Pernambuco. Um dos modernistas mais emblemáticos foi o poeta recifense Manuel Bandeira (1896-1968). E como deixar de incluir, para conhecimento de todos os nossos membros não-recifenses, o nome de Gilberto Freyre, os avanços historiográficos de Câmara Cascudo, a poesia de Carlos Pena Filho, Mauro Motta, Ariano Suassuna, o poeta João Cabral de Melo Neto, o pedagogo Paulo Freire?

O que vemos é que a cidade do Recife é uma cidade libertária. Impregnada de idéias revolucionárias. Representa a alma altiva do pernambucano de todos os quadrantes do mundo, e está aberta em toda sua imensidão cultural e de beleza àqueles que desejarem senti-la, vivê-la, amá-la.

terça-feira, 5 de maio de 2009

EDUCAÇÃO RUIM

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura divulgou que o Brasil, no que tange à educação, está a ocupar o 80º lugar em uma lista de 129 países. Fica atrás de países latino-americanos como o Paraguai, a Venezuela e Argentina, além do Kwait, Azerbaijão, Panamá e outros. O Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos foi lançado no dia 25 de novembro, em Genebra, pela instituição.

Nenhuma novidade. O dito principal e que vem se repetindo anualmente é que nosso país está no grupo dos países intermediários que caminham para atingir as metas. O que preocupa mais os estudiosos do problema no Brasil é que as altas taxas de reprovação, a evasão escolar, o analfabetismo e o baixo desempenho dos alunos brasileiros em avaliações nacionais e internacionais ganharam destaque nos últimos anos.

Nenhuma novidade, repetimos. Em nosso país a educação nunca foi colocada como prioridade, ao contrário de muitas outras nações. Na realidade, por mais que existam pessoas interessadas em mudar esse fato, mais de 500 anos de história provaram nosso relaxamento educacional.

Existe quem possa ser considerado culpado por isso. Em termos populares, o cão segue o dono para onde ele vai. O povo brasileiro segue seus políticos e legisladores para onde eles vão. E até mesmo aceita de mão beijada os paternalismos e as politicagens e as benesses. Educação não é coisa para político algum gostar. Eles sabem que povo educado vai aprender a dizer não. Vai aprender a contestar.

Existem provas maciças de que nosso horizonte cultural vai permanecer escuro por muito tempo. Se os governantes do Brasil nunca colocaram a educação como prioridade pública, claro que o nosso resultado, hoje, não será igual ao dos países que priorizam a educação há mais de 300 anos. Lastimável. E até que os estudantes de hoje, motivados por canais televisivos e por falsificações de culturas, tentam mostrar serviço.

Serviço péssimo para uma grande maioria, e também ridículo para a imagem do país no horizonte internacional. Senão, vejamos algumas pérolas colocadas na prova de redação do Enem deste ano, cujo título foi Aquecimento Global. “Tem que destruir os destruidores porque o destruimento salva a floresta”. “A floresta amazônica está cheia de animais extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo”. “A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica”. "A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes".

Muitas outras pérolas foram apresentadas. Não dá para citá-las todas neste exíguo espaço. De quem é a culpa disso? A culpa vem de nossa história colonial, quando as correntes lusitanas impediam o homem comum de possuir educação e cultura. E tudo isso continuou após o golpe que proclamou a República. Povo educado e culto é perigoso. Deve ser mantido na linha com pão e circo. Carnaval, seitas religiosas e jogos de futebol servem muito bem para manipular o povo e educá-lo visando à perpetuação do poder constituído. Essa história é velha e nunca será mudada.

SENADO INSULTA MEMÓRIA DE DOM HELDER CAMARA



A sessão do Senado Federal, de 29 de abril, foi dedicada à memória de dom Helder Camara, o gigante franzino que enfrentou a ditadura de 1964. Mas, nem morto ele escapou da censura. Estava previsto que, ao final dos discursos dos senadores, o ator Murilo Grossi leria um poema de dom Helder. A peça "Sonhei que o papa estava louco", era um generoso delírio do arcebispo de Olinda e Recife imaginando um papa que, ensandecido, distribuiria um dia as riquezas da Igreja aos pobres. Pois a secretária-geral da Mesa do Senado, Cláudia Lyra, não gostou desta licença poética do homenageado. Achando que isso podia ser uma "afronta" à Igreja, representada na mesa pelo ex-arcebispo de Brasília dom José Freire Falcão, Cláudia excomungou a apresentação do ator, que seria vista em todo o país pela TV Senado. Dom Helder não merecia esta afronta. Nem o Senado.
claudiohumberto.com.br

quarta-feira, 18 de junho de 2008

UM POUCO DO RECIFE - PONTE MAURÍCIO DE NASSAU

Por trás do arco da Conceição vemos a Ponte do Recife (de madeira)

Ponte 7 de Setembro (similar à da Boa Vista) que substituiu a ponte de madeira

Ponte Maurício de Nassau nos dias de hoje

A Ponte do Recife, construída por Maurício de Nassau, durou até 1865. Ela ligava o bairro de Santo Antônio ao bairro do Recife Antigo. Foi a primeira ponte de madeira construída sobre o rio Capibaribe e a primeira de grande porte no Brasil, inaugurada em 28 de fevereiro de 1643. Nas cabeceiras da ponte existiam dois arcos, um do lado do bairro do Recife, Pontpoort (Porta da Ponte), e outro do lado oposto chamado Zuijpoort (Porta Sul) que depois da queda dos holandeses vieram a ser chamados de Arco da Conceição e Arco de Santo Antonio, respectivamente. A ponte possuía uma parte levadiça para permitir a passagem de embarcações, através do pagamento de pedágio, cuja cobrança ficava a cargo de uma companhia holandesa. Sofreu várias reformas e melhoramentos nos anos de 1683 e 1742, e em 1865 foi substituída por uma de ferro (gêmea da nossa atual Ponte da Boa Vista), que se chamou Ponte 7 de Setembro, mas que teve pouca durabilidade, devido à maresia, que lhe causava rápida deterioração. Em 1917, durante o governo de Manoel Borba, a ponte de ferro foi substituída por outra em concreto armado e reinaugurada com o nome Ponte Maurício de Nassau, que se encontra em bom estado de conservação até hoje. Nas suas colunas laterais, existem quatro grandes estátuas de bronze, duas em cada extremidade, duas viradas para o bairro de Santo Antônio e duas para o bairro do Recife Antigo.
Fonte: Fundação Joaquim Nabuco

domingo, 15 de junho de 2008

UM POUCO DO RECIFE – PONTE DA BOA VISTA

Ponte da Boa Vista atualmente

Ponte da Boa Vista na Década de 30

Considerada a ponte mais típica e original do Recife, liga atualmente a rua Nova, no bairro de Sto. Antônio, à rua da Imperatriz, na Boa Vista. Sua origem é do tempo dos holandeses. Em 1640, o príncipe Maurício de Nassau mandou construir uma ponte por onde os moradores pudessem atravessar o Rio Capibaribe, do continente para a ilha de Santo Antônio, e desta para o Recife, indo e voltando continuamente sem estorvo. Existem nas suas quatro pilastras de entrada, diversas inscrições que registram datas e fatos históricos relevantes de Pernambuco e do Brasil, como a invasão dos holandeses (1630); as Batalhas das Tabocas, de Casa Forte (1645) e dos Guararapes (1648-1649); a restauração de Pernambuco (1654); a Guerra dos Mascates (1710); a Revolução de 1817; a Confederação do Equador (1824); a abdicação de Pedro I e início do reinado de Pedro II (1831). Durante as décadas de 1940 e 1950, a ponte era um local importante na vida social da cidade. Pelas suas passarelas laterais desfilavam as últimas versões de vestidos, chapéus e maquiagens. Surgiram também os fotógrafos do retrato instantâneo, que ofereciam seus serviços e faziam ótimos negócios. Na época, as máquinas fotográficas ainda eram uma novidade. Parcialmente destruída pelas enchentes do rio Capibaribe em 1965 e 1966, a ponte da Boa Vista foi restaurada, em 1967, na gestão do então prefeito Augusto Lucena. A restauração, no entanto, a descaracterizou um pouco. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) embargou a obra, porém suas passarelas já haviam sido alargadas, seus pilares unidos por um revestimento de concreto até o nível da água e toda a estrutura do lastro inferior já havia sido concretada.

Fonte: Fundação Joaquim Nabuco



quinta-feira, 12 de junho de 2008

SPORT É CAMPEÃO! SPORT, SPORT! SPORT!


No dia 13 de maio deste ano vencedor para todos nós rubro-negros, eu escrevi o seguinte neste blog: não vivemos dos louros das vitórias de outros tempos como alguns rivais vivem. O presente rubro-negro de hoje é o futuro dinâmico do amanhã. Neste ano de 2008 conquistamos mais um tricampeonato e completamos o número recorde de 37 títulos no futebol de Pernambuco. Clube nenhum deste Estado chega perto dessa caminhada vitoriosa, e alguns só podem se vangloriar de velhas conquistas, como se fossem fatos recentes. O Sport não! O Sport Club do Recife vive e caminha sob os louros de vitórias mais do que atualíssimas. Possui um passado vitorioso, mas não vive dentro de uma memória dinossáurica, pois o seu presente de vitórias vai construir ainda mais o futuro desta nação de vencedores.

O capitão Durval eleva aos céus o troféu de campeão do Brasil

Hoje, na comemoração desta histórica conquista de âmbito nacional – CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL DE 2008 - as palavras se tornam irrisórias. A emoção manda e desmanda dentro do cérebro de todos nós amantes do Sport Club do Recife. As imagens da vitória de minuto a minuto, como em câmara lenta, atravessam nossa massa cinzenta como a dizer que os herdeiros de Felipe Camarão e de Frei Caneca, sediados na Ilha do Retiro, conseguiram mais uma vez elevar o nome de Pernambuco no mais alto pódio e libertar Pernambuco do preconceito dos suleiros.

Nelsinho Batista, o grande comandante


Hoje, novamente se confirma a máxima de que a turma é mesmo boa, e que por ela o Sport se assegura como o eterno vencedor do futebol pernambucano, sem dever favores a ninguém. O nome de Pernambuco é mais uma vez exaltado por bravos guerreiros. É o Sport, imortal, imortal, que exalta essa terra de brava gente contra os preconceitos dos suleiros de lá de baixo do mapa do Brasil. Novamente repito: o Sport caminha sobre conquistas gloriosas e atuais e seu presente de vitórias está a construir um futuro vencedor para nossos filhos e netos. Para aqueles que sabem escolher seus rumos.

Nossa tradição de glórias ganhou mais um reforço neste 11 de junho

E agora temos de levar em conta a nossa torcida! A NOSSA GRANDIOSA TORCIDA! Ela que leva o time a se superar em campo. Ela que faz os atletas buscarem dentro de si próprios algo mais, muito mais do que poderiam dar em outros clubes. Parabéns torcida maravilhosa! Porém, os heróis principais e que vão ficar em nossa história já estão marcados para sempre no coração de todos os rubro-negros.

Magrão, Cléber, Luizinho Neto, Diogo, Igor, Durval, César, Gabriel, Elias, Dutra, Fábio Gomes, Daniel Paulista, Sandro Goiano, Everton, Júnior Maranhão, ROMERITO, Bia, Luciano Henrique, Kássio, CARLINHOS BALA, Enilton, Leandro Machado, Roger, Reginaldo... ESTAMOS NA LIBERTADORES DA AMÉRICA/2009! Na frente de todos os nossos rivais pernambucanos e nordestinos. TORCER PELO SPORT É RELIGIÃO! É PAIXÃO! É VIDA!
TIME QUE ENTROU EM CAMPO: Kássio, Luciano Henrique, Dutra, Carlinho Bala, Magrão, Ígor, Daniel Paulista, Sandro Goiano, Diogo, Leandro Machado e Durval

Carlinhos Bala enviou o balaço da história

Romerito jamais será esquecido

Grito e grito e grito: SOU CAMPEÃO DA COPA DO BRASIL! SOU O PRIMEIRO DO BRASIL HOJE!

domingo, 1 de junho de 2008

CAFÉ LAFAYETTE E ESTAÇÃO CENTRAL

Nos anos 20 do século 20, o café mais famoso do Recife era o Café Continental. Mais conhecido como Esquina da Lafayette, por se localizar vizinho à charutaria e loja de cigarros da fábrica Lafayette, na Rua 1º de Março, o Continental era um dos canais de organização e locais de convivência preferidos dos moços e senhores da cidade. Território quase exclusivamente masculino, o Lafayette tinha como clientes, intelectuais, políticos, comerciantes, funcionários públicos, profissionais liberais, estudantes, que se reuniam para debater as últimas tendências da arte e da literatura, discutir política, fechar negócios, contar piadas, escrever versos, ou apenas boatar e comentar a vida alheia. Além da elite recifense, a Esquina do Lafayette tinha também um outro público cativo. Eram engraxates, gazeteiros, agiotas, vendedores de loteria, ambulantes que comercializavam os mais diversos tipos de mercadorias e por lá ganhavam a vida, além dos 5 passadores do jogo do bicho, uma vez que os resultados da poule do dia eram sempre anunciados ali bem em frente, na Rua 1º de Março.

Fonte: Associação Nacional de História – ANPUH XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA. “A sedução da noite nos cafés do Recife dos anos 1920: entre prazeres e transgressões” - Sylvia Costa Couceiro - Pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco/MEC – Recife

Em meados do século XIX (1850-1856) foi construída a estação inicial da Rede Ferroviária do Nordeste - RF - e ela foi chamada de Estação Central. Esta construção fica à esquerda do rio Capibaribe e defronte da atual Casa da Cultura (antiga Casa de Detenção), na rua Floriano Peixoto, situada no bairro de São José, no Recife. A Estação Central, posteriormente, teve como objetivo servir à Estrada de Ferro Central de Pernambuco, tendo sido inaugurada no ano de 1888. Foi arrendada à Great Western of Brazil Railway Company, de Alagoas até o Rio Grande do Norte. Cabe ressaltar que a Great Western administrava as ferrovias brasileiras desde o princípio do século XIX. Partindo da Estação Central, as pessoas podiam chegar em diversos pontos do Nordeste do Brasil, tais como o sertão do Cariri, no Ceará; Campina Grande, na Paraíba; as caatingas do Pajeú, em Pernambuco; ou as margens do rio São Francisco, em Alagoas.
Fonte: Fundação Joaquim Nabuco

quinta-feira, 29 de maio de 2008

VENCEDOR AMADO, IDOLATRADO: É O SPORT, IMORTAL! IMORTAL!

Tem coisas que só o Sport faz. Tem coisas que só a nação Sport consegue. Tem coisas que só quem torce pelo Leão da Ilha sente. Orgulho nas vitórias e, às vezes, mais orgulho ainda nas derrotas, porque o Sport, quando raramente adia uma vitória, o faz com soberania e dignidade. Orgulho de sempre vestir o manto sagrado vermelho e negro e provar efusivamente e constantemente que é o maior e mais amado clube do Norte e Nordeste deste Brasil. Orgulho de ser chato, orgulho de ser o mais vitorioso, de ser o maior e o mais querido entre os demais. Orgulho de ser o Papai da Cidade e o maior entre os grandes. Nas alegrias e nas tristezas, na primeira ou na segunda, o coração do adorador do Leão da Ilha do Retiro não tem divisão. E plagiando Vinicius de Morais, me perdoem os que têm apenas títulos, mas o torcedor do Sport tem muito mais que isso: Tem paixão, tem encravado na alma um escudo perpétuo, a alma leonina do Sport Club do Recife.


ESTAMOS NA FINAL DA COPA DO BRASIL!
VAMOS LUTAR PELO TÍTULO!
AVANTE MEU GLORIOSO LEÃO DA ILHA!

Continuem a torcer contra a gente, ó pequenos e alienados PERNAMBUCANOS E NORDESTINOS pobres de espírito! Isso nos ajuda cada vez mais!


quarta-feira, 28 de maio de 2008

UM POUCO DO RECIFE- PONTE GIRATÓRIA

A Ponte Giratória ligava o bairro do Recife ao bairro de São José. Foi inaugurada no dia 5 de dezembro de 1923, servindo à cidade do Recife até a década de 1970. A Ponte Giratória foi construída na bacia defronte da antiga “Barreta”. A “Barreta” era a passagem natural das barcaças e outras embarcações do mesmo porte, único meio de transporte que se destinava aos cais interiores ou fluviais do Recife, como o da Alfândega, José Mariano e o do Colégio. Foi desativada em 1971, depois da construção ao lado, da ponte 12 de setembro, e, posteriormente demolida.
(Fonte: Fundação Joaquim Nabuco)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

OUTRA AVANT-PREMIÉRE DO GRANDE ENCONTRO

No sábado, 24 de maio, eu e meu amigo Valdeci Ferraz continuamos a buscar convergências para explicar nosso estar no mundo. Na cidade de Caruaru, onde ele reside, na noite amena de Caruaru lembramos momentos de alegrias e de tristezas, de conquistas e decepções, e colocamos em dia assuntos intelectuais que estavam pendentes. Valdeci é meu concunhado e, ao contrário dos outros amigos do curso de Jornalismo da Unicap, não deixou de estar sempre em contato comigo. Entre tantos companheiros da Universidade ele foi um dos que não terminaram o curso, preferindo seguir a carreira de advogado. Hoje, além de sua amizade eu cultivo seus conhecimentos jurídicos. Muita coisa eu poderia contar acerca do que nós aprontamos na vida desde que nos conhecemos. Exímio no violão, Valdeci surpreende as pessoas que não o conhecem, cantando e tocando sempre que pode. Isso aconteceu neste fim de semana que passei em Caruaru. Antes, ele participava de nossas farras, tomando as necessárias louras geladas, mas a vida lhe ensinou que seu metabolismo não comportava o álcool e assim ele preferiu curtir a vida na coca-cola, água de coco gelada e refrigerantes. Mas isso não quer dizer que irá deixar de participar do Grande Encontro, com os nossos mais diletos amigos da Unicap. Ele garantiu que estará presente, porque pretende ver e abraçar todos aqueles que um dia também lhe deram sua contribuição de vida, amizade e conhecimentos.

sábado, 24 de maio de 2008

UM POUCO DO RECIFE - MERCADO DO DERBY


O Mercado do Derby, criação de Delmiro Gouveia, funcionou onde hoje fica o quartel-general da Polícia Militar. Foi inaugurado em 1898. Era uma espécie de precursor dos atuais shoppings. Um imponente prédio onde se vendia de tudo, de carne, artigos importados, verduras, gelo e jornais. E com uma grande atração: luz elétrica, que proporcionou aos comerciantes estenderem o horário comercial de suas lojas até às 8h da noite. Na frente do mercado, foi criada uma área de lazer, com a realização, à noite, de festas para crianças e adultos, que atraíam multidões. Era o ponto mais concorrido do Recife na época. O Mercado do Derby, ou Mercado Modelo Coelho Cintra, seu nome oficial, foi destruído por um incêndio, na madrugada de 1º de janeiro de 1900. Dizem que o incêndio foi criminoso e seus autores foram os inimigos políticos de Delmiro Gouveia, na época chefiados pelo vice-presidente da República, o Conselheiro Rosa e Silva. O prédio ficou abandonado até 1909, quando foi recuperado e passou a abrigar a Escola de Aprendizes de Artífices. Em frente ao prédio, no espaço denominado Campina do Derby, em 22 de junho de 1905, aconteceu o primeiro jogo de futebol em Pernambuco, entre o Sport Club do Recife e o English Eleven. Tempos mais tarde, o edifício do velho mercado virou o quartel-general da Polícia Militar, que ainda hoje existe no local.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

O BONDE ELÉTRICO NO RECIFE

O serviço de bondes elétricos foi inaugurado oficialmente no dia 13 de maio de 1914, em cerimônia festiva, com a presença do então governador do Estado de Pernambuco, o general Emydio Dantas Barreto e outras autoridades. O povo foi às ruas do centro da cidade para ver o novo e moderno meio de transporte, administrado pela companhia inglesa Tramways. A história do bonde elétrico no Recife está intimamente vinculada à história política e social da cidade. Afinal, foram praticamente quarenta anos de circulação desse veículo pelas ruas do Recife. O bonde acompanhou o progresso, as mudanças socioeconômicas, a moda, as ascensões e quedas de governos.

O bonde elétrico era um veículo urbano de tração elétrica que circulava sobre trilhos e se destinava ao transporte coletivo de passageiros e/ou de cargas. O nome bonde deriva-se do termo inglês bond(bônus). Na Inglaterra, quando da criação dessa modalidade de transporte coletivo, foi lançada uma campanha pública de bônus(bond) visando angariar fundos para instalação do serviço. Daí surgiu o nome brasileiro bonde. Os bondes eram altos, mas possuíam estribos para facilitar a subida dos passageiros. Mediam três metros de largura,tinham bancos largos de madeira que davam para acomodar cinco ou seis pessoas,em cada um. Nos bondes maiores, de dois truques (conjunto de dois eixos de rodas sobre o qual se assentam as extremidades do chassi dos vagões, para lhes permitir entrar em curvas), as cadeiras podiam virar para um e outro lado. As linhas de ida e volta, com dois carros cruzando um com o outro, tomavam praticamente toda a largura das ruas que, em geral, mediam, no máximo, oito metros.

As viagens morosas para os bairros distantes do centro da cidade, com as pessoas sentadas bem juntas umas das outras, em ambiente arejado, favoreciam as conversas, as leituras de jornais,livros e revistas, as amizades e os namoros. Era proibido fumar nos três primeiros bancos, no salão dos carros de primeira classe. O cumprimento rigoroso dos horários dos bondes era uma exigência da companhia, prevalecendo as normas de pontualidade britânicas. Além das tabelas de horários, entregues aos motorneiros, havia os relógios registradores, nos quais os motorneiros eram obrigados a registrar as viagens de ida e volta.

Logo às primeiras horas do dia,começava o ruído das rodas de ferro do bonde sobre os trilhos. Era o único meio de transporte coletivo disponível para ricos e pobres, já que o automóvel era artigo de luxo, importado dos Estados Unidos e só pouquíssimas pessoas o possuíam. Todos usavam o bonde. A partir da meia-noite, começavam a deixar as oficinas (estações) da companhia os chamados bondes de empregados, que eram usados também pelas pessoas que trabalhavam à noite, os gráficos, os policiais, o pessoal das docas do Porto, e também os boêmios. A partir das três horas da manhã, os bondes começavam a funcionar cumprindo a tabela normal de horário das linhas da Várzea, Dois Irmãos, Tejipió, Casa Amarela, Beberibe, Peixinhos, Boa Viagem, Olinda. Mais tarde, quando o dia já estava claro, saíam os bondes das outras linhas: Água Fria, Campo Grande, Ponte D'Uchoa, Iputinga, Areias, Casa Forte, Zumbi, Derby, Largo da Paz, Pina e Jiquiá.

Atrelados aos carros de primeira classe, desciam dos subúrbios da zona oeste da cidade, principalmente Várzea e Dois Irmãos, os reboques de segunda classe, cheios de fardos de verduras, de cestos e balaios de frutas, e trouxas de todo tipo de mercadoria, destinados aos mercados e comércio em geral. Havia também bondes fechados. O bonde Zeppelin, por exemplo, era o mais bonito coletivo sobre os trilhos, que trafegava somente na linha de Olinda, conduzindo um carro-reboque, com as mesmas características e de igual tamanho do carro-motor. Das oito horas em diante, os bondes circulavam com sua plena capacidade, para acompanhar a movimentação do comércio,dos bancos, das agências de navegação e repartições públicas. À meia-noite, os bondes eram recolhidos às estações de Santo Amaro, Fernandes Vieira e João Alfredo.


Fonte: Fundação Joaquim Nabuco

domingo, 18 de maio de 2008

O GRANDE ZECA GURAN


O sábado, 17 de maio, foi o dia de reencontrar José Carlos. O famoso Zeca. Também cognominado de Charles. Ou, ainda, Guran, como Marcus Antônio, outro que ainda vai ter seu dia de ser reencontrado, o chamava (Guran, para quem não sabe, é aquele pigmeu da história em quadrinhos do Fantasma e o apelido caiu como uma luva no grande Zeca).

Na realidade foi mais uma avant-premiére do encontro principal que ainda vai acontecer. Estou fazendo diversos ensaios e matando a saudade de todo mundo. De migalha em migalha. O bom realmente será quando juntarmos três ou quatro mesas em algum bar deste Recife e começarmos a algazarra. O tempo vai parar ou deixar de existir.

Esses ensaios estão trazendo muito saudosismo. Lembranças são colocadas ao alcance de minhas mãos e das dos amigos. Coisas de há muito esquecidas na lixeira do cérebro voltam à tona. Tal como o Zeca lembrou neste sábado: aquele meu tempo de dores de amor perdido, e minha loucura de subir e caminhar sobre a amurada da ponte Duarte Coelho numa noite antiga como antigo era o Rio Capibaribe a correr célere logo abaixo. Ainda bem que nada aconteceu e eu estou aqui para recordar a história quase esquecida.

Meu caro Zeca, a tarde foi ótima. As cervejas que bebemos juntos trouxeram sabores de juventude. Até o cheiro das salas de aula da Unicap vieram se juntar às recordações. Até os olhares que davas para os lados e para frente traziam piscares de todos os outros companheiros e companheiras que pretendo ver juntos dentro em breve.

O que posso dizer mais, amigo Zeca? Apenas que sua presença de velho, permanente e amado amigo trouxe uma alegria e um conforto como há muito não me aparecia. E espero que possamos manter um contato mais direto e constante no tempo que virá a seguir, com outras avant-premiéres para ensaiar o tema do Grande Encontro. E parodiando Vinicius de Morais tomo a liberdade de dizer que foi bom sentar novamente ao teu lado, vendo teus olhos a dardejar o meigo olhar antigo.


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SONETO DO AMIGO

Vinicius de Morais

Enfim, depois de tanto erro passado / Tantas retaliações, tanto perigo / Eis que ressurge noutro o velho amigo / Nunca perdido, sempre reencontrado. /// É bom sentá-lo novamente ao lado / Com olhos que contêm o olhar antigo / Sempre comigo um pouco atribulado / E como sempre singular comigo. /// Um bicho igual a mim, simples e humano / Sabendo se mover e comover / E a disfarçar com o meu próprio engano. /// O amigo: um ser que a vida não explica / Que só se vai ao ver outro nascer / E o espelho de minha alma multiplica...

terça-feira, 13 de maio de 2008

SOB O SIGNO DA VITÓRIA

No ano em que eu nasci a bandeira vermelha e negra do Sport Club do Recife tremulou vitoriosa nos céus da cidade do Recife, pela 13ª vez. O Glorioso já era um grande vencedor em todo o estado de Pernambuco. Já enchia de inveja aos seus adversários, os quais, como ainda hoje, buscavam nas falcatruas e nas manobras de bastidores formas de impedir a ascensão vitoriosa do Leão da Ilha do Retiro. Sem sucesso!

Em 1949, ano em que nasci, o Papai da Cidade já possuía um incontável número de fiéis torcedores. E o título desse ano longínquo foi apenas a continuidade do título do ano anterior, um bicampeonato. Portanto, quando as mãos de meus pais entraram em contato pela primeira vez com meu corpo, o Sport Club do Recife conquistava seu 13º título de campeão pernambucano. E seus heróis foram Manuelzinho, Chicão e Luiz; Vavá, Alheiros e Amaro China; Zildo, Arquimedes, Varejão, Dega e Paulo Ramos. Eu nasci glorificado com o título de bicampeão pernambucano de futebol.

Era um 13 de novembro de 1949 e a vítima foi o Santa Cruz que baqueou frente a esses heróis rubro-negros pelo placar de 2 x 0. E, hoje, neste 13 de maio de 2008, quando o meu Glorioso Sport completa 103 anos de vida, meus olhos resolveram se voltar para o passado. Observei nossa grandiosidade histórica. Observei nosso imenso patrimônio. Olhei tudo que foi construído durante todo esse tempo por tantos rubro-negros abnegados e o orgulho envolveu minha consciência e meus pensamentos. E descobri que todo rubro-negro do Sport olha apenas para a frente. Nosso passado habita o presente e constrói em nosso cotidiano glórias a serem saboreadas agora e no futuro.

Não vivemos dos louros das vitórias de outros tempos como alguns rivais vivem. O presente rubro-negro de hoje é o futuro dinâmico do amanhã. Neste ano de 2008 conquistamos mais um tricampeonato e completamos o número recorde de 37 títulos no futebol de Pernambuco. Clube nenhum deste Estado chega perto dessa caminhada vitoriosa, e alguns só podem se vangloriar de velhas conquistas, como se fossem fatos recentes. O Sport não! O Sport Club do Recife vive e caminha sob os louros de vitórias atualíssimas. Possui um passado vitorioso, mas não vive dentro de uma memória dinossáurica, pois o seu presente de vitórias vai construir ainda mais o futuro desta nação de vencedores.

Portanto, meus amigos rubro-negros, hoje, 13 de maio de 2008, vamos dar nossas glórias presentes e milhões de glórias futuras ao Leão da Ilha do Retiro. O pavilhão rubro-negro vai tremular no mais alto mastro da cidade do Recife. O signo da vitória é nosso, pois não existe derrota que derrote quem vive para vencer.

Cazá, cazá, cazá! / A turma é mesmo boa! / É mesmo da fuzarca! / Sport! Sport! Sport!

sábado, 10 de maio de 2008

PRIMEIRA AVANT-PREMIÉRE


Quantas vezes já nos disseram que o tempo é uma abstração parada no espaço? As pessoas que contaram o tempo perderam segundos, minutos, horas, dias e vida. Por tal motivo eu nunca contei o tempo. E por não contar o tempo e por saber que esse idiota é um universo irreal além do meu entendimento, consegui encontrar pessoas que estão dentro de minha existência e que sumiram por motivos que não eram do tempo, mas delas mesmas. Neste 10 de maio de 2008, um encontro marcado, sem ser propriamente encontro, mas um simples evento de amigos de outras épocas, uma avant-premiére de quando os sonhos eram mais formidáveis, de quando a gente pensava que nossas idéias podiam transformar o mundo. Não compareceram todos, mas as idéias de amizade ficaram mais vividas e mais reais do que as idéias de transformações. E as lembranças dos que faltaram vieram em formas de histórias das participações deles em nossas histórias. E os abraços e os apertos de mão e os olhares e as discussões neste 10 de maio de 2008, vinte e sete anos depois, continuaram iguais aos de tempos de antanho. E como estavam iguais, ora porra! Nós ainda continuamos com a mesma vontade de transformar o mundo, mesmo sabendo que este mundo não tem mais conserto, e que ele nos transforma a cada segundo, a cada minuto, a cada hora. E que estamos ficando velhos, apesar de cá dentro de nós a chama da juventude eterna clamar eterna. Gilson, Sebastião, Chico e eu, uma beleza estarmos reunidos e esperando com fé intensa o comparecimento das outras celebridades.

UM POUCO DO RECIFE - O FLUTUANTE


Havia no Recife da metade do século 20, sobre as águas do Rio Capibaribe, um restaurante flutuante. Construído sobre um lastro de madeira, assentado em tambores metálicos de duzentos litros, o restaurante era na verdade uma balsa onde existia um salão de madeira, rodeado de janelas e com uma passarela, também flutuante, que dava acesso à avenida Martins de Barros. No piso superior do restaurante, tinha um terraço que servia como mirante aos freqüentadores, que além de serem servidos ao ar livre, podiam contemplar o “... Recife prateado nos céus e nas águas do rio...” Existia ainda um espaço para os clientes dançarem ao som de uma orquestra ou do piano tocado por Baltazar. O restaurante com suas cores em vermelho e branco e decorado com propaganda de bebidas, foi por algum tempo uma atração a mais e um ponto de encontro e lazer nas noites recifenses. Com o passar do tempo o restaurante foi perdendo sua habitual clientela, o que resultou no encerramento de suas atividades. Com isso os nativos e os visitantes ficaram privados dessa opção de lazer tão característica de uma cidade cortada por rios e pontes.


Fonte - ARLEGO,
Edvaldo. Recife de ontem e de hoje. [ S. L.: s. n. 19...? ] p.8