quinta-feira, 13 de março de 2008

CRUZ, ESPADA, BÍBLIA, CANHÕES

Com bêbados, loucos, religiosos, políticos, cientistas sociais e
decorebas não se pode dialogar sobre o assunto abaixo transcrito.
Eles se julgam os únicos donos da verdade.
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Deuses. Deusas. Semi-deuses. Deus único. Para quem foi útil a criação deles? O caminho para dissertar sobre isso é longo. Vamos encurtá-lo. Sempre e sempre, em tempos antigos e caminhando para os tempos mais recentes, os conquistadores agradeciam a seu deus ou aos seus deuses por terem conquistado terras e bens temporais de outras raças. “Por Amon!”, gritavam os egípcios de Ramsés II, enquanto invadiam aldeias hititas, decapitavam crianças, estupravam mulheres e faziam escravos dos sobreviventes. “Alá é grande e Maomé é seu profeta!”, clamavam os maometanos, turcos e muçulmanos, enquanto passavam populações inteiras ao fio de suas cimitarras. “Jesus está conosco!”, gritaram os espanhóis, portugueses, franceses, ingleses, ao invadirem a América Latina, a África, e subjugarem e chacinarem seus povos.

A ligação direta da religião com o poder econômico, a mercantilização da fé vêm das lonjuras dos tempos conhecidos. O homem criou deus e os deuses com o propósito de possuir um gratificante espaço intemporal, onde pudesse depositar suas dores e seus problemas e depois esquecê-los, pois, já que estavam nas mãos dos deuses ou de deus, em boas mãos se encontravam. As divindades resolveriam tudo. Aos poucos, a complexidade dessa criação humana foi vindo à tona. Quando o homem começou a sair do seu primitivismo, começando a liderar nações e gentes, alguns descobriram ser bastante (e coloque bastante nisso) lucrativo colocar os deuses ou deus ao seu lado, com vestes e ideologias apropriadas, com seus respectivos sumo-sacerdotes, papas, pastores, bispos, patriarcas ortodoxos, aiatolás etc. Usando o nome dos deuses e de deus, o poder emanado dessas divindades se convertia em ouro, prata e em todas as espécies de riquezas conhecidas.

Aparecem então os ungidos dos deuses ou de deus. Os donos do poder! A divindade terrestre que representava a divindade maior. Pela divindade terrestre os deuses ou deus falavam e diziam o que era melhor para o mundo e para os homens. O poder temporal simbolizado pela espada, e o poder intemporal, simbolizado pelas estátuas, pelos símbolos religiosos (tal como a cruz e a Bíblia), enriqueceram monarcas, papas, Igreja e Estados, grupos específicos, famílias e muitos clãs.

Vejamos o caso dos países da Europa, cujos reinos foram os mais variados, mas que hoje se unem em um só mercado comum. O poder da cruz junto ao poder do Estado enriqueceu a Europa. Sem nenhum pudor e em nome de Deus e de Jesus Cristo, os europeus roubaram, mataram, chacinaram civilizações inteiras. O fausto da Europa, a beleza dos seus monumentos, a sua dita grandiosa civilização, sua enorme riqueza material de hoje são resultados de tudo isso. Roubo e matança em nome da cruz. Sempre, sempre, sempre em nome de Deus, a África, a Ásia, a América do Sul, a América Central foram totalmente saqueadas em suas riquezas naturais pelos europeus de Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Holanda.

A cruz em que Cristo foi martirizado, para salvar os homens do pecado, foi o primeiro instrumento escolhido, ao lado da espada e dos canhões, visando roubar, matar, chacinar e dominar civilizações que não professassem o cristianismo. Ainda hoje, neste Terceiro Milênio, essa exploração continua. Agora mais planejada. Hoje, são os protestantes e suas bíblias vinculadas à bandeira norte-americana. Em nome de Deus, missões protestantes invadiram a Amazônia brasileira, tomaram espaço em terras das florestas equatoriais da América Central, para, como eles mesmos dizem, levar ao conhecimento dos gentios a história de amor(?) de Jesus Cristo, filho do Deus onisciente e onipotente.

Como não poderia deixar de ser, essas missões de conversão comandadas pelas igrejas protestantes dos Estados Unidos estão concentradas nos locais mais ricos em minerais estratégicos do planeta. Sob a desculpa de levar a palavra de Deus aos habitantes de rincões desconhecidos, os missionários, muitos deles nascidos naquelas regiões, após uma boa lavagem cerebral, ficam apalavrados com o lucro. Outros, acreditando que estão a fazer o certo para o bem da religião e para a difusão da palavra divina, catequizam o indígena, o analfabeto e o ignorante, sem nenhum proveito próprio, e não notam que estão sendo usados pelos ianques. São como peões no jogo de xadrez. Essa catequese é feita de tal forma que as riquezas da terra possam ser facilmente subtraídas para o gozo e o orgasmo da bandeira alvirrubra de estrelas. Eis o paradoxo: a religião que devia servir de consolo para os humanos, pois era esse o intento dos homens primitivos ao criarem deus à sua imagem e semelhança, serve apenas para trazer lucro a determinados países e escolhidos extratos sociais.

Depois de toda essa digressão terminamos por descobrir que religião representa uma gigantesca despesa para a humanidade. Tem necessidade de lucrar com algo, além da fé e crença na palavra divina. Uma coisa a incomodar é saber que os homens são explorados em seus bolsos e em suas consciências por bandos de mentirosos que se dizem donos da verdade, que fundam igrejas e desperdiçam dinheiro na construção de templos. Mas não deixam de possuir automóveis luxuosos, casas em locais paradisíacos, mesa farta. Ainda recebem as bênçãos dos donos do poder, e não poderia ser de outra maneira, porque a mercantilização da fé gera riqueza e capitaliza lucro para os governos.

“A invenção de deus foi um degrau na vida do homem para alcançar a felicidade. Porém, essa criação limitou o pensamento abstrato do homem, sua criatividade e sua consciência em relação à lógica. Todo ser humano que se apega ao que não vê é, na verdade, um desesperado por respostas às suas inquietações. Crendo no improvável, o ser humano limitou sua lógica e se alienou". (Emílio Bossi, in Christo Nunca Existiu)”. Vendo por esse ângulo eu vou mais além: a fé no imaginário leva o homem a sentir-se seguro e convicto de um futuro mais próspero. Essa fé leva o ser humano a acreditar que, após a morte, terá uma vida eterna noutro espaço de tempo, dependendo apenas do seu modo de agir para agradar na Terra ao deus que ele mesmo criou. Quer tornar realidade a grande ilusão.

(Tenho mais, porém basta por hoje. A continuação desse assunto fica para outro dia)

2 comentários:

Bruno disse...

Caro Rafael gostei do sei texto sobre religião muito boa a sua perspectiva sobre religião porém acho que falta um pouco mais de embasamento teórico, principalmente da sociologia filosofia e antropologia acho que Peter Bergue, Francisco Cartaxo Rolim, Urbano Zilles, Max Weber, Karl marx,Kleber fernando, etc ajudariam a vc discutir isto com uma base teórica mais sólida, se vc quiser tenho livros desses autores que poderia lhe indicar. Outra coisa cientificamente é inadequado o afirmar que isso ou aquilo serve apenas para isso, principalmente um assunto está no campo da ciencias sociais. Um abraço de seu amigo Bruno lagos

Rafael Rocha disse...

No tocante a esses autores JÁ LI TODOS ELES. E discordo de muita coisa no campo social. O problema é que é apenas um blog. Uma opinião pessoal. Não posso acrescentar tantos dados bibliográficos porque senão ficaria cansativo e longo demais. Esse texto do blog faz parte de um longo e trabalhoso livro que comecei a escrever, mas que depois descobri não ser necessário. A MENTIRA RELIGIOSA é muito pior do que eu pensava. O HOMEM COMO BOM SÍMIO, É UM ANIMAL SOCIAL E NELE PREVALECEM AS PATOTAS, O NEPOTISMO, AS TRAPAÇAS E OS RUMORES COMO PAUTA INTRÍNSECA DE CONDUTA ÉTICA. É BIOLOGIA PURA!