quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

TEMPOS IDOS

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Deixando em sal as minhas águas da península
Tristeza do ter sido mundo em tempo exilado.
Como dando sabor às lagrimas do desterro
O meu outrora da vida ter-me desajustado.

A dor fluiu! E os dias ficaram inúteis e vazios.

Tal presença de glória tanto eu ousei sonhar
Cabelos brancos a emoldurar o belo crânio
A caminho de Caronte essas geleiras vão passar.

Lembro a voz na mesa: Eu não te reconheço!

Preso o pranto enregelou-se em pedra a dor
Marcante dor a invadir a espécie de mim.
Lembro a voz sorrindo a desprezar o amor.

Paixão interrompida. Dá-se e tira. Tudo a se acabar.

Mundo que expira. Vai-se para outros mares a flor.
Tal os versos mais infantes a sonhar desditas.
“Fonte não me leves, não me leves para o mar”.

Eis no tempo a fonte fria. Sorriso zombador.

A matar o esplendor maior daquela triste lira.
Antes de ser jogado ao mar o corpo frágil
Salvaram-no as areias e o perfume da ilha.

Braços amplos acolheram o poeta incendiado.

Deram-se mãos à paixão na jovem pressa da vida.
O amor fluiu venoso em novo corpo recriado
E renasceu na glória da ilusão imperecida.

Cabelos brancos emolduram o belo crânio.

Tais espessas geleiras no caminho de Caronte.
E a voz repete na vida: Não mais te conheço!
Não sei quem és! Nem imagino de qual lugar de onde...

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